Qual o limite para a queda da taxa selic em 2009?

Diante da crise financeira global, que provocou um desempenho negativo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no quarto trimestre de 2008 (-3,6% em relação ao trimestre anterior) e no primeiro trimestre de 2009 (-0,8% em relação ao último trimestre de 2008), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (Bacen) decidiu reduzir, a partir de janeiro deste ano, a taxa de juro básica da economia nacional (Selic), buscando incentivar a retomada do crescimento do nível de atividade. O primeiro corte na Selic ocorreu na reunião de 22 de janeiro de 2009, quando ela passou de 13,75% ao ano para 12,75% ao ano. Nas reuniões seguintes do Copom, ela continuou a cair, chegando a 8,75% ao ano na reunião de 22 de julho, mantendo-se em um dígito e atingindo o menor nível desde março de 1999, quando passou a ser usada como instrumento de política monetária para controlar a meta de inflação.

O fato de a autoridade monetária ter-se decidido por uma queda da taxa Selic de 5,0 pontos percentuais nos primeiros sete meses do ano não tem nada de errado, já que as economias mundial e brasileira vivem uma fase de recessão, o que leva os bancos centrais a reduzirem os juros nominais sem colocarem em risco o controle da inflação.

Mas até quanto pode cair o juro básico da economia neste ano? Para o Bacen, a continuação da queda do juro somente seria confortável se a inflação andasse abaixo do centro da meta (4,5% ao ano). Entretanto, ao longo dos cinco primeiros meses de 2009, ela sempre esteve acima de 5%, considerando-se o acumulado em 12 meses, e, em junho, ficou um pouco abaixo desse patamar (4,80%). A perspectiva, entretanto, é que ela continue a cair até o final do ano.

O fato é que, apesar dos juros elevados, a inflação brasileira, devido, dentre outros motivos, à indexação dos preços administrados (por exemplo, por razões contratuais), cai muito lentamente, ou cai de forma bem mais lenta do que na maioria dos demais países, onde os preços costumam ser mais flexíveis para baixo. Então, o Banco Central do Brasil tende a ser relativamente mais exigente com o cumprimento da meta inflacionária do que a maioria dos outros bancos centrais.

Contudo, à medida que a recessão mundial se aprofunde e se prolongue, a inflação deverá seguir em queda aqui e lá fora, e a derrubada dos juros, que no exterior já se aproximam do zero nominal e que, em muitos casos, até já são negativos (em termos reais), poderá continuar no Brasil.

Tecnicamente, a discussão é sobre a chamada taxa de juro de equilíbrio, ou seja, o menor juro real com que o país pode conviver sem provocar a aceleração da inflação. Considerando isso, é factível esperar-se que, nos restantes cinco meses de 2009, o Copom ainda promova mais um corte na taxa Selic, que poderá ser de até 0,5 ponto percentual.

Qual o limite para a queda da taxa selic em 2009

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