Quem são os jovens nem-nem na RMPA?

O grupo de jovens nem-nem — denominação dada à condição “nem estuda e nem trabalha” — chamou atenção da sociedade quando seu contingente passou a se elevar, após a crise de 2008, em especial nos países desenvolvidos, dado que se encontra excluído de duas das mais importantes instituições para sua formação social e cidadã: escola e mercado de trabalho. No Brasil, mostra-se um problema de ordem mais estrutural, não tendo uma vinculação direta com a crise. Detendo-se na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) permitem avaliar a situação dos jovens nem-nem e suas características sociodemográficas. O número total de jovens de 16 a 24 anos, na Região, era de 534 mil em 2013, sendo que os jovens nem-nem representavam 11,2% desse total (60 mil jovens). Note-se que essa proporção apresentou tendência declinante nos últimos 20 anos, com ligeira elevação após a crise recente (em 1993, a parcela de jovens nem-nem era de 15% ou 73 mil). Quanto ao sexo, entre as mulheres jovens a parcela de jovens nem-nem teve queda relevante, de 23,7% para 14,6% entre 1993 e 2013; já para os homens, registrou-se pequena alta, de 6,1% para 7,8% no mesmo período. Pela variável raça/cor, reduziu-se a proporção tanto de negros como de não negros (de 17,3% em 1993 para 13% em 2013 e de 14,7% para 11% respectivamente). A melhora na escolaridade dos jovens nem-nem foi expressiva, pois a parcela com ensino médio completo elevou-se de 9,9% para 33,9% no período, registrando-se diminuição entre os jovens com ensino fundamental incompleto, de 65% para 25,9%. No entanto, eles estavam concentrados nas famílias mais pobres (66,1% pertenciam a famílias nessa condição, em 2013, contra 35,4% dos demais jovens).

A análise desses dados permite concluir que, não obstante a melhora na condição dos jovens nem-nem, persistem aspectos preocupantes: seu contingente continua elevado; a diminuição ocorreu somente entre as mulheres; seu grau de escolaridade é inferior ao do total de jovens; e estão concentrados nas famílias mais pobres. Portanto, o distanciamento de parcela importante de jovens de instituições sociais fundamentais para sua formação demanda maior atenção das políticas públicas, pois muitos deles se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Quem são os jovens nem-nem na RMPA

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