Projeções para a safra gaúcha de grãos em 2013/2014 — recordes à vista?

O segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2013/2014, divulgado em novembro, revelou a expectativa de novos recordes de produção de grãos no Brasil. No Rio Grande do Sul, projeta-     -se que a safra de grãos supere, pela primeira vez, a marca de 30 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de até 8,5% em relação à safra 2012/2013.

O crescimento esperado para a produção gaúcha deve-se, sobretudo, ao incremento na área plantada, que pode ser 5,8% superior à observada na safra anterior. A cultura da soja é o principal destaque individual, respondendo por mais de 60% da expansão da área plantada com grãos no Estado. Projeta-se que nenhuma das principais culturas temporárias sofra retração na área plantada na safra 2013/2014. Embora ainda não se disponha de estimativas precisas sobre as mudanças no uso do solo entre as regiões, parece estar acentuando-se a tendência — observada nos últimos anos — de espraiamento da cultura da soja em direção às Mesorregiões Sudeste e Sudoeste. A maior rentabilidade da oleaginosa tem incentivado seu avanço em áreas tradicionalmente destinadas à pecuária nessas regiões.

O resultado econômico da produção de grãos no Rio Grande do Sul ainda é incerto. A safra gaúcha de trigo, em fase final de colheita, promete ser a segunda maior da história, e o nível apertado de oferta do produto no mercado internacional contribuiu para a alta dos preços domésticos. Mesmo com o recente recuo, espera-se que os preços pagos ao produtor permaneçam acima da média observada em 2011 e 2012.

Para as culturas de verão, o quantum e o valor da produção estão sujeitos a maiores variações. Em se tratando da produtividade, as estimativas são apenas indicativas, calculadas a partir da média de anos anteriores. Portanto, esses números tendem a ser corrigidos ao longo do desenvolvimento das culturas, segundo as condições climáticas e fitossanitárias que se apresentarem.

No que se refere aos preços, as novas estimativas de oferta e demanda, divulgadas no início de novembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), contribuíram para a elevação temporária das cotações internacionais do milho e da soja. As importações chinesas da oleaginosa devem crescer na faixa de 15% no ano comercial 2013-14, movimento já precificado pelo mercado. Contudo, em se confirmando a elevação na relação estoque/uso global desses produtos, ainda existe espaço para a redução dos preços internacionais no curto e no médio prazo.

A desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para a melhor sustentação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros, principalmente de soja e trigo. Ainda assim, é provável que três dos quatro principais grãos produzidos no Rio Grande do Sul sejam comercializados a preços inferiores aos observados no último ano. Comparando os preços médios (em R$) vigentes em novembro de 2013 com os observados no mesmo período de 2012, segundo dados da Conab, percebe-se que a queda nos preços foi superior ao aumento projetado para a produção de soja, milho e arroz.

Portanto, dificilmente o valor da produção da safra gaúcha verificado no período anterior será superado na safra 2013/2014. Ainda assim, na ausência de quebras significativas de produtividade, os efeitos indiretos da expansão da produção agrícola tendem a ser relevantes para a economia do Estado. Os produtores (gaúchos e brasileiros) continuam capitalizados e propensos à realização de novos investimentos, seja para a renovação e ampliação do maquinário utilizado na preparação do solo e na colheita, seja para a armazenagem de grãos.

Projeções para a safra gaúcha de grãos em 2013 2014 — recordes à vista

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