RS: é segundo na exportação do agronegócio

Entre 1997 e 2002, o agronegócio nacional teve contribuição estratégica na obtenção das divisas necessárias ao enfrentamento do desequilíbrio externo. Segundo dados do Ministério da Agricultura, cerca de 42% das exportações totais do País foram geradas pelo setor no período. O Rio Grande do Sul teve papel destacado, ocupando o segundo lugar entre os estados, com uma participação média de 17,8% nesses anos e de 17,3% em 2002.

A parcela do agronegócio nas exportações totais do Estado gira em torno de 68%, maior que a média do Brasil. A concentração da pauta também é maior no RS do que no País. Os cinco principais produtos (calçados, fumo, carnes, soja em grão e farelo de soja) representam cerca de 74% no RS e apenas 47% no Brasil, na média dos anos entre 1997 e 2002.

Ao contrário do País, que, durante o período de estudo, apresentou modificações na pauta dos cinco principais produtos exportados — sendo a mais importante a substituição do café pela soja como o principal item gerador de divisas —, o RS manteve a sua relativamente rígida, com os cinco primeiros produtos mantendo-se, basicamente, os mesmos entre 1997 e 2002.

A emergência da soja na pauta nacional confere ao produto grande importância no agronegócio brasileiro. O estado gaúcho, porém, tradicional exportador do grão, teve de enfrentar concorrência interna, notadamente do Mato Grosso e do Paraná. Durante o período, perdeu participação nas vendas externas da soja em grão, de 12,7% para 11,4%, e do farelo de soja, de 21,0% para 14,8%. Do mesmo modo, as carnes exportadas pelo RS caíram de 20,7% em 1997 para 16,7% das vendas nacionais em 2002, por causa da presença crescente de produtores do Paraná, de São Paulo e, principalmente, de Santa Catarina. Deve-se ressaltar que essas perdas de participação do RS refletem um aspecto estrutural e outro conjuntural. No primeiro, a expansão da soja no Centro-Oeste é irreversível em função da incorporação de novas áreas e com maior produtividade. No segundo, a retração das exportações de carnes refletiu a incidência da febre aftosa no Estado, bloqueando as vendas para o mercado externo, espaço ocupado por Santa Catarina. Debelada a doença, as exportações de carnes bovina e suína deverão crescer novamente.

Em meio a esse quadro, o RS conseguiu manter o segundo lugar, em função das exportações de calçados (85% das vendas nacionais no ano passado) e do fumo (88%), produtos que não sofrem significativa concorrência dos demais estados. Os dois produtos representaram cerca de 45% do valor exportado do agronegócio em 2002 pelo Estado.

Santa Catarina e Mato Grosso conseguiram aumentar suas participações graças às exportações de carnes, no primeiro caso, e de soja, no segundo. Os demais estados mantiveram suas posições, com exceção de Minas Gerais, onde ocorreu redução nas vendas de café. São Paulo manteve o primeiro lugar, com exportações baseadas no açúcar e no suco de laranja.

RS é segundo na exportação do agronegócio

Compartilhe