Os empregos da indústria de transformação gaúcha: inquietude à vista

Os últimos dados divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS-MTE) em setembro indicam que, em 2014, o número de empregos formais no País apresentou um acréscimo de apenas 1,3% na comparação com 2013. No RS, a criação de novas vagas foi ainda menor, 0,8%, sendo determinada, principalmente, pela redução no número de vagas com carteira assinada nos setores da indústria de transformação (-2,1%), da construção civil (-1,3%) e da agropecuária (-1,0%).

Em especial, na indústria de transformação (IT) gaúcha, as maiores reduções, em termos absolutos, ocorreram nos segmentos de: couro e calçados (7.470 vagas, -6,0%); veículos automotores (5.977 vagas, -10,8%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (3.160 vagas, -4,8%); máquinas e equipamentos (2.727 vagas, -3,9%); e metalurgia (1.439 vagas; -11,0%). Tais atividades, por constituírem segmentos tradicionais de peso para a economia do RS, integram importantes cadeias produtivas — como o complexo metalmecânico e o cluster coureiro-calçadista. Em contraponto, poucos segmentos da IT gaúcha expandiram seu número de empregos formais em 2014. Entre esses estão os de produtos alimentícios (4.736 vagas, 6,4%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (1.612 vagas, 14,3%).

Além do baixo crescimento, o RS, na comparação com outros estados da Federação, também vem perdendo participação no total de empregos da IT brasileira. Enquanto, em 2002, o Estado respondia por 10,3% dos empregos formais da IT brasileira, em 2014 passou para 8,7%.

Até dezembro de 2015, o quadro tenderá a agravar-se ainda mais. Conforme as últimas informações (janeiro a agosto) do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged-MTE), o número de trabalhadores demitidos no RS supera o de contratados em 43.863. Com exceção da administração pública, todos os setores registraram essa tendência. Na IT gaúcha, contabiliza-se um saldo de 17.098 trabalhadores demitidos. Desses, 11.418 (66,8%) atuavam nos segmentos de veículos automotores e no de máquinas e equipamentos. Poucas foram as atividades que registraram um saldo positivo de contratações. Entre elas, estão a de fumo (3.456 trabalhadores), a de alimentos (965 trabalhadores), a de calçados (758 trabalhadores) e a de produtos químicos (601 trabalhadores).

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