Paradoxo da inserção feminina no mercado de trabalho

A educação pode ser vista como um importante atributo pessoal em termos de qualificação e produtividade, gerando diferenciais significativos, tais como uma melhor inserção no mercado de trabalho e maiores ganhos. Todavia as mulheres enfrentam um paradoxo no mercado de trabalho, historicamente enraizado, pois, apesar de apresentarem maior nível de educação formal, possuem menores rendimentos. Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2012, as mulheres ocupadas tinham 10,4 anos de estudo em média, contra 9,7 anos para os homens, em um cenário onde o rendimento médio das mulheres ocupadas era 26,1% inferior ao masculino.

Analisando-se o nível de escolaridade das mulheres ocupadas, observa-se que há uma maior concentração nos segmentos mais altos (ensino médio completo e ensino superior) do que o observado entre os homens. No entanto, o rendimento médio real das mulheres é inferior ao dos homens em todos os níveis de escolaridade, tanto em 2000 como em 2012, destacando-se o fato de que, em 2012, o rendimento médio real das mulheres com ensino fundamental completo ou ensino médio completo era inferior até mesmo ao rendimento médio dos homens com ensino fundamental incompleto.

Essa desigualdade salarial sugere um indício de discriminação feminina no mercado de trabalho. Entretanto, em decorrência do desempenho mais favorável do mercado de trabalho nos últimos anos, observa-se uma trajetória consistente de redução do hiato salarial entre homens e mulheres em todos os níveis educacionais, mesmo em um contexto emque os rendimentos auferidos pelas mulheres ainda permaneceram inferiores aos dos homens. A desigualdade salarial entre gêneros é uma questão central da desigualdade econômica das mulheres e requer uma atenção especial das políticas públicas voltadas para o mercado de trabalho.

Paradoxo da inserção feminina no mercado de trabalho

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