Produção e vendas de veículos em queda

Os impactos da crise financeira internacional sobre o lado real da economia vão-se tornando visíveis e atingem, de forma variada, os diversos setores da economia mundial. Um caso dramático é o da indústria automobilística norte-americana, com risco de falência dos três maiores fabricantes. As dificuldades decorrem da atual crise financeira e do “enxugamento” da liquidez, mas também de problemas que restaram da crise industrial da década de 70, quando a perda de dinamismo do padrão tecnológico e a quadruplicação dos preços do petróleo revelaram uma indústria com baixos níveis de eficiência e não competitiva.

A reconversão das plantas, nos anos 80, mediante a automação e a incorporação de práticas enxutas de produção, possibilitou a recuperação da competitividade dos veículos norte-americanos. Contudo os fabricantes mantiveram a produção de veículos maiores e de preço elevado, apostando nocrédito abundante e barato, que também alimentou o mercado de imóveis. A atual crise de liquidez, porém, colocou em xeque a estratégia das três grandes norte-americanas.

No Brasil, as subsidiárias das montadoras norte-americanas são mais eficientes, preponderantemente pelo fato de serem plantas relativamente novas, construídas e/ou modernizadas na década de 90. Estas já incorporaram as inovações tecnológicas, organizacionais e logísticas, o que garante redução de custos, produtividade elevada e desenvolvimento de veículos adequados aos mercados de países emergentes: veículos mais baratos e voltados para o consumo de massa.Essa conjugação de fatores vem sustentando, especialmente a partir de 2004, uma fase de expansão acelerada da produçãoda indústria automotiva. Impulsionada pelo bom desempenho do mercado interno, a produção de automóveis e comerciais leves, caminhões e ônibus manteve-se, por um longo período, em patamares historicamente elevados. Contudo essa situação começa a mudar, na medida em que o aumento dos juros e o prazo menor de financiamento tornam os consumidores mais cautelosos (ou mais endividados), reduzindo a demanda interna e a produção.

Apesar das elevadas taxas de crescimento da produção (17,6%) e da comercialização (20,2%) de autoveículos, acumuladas no período jan.-out./08, em relação a igual período de 2007, uma análise da evolução das taxas mensais de crescimento da produção e das vendas mostra uma desaceleração no ritmo de crescimento da indústria, a qual deverá aprofundar-se nos próximos meses. Essa tendência é confirmada pela decisão de conceder férias coletivas aos empregados (GM de Gravataí por exemplo) e pelo aumento das demissões de empregados no segmento de autopeças. Na tentativa de amenizar os efeitos negativos sobre a cadeia produtiva, o Governo disponibilizou R$ 8 milhões para os bancos das montadoras financiarem as vendas.

Em outubro, segundo a Anfavea, as vendas de veículos caíram 11,6% em relação ao mês anterior. A queda acentou-se na primeira quinzena de novembro: cálculos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores apontam uma redução de 20,1% nas vendas de veículos automóveis e comerciais leves, em relação a outubro; retração de 9,6% nas vendas de caminhões e alta de 3% nas vendas de ônibus, no mesmo período de comparação.

Produção e vendas de veículos em queda

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