Rendimentos do trabalho nos Coredes

Aproveitando a recente divulgação de alguns dados municipalizados do Censo 2000 referentes à mão-de-obra, procura-se observar a realidade dos mercados regionais de trabalho do Estado e os contrastes entre eles. Enfoca-se aqui a dimensão dos rendimentos do trabalho. Optou-se por comparar a participação que, nas diferentes regiões representadas pelos Coredes, o segmento de trabalhadores com mais baixos rendimentos detém no total de ocupados.

No RS, em 2000, 53,1% dos ocupados tinham rendimento de até dois salários mínimos, sendo que 9,1% não tinham rendimento, 17,2% recebiam até um salário mínimo, e 26,8% recebiam mais de um até dois salários mínimos. Nas regiões, o percentual de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos ficava compreendido entre 36,1% no Metropolitano Delta do Jacuí e 77,9% no Médio Alto Uruguai. Em apenas três Coredes — o já citado Metropolitano Delta do Jacuí, o Serra e o Vale do Rio dos Sinos —, a parcela de ocupados nessa faixa de rendimento era inferior à do agregado estadual. Essas regiões, em conjunto, respondiam por 41% do total de ocupados do RS, influenciando fortemente o agregado do Estado.

As relações entre a distribuição dos ocupados por níveis de rendimento e variáveis populacionais ou outras mais diretamente ligadas ao mercado de trabalho nem sempre são claramente reconhecíveis. Ainda assim, é possível perceber que os Coredes com maiores concentrações de ocupados com baixos níveis de rendimento, especialmente aqueles em que os sem-rendimento têm elevada participação, tendem a apresentar menores taxas de urbanização, maior presença de ocupados em atividades ligadas ao Setor Primário e maior presença de ocupados em categorias de posição na ocupação associadas a formas de inserção mais precárias (empregados sem carteira de trabalho assinada, conta própria, não remunerados e trabalhadores na produção para o próprio consumo).

Os seis Coredes com maior concentração de ocupados com rendimento de até dois salários mínimos — Médio Alto Uruguai, Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial, Vale do Rio Pardo e Nordeste — são também os seis com menores taxas de urbanização, ainda que não exatamente na mesma ordem. Entre esses, encontram-se, ainda, as cinco regiões do Estado que detêm as maiores participações de ocupados no Setor Primário — Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Vale do Rio Pardo, Noroeste Colonial e Nordeste — e também as quatro regiões com maior percentual de trabalhadores em categorias associadas à precarização (Médio Alto Uruguai, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial e Missões). Interessante observar que, nessas regiões, é bastante elevada a participação de ocupados sem remuneração, característica que pode ser associada à forte presença das atividades agrícolas.

Rendimento do trabalho nos Coredes

Compartilhe