Onde está o potencial de inovação do Rio Grande do Sul?

O surgimento de novos produtos e processos no tecido produtivo de uma região é, cada vez mais, essencial para o bom desempenho de sua economia e para o desenvolvimento tecnológico no sentido do aprendizado e, consequentemente, da transmissão e da geração de conhecimentos. Portanto, o monitoramento das inovações em um território pode auxiliar não só no seu conhecimento, mas também no estabelecimento de políticas públicas para seu fomento. Contudo tal exame é de difícil realização prática, recorrendo-se, frequentemente, à análise do potencial de inovação existente.

Com isso em vista, procurou-se estabelecer, para o RS, a distribuição espacial da capacidade de inovar a partir de quatro aspectos: (a) pessoal envolvido em pesquisa e desenvolvimento (P&D) (pesquisadores e técnicos); (b) empresas de P&D; (c) empresas de serviços avançados (publicidade, laboratórios, tecnologia da informação (TI), etc.); e (d) estrutura produtiva com potencial inovador.

Como se pode observar na figura, esse estudo resultou em uma rede de cidades gaúchas com as melhores condições para a geração de inovações. A configuração decorrente mostra, claramente, a importância do eixo Porto Alegre—Caxias do Sul, com especial destaque para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), onde se distinguem, também, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Além desses, destacam-se os Municípios de Santa Cruz do Sul—Lajeado, de Santa Maria, de Passo Fundo, Ijuí, Erechim e Panambi no noroeste sul-rio-grandense e de Pelotas—Rio Grande.

Por outro lado, põe-se em evidência a região-problema, ou seja, aquela com mais dificuldades para o desenvolvimento de processos de inovação, que é parte da clássica Metade Sul do RS. Nesse espaço, a exceção é Bagé, que apresenta alguma capacidade de inovar.

De modo geral, as potencialidades inovadoras estão nas principais aglomerações urbanas gaúchas, o que segue uma tendência mundial de concentração das empresas e dos recursos humanos mais capazes de criar novidades na produção e/ou nos serviços à sociedade. No entanto, a reunião, em uma mesma região, desses elementos não é condição suficiente para o desenvolvimento científico e tecnológico. Nesse contexto, há a necessidade do esforço inovador das empresas, bem como de outros dois atores que possuem um papel imprescindível de apoio e de parceria. De um lado, colocam-se as universidades, através de suas funções de ensino, de pesquisa e de extensão, e, de outro, os Governos (municipal, estadual e/ou federal), como promotores, por meio de infraestruturas e de investimentos, das atividades de P&D.

Essa conjunção de agentes (empresa, universidade e Governo) remete à necessidade premente de os mesmos trabalharem em sistema, para aproveitarem melhor as especificidades de cada região. Assim, em várias partes do Estado, podem-se observar experiências de desenvolvimento em andamento. Destacam-se algumas iniciativas geradas em alguns dos principais parques científicos e/ou tecnológicos, como, por exemplo, no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), de Porto Alegre, no Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), de São Leopoldo, e no Parque Tecnológico do Vale do Sinos (Valetec), de Campo Bom, todos localizados na RMPA. Além desses experimentos consolidados, existem mais de uma dezena de parques de C&T em implantação, espalhados em várias localidades do Estado.

Por fim, ressaltam-se as seguintes potencialidades para inovação existentes no RS: recursos humanos em P&D, estabelecimentos de P&D e de serviços avançados, capacidade de inovação das empresas, rede de cidades com potencial de inovar, parques científicos e tecnológicos e instituições de ensino superior.

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Carta de Conjuntura – novembro – 2014 – Onde está o potencial de inovação do Rio Grande do Sul from Fundação de Economia e Estatística

 

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