Renda familiar: multiplicidade de origens e diferenças regionais

Sucessivos indicadores apontam considerável redução da miséria no País e atenuação da histórica desigualdade de renda. Destaca-se, apropriadamente, o papel que o mercado de trabalho desempenha nesse sentido: entre 2004 e 2008, de acordo com a RAIS-MTE, o número de assalariados formais cresceu 25,6%; sua massa salarial, nada menos do que 36,5%.

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o trabalho é responsável por 61,1% da renda familiar. Por certo, os quase 40% restantes também merecem atenção. Ademais, a composição das rendas familiares diferencia-se bastante no espaço nacional.

Entre as regiões metropolitanas (RMs), a participação dos rendimentos do trabalho tem um arco de variação de 10 pontos percentuais — de 58,2% na RM de Recife a 68,2% na de Salvador. Os rendimentos não monetários alcançam sua maior expressão na RM de Belém (13,2%), seguida de perto pela RM de São Paulo (12,7%), recuando até os 9,7% da RM baiana. A variação patrimonial tem maior expressão nas RMs de Porto Alegre e do Rio de Janeiro (mais de 6% das receitas das famílias), enquanto, nas metrópoles das Regiões Nordeste e Norte, fica abaixo dos 3%. Inversamente, é nessas RMs que os programas sociais federais têm suas maiores participações — entre 0,5% e 1,8%, contra 0,1% a 0,2% nas Regiões Sul e Sudeste. As parcelas de aposentadorias e pensões do INSS e da previdência pública têm expressiva amplitude de variação entre as RMs.

Reforçando a importância de se investigarem as particularidades regionais, os dados demonstram que, a par do caráter determinante da dinâmica do mercado de trabalho, a renda das famílias tem outros esteios decisivos — privados e públicos, mercantis e não mercantis.

Renda familiar multiplicidade de origens e diferenças regionais

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