Spread bancário e instituições financeiras públicas

O spread bancário representa a diferença entre a remuneração que o banco paga para os depositantes e o que cobra pelos empréstimos concedidos. Para as instituições bancárias, a margem líquida das operações será resultado do spread, descontados os custos com inadimplência, os impostos diretos e os indiretos. Se comparados internacionalmente, os níveis de spread brasileiro sempre estiveram acima da média internacional. Entre as justificativas, encontra-se o também destoante nível da Selic. Ou seja, a taxa básica de juros, além de balizar as demais taxas, reflete-se no custo do empréstimo indiretamente, através do impacto sobre o spread bancário.

Por esse motivo, acompanhando o recente ciclo de redução da Selic promovido pelo Banco Central de agosto de 2011 a março de 2013, esperava-se uma concomitante redução do spread bancário no período. De fato, se compararmos os índices no início e no fim do ciclo, a Selic reduziu-se de 12,5% para 7,25%, e o spread, por sua vez, passou de 15,1 p.p. para 11,7 p.p. Nesse caso, houve uma queda de 5,25 p.p. e de 3,38 p.p. respectivamente.

Contudo, caso analisemos a trajetória ao longo do período, nota-se que, do início do ciclo até abril de 2012, a Selic já havia sido reduzida em 2,75 p.p., enquanto o spread havia aumentado 0,14 p.p. A partir de abril de 2012, iniciou-se a redução do spread, acompanhando a queda da taxa Selic. Essa mudança de comportamento decorreu da ação dos bancos públicos — principalmente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil — em reduzir as taxas de juros cobradas sobre os empréstimos concedidos. O gráfico mostra as variações em índice.

O impacto dessa iniciativa sobre o comportamento total do spread só foi possível devido à elevada presença das instituições públicas no Sistema Financeiro Nacional.

Recentemente, sua participação praticamente igualou-se à das privadas, no saldo total de empréstimos, no País.

A elevada participação pública no sistema financeiro já se revelara importante em 2008, quando da restrição à concessão de crédito por parte das instituições privadas decorrente da incerteza gerada pela crise financeira. A partir daquele momento, as instituições públicas assumiram a manutenção da expansão do crédito, que limitou uma queda maior na atividade econômica. O comportamento recente do spread reafirma a importância das instituições públicas na garantia de melhores condições para a tomada de empréstimos.

Spread bancário e instituições financeiras públicas

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