Redução de exportações para a Argentina

A crise financeira e econômica global motivou o aprofundamento das medidas de defesa comercial adotadas pela Argentina contra o Brasil. Dentre elas, podem ser citadas: licenças não automáticas de importação; estabelecimento de preços mínimos para alguns produtos importados; investigações “antidumping”; e introdução de restrições voluntárias às exportações negociadas com os parceiros comerciais. As medidas refletem o avanço do regionalismo pós-liberal na Argentina, onde crescem as resistências em relação à abertura econômica e ao aprofundamento da liberalização comercial intra-Mercosul. Com isso, em 2009, as barreiras comerciais impostas pela Argentina já atingem 14,0% das exportações brasileiras para aquele país, percentual que, em 2008, tinha sido de 4,3%.

Diante das reclamações do Governo brasileiro e dos setores mais prejudicados, o Governo argentino propôs a realização de negociações setoriais entre os empresários de ambos os países, com o intuito de estabelecer reduções voluntárias de exportações brasileiras daqueles setores mais conflitantes com a produção argentina.

Entre os setores mais prejudicados pelo protecionismo argentino, estão: calçados; têxteis e vestuário; autopeças; tornos; móveis de madeira; eletrodomésticos da linha branca; e celulose e papel. Móveis e calçados, dois importantes itens da pauta de exportações do Rio Grande do Sul, tiveram seus acordos assinados no primeiro semestre de 2009. No caso dos móveis de madeira, os produtores brasileiros aceitaram reduzir em 35% as exportações em relação aos US$ 155 milhões de 2008. Pelo acordo de calçados, foi fixada, para os fabricantes brasileiros, uma cota de 15 milhões de pares por ano até 2011, o que representa uma redução de 19% em relação aos 18,5 milhões de pares embarcados para o país vizinho em 2008. Como, há vários anos, a Argentina já vem protegendo sua indústria nacional de calçados, algumas empresas calçadistas do Rio Grande do Sul, tais como a Paquetá, a Vulcabrás/Azaléia e a Dilly, optaram por contornar as barreiras comerciais através de instalação, duplicação e/ou aquisição de plantas industriais naquele país.

Analisando as exportações de calçados e de móveis do RS para a Argentina na presente década, observa-se que os valores exportados sofreram oscilações acentuadas no período, principalmente no ano de 2002, quando a Argentina saiu da convertibilidade, onde um peso equivalia a um dólar. Nem os calçados nem os móveis conseguiram recuperar os valores de 2000, enquanto os chineses continuaram ganhando market-share naquele país, nesses setores. De janeiro a setembro de 2009, as exportações de calçados e de móveis do RS para a Argentina recuaram 14,5% e 53,0%, respectivamente, tendo os primeiros uma redução menor do que as exportações totais do Estado para aquele país (-27,6%), enquanto a dos móveis foi maior. Mesmo assim, as exportações totais do RS para a Argentina caíram menos do que as brasileiras (-39,9%) em igual período.

Redução de exportações para a Argentina

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