Perfil setorial e regional da indústria de transformação no Estado

Em 2011, a FEE iniciou uma série de estudos para identificar e avaliar os principais setores produtivos do Rio Grande do Sul, bem como a sua distribuição geográfica. Trata-se de uma análise da concentração da produção e do emprego no Estado, com o intuito de subsidiar políticas públicas de desenvolvimento setorial e regional. Os primeiros resultados foram obtidos a partir das estatísticas do registro fiscal de saídas da Secretaria da Fazenda do RS (Sefaz) e do emprego formal e salários (RAIS-MTE) da indústria de transformação, ambos referentes a 2006 — ano mais recente para o qual havia disponibilidade de uma base de dados completa da Sefaz. Assume-se, aqui, que o valor das saídas representa uma aproximação do Valor Bruto da Produção (VBP) industrial.

O Rio Grande do Sul apresenta uma estrutura industrial densa, quando comparada com a dos demais estados da Federação, estando aqui representadas partes relevantes dos setores de atividade da estrutura produtiva nacional. As estatísticas analisadas evidenciam que, dentro do Estado, a produção e o emprego industriais estão setorial e geograficamente concentrados. Em termos setoriais, a produção concentrase na fabricação de produtos alimentícios, produtos químicos, veículos, reboques e carrocerias e couro e calçados, os quais representam mais de 50% do total do valor da produção e pouco menos de 50% do total do emprego formal. Em termos regionais, apenas três Coredes — Metropolitano Delta do Jacuí, Serra e Vale do Rio dos Sinos — detêm cerca de 70% da produção total da indústria e 60% do emprego.

Há, porém, diferenças significativas nas relações entre valor da produção, emprego e distribuição geográfica nos quatro maiores setores. O setor de produtos alimentícios — cujas principais atividades no Estado são beneficiamento de soja e arroz, abate e produtos de carnes e laticínios — representa 18,9% da produção e 16,1% do total do emprego formal, com uma relação emprego/produção de 0,85. Trata-se, portanto, de um setor no qual a produção é ligeiramente mais importante do que a geração de empregos — embora se reconheça que, dentro desse agregado, existem algumas atividades cuja importância relativa do emprego é maior. Geograficamente, a fabricação de produtos alimentícios está presente em todo o território gaúcho e constitui a atividade mais importante na maior parte das regiões. Porém, 50,0% do valor da produção desse setor concentram-se em apenas quatro Coredes: Sul (onde se localiza 14,1% da produção do setor), Vale do Taquari (13,1%), Serra (13,0%) e Produção (10,6%).

O setor de produtos químicos, por outro lado, representa 16,0% da produção da indústria de transformação no Estado e apenas 2,4% do emprego formal. Além disso, 76,8% da produção concentram-se no Corede Metropolitano Delta do Jacuí. Embora a média de salários pagos seja maior do que a média estadual, a participação da massa salarial do setor no total do Estado (5,19%) ainda é baixa, quando comparada à sua importância na produção.

O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias representa 10,3% da produção e 6,1% do emprego formal, com uma relação emprego/produção de 0,59. No entanto, como o salário médio pago pelo setor é maior do que a média do Estado, a sua participação na massa salarial total aproxima-se da sua importância em termos de produção (9,98%). Trata-se, também, de um setor bastante concentrado geograficamente: os Coredes Metropolitano Delta do Jacuí e Serra detêm, respectivamente, 47,5% e 45,0% da produção. Em ambos, a atividade de autopeças é relevante, porém, enquanto, no Metropolitano, destaca-se a produção de automóveis, no Corede Serra, a produção do setor concentra-se em caminhões e ônibus e cabines, carrocerias e reboques, o que evidencia a especialização intrassetorial das regiões.

Finalmente, o setor de couro e calçados representa 8,6% da produção e 24,9% do emprego formal. A despeito da elevada relação emprego/produção (2,86), a média salarial paga pelo setor é baixa, uma vez que o padrão de competição do setor é baseado em custos. Em função disso, a participação na massa salarial do setor no Estado é de 16,8%. A produção de couro e calçados também está presente em praticamente todo o território gaúcho. No entanto, cerca de 70% da produção do setor no Estado estão concentrados nos Coredes Vale do Rio dos Sinos (51,8%) e Paranhana-Encosta da Serra (19,4%). Outros setores relevantes na estrutura produtiva do Estado, que possuem uma relação emprego/produção superior à unidade, são os de máquinas e equipamentos, borracha e plástico e produtos de metal e móveis, enquanto, nos setores de derivados de petróleo e fumo, ao contrário, a relação é baixa e bastante inferior à unidade.

Essas desigualdades apontadas acima mostram que as características setoriais da indústria e seus padrões de localização regional devem ser contemplados na formulação de políticas de desenvolvimento e de fomento ao investimento no Estado. Nem sempre políticas de fomento à produção implicarão o correspondente aumento do emprego e da massa salarial, ou, até mesmo, a redução das desigualdades regionais.

Perfil setorial e regional da indústria de transformação no Estado

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