O RS e o Censo de Capitais Estrangeiros

O Censo de Capitais Estrangeiros 2001 (data-base 2000), realizado pelo Banco Central, abrangeu 11.404 declarantes no País. Abarcaram-se as instituições receptoras de investimentos estrangeiros e as captadoras de créditos externos, além das detentoras de participação estrangeira indireta em seu capital, estabelecendo-se, como condição para inclusão no levantamento, que não-residentes tivessem 20% de participação (direta ou indireta) no capital total, ou 10% das ações, ou quotas com direito a voto. São consideradas “não-residentes” as entidades com domicílio ou sede no Exterior, incluídas multilaterais, governamentais ou privadas, e aquelas com mais de uma nacionalidade, mesmo que a brasileira seja uma delas.

Através dos resultados disponíveis para o Estado, constata-se que o endividamento geral dos declarantes era de R$ 18,8 bilhões, sendo R$ 7,2 bilhões para com os residentes e R$ 7,6 bilhões para com os não-residentes (não considerando os itens denominados outros passivos). Convertidos pelo dólar vigente ao final do ano 2000 (R$ 1,9554), a dívida com os não-residentes atingiu a cifra de, aproximadamente, US$ 3,9 bilhões, correspondendo a 1,65% da dívida externa total do País à época (US$ 236,2 bilhões).

Os juros totais pagos totalizaram R$ 672 milhões, e 39% desse total (R$ 262 milhões) foram pagos a não-residentes. Para o Brasil, o total de juros alcançou R$ 31,9 bilhões, e 44% (R$ 14,1 bilhões) corresponderam a juros pagos a não-residentes. Quanto aos lucros/dividendos pagos, o total para o RS foi de R$ 528 milhões, e 46% desse valor (R$ 241 milhões) foram pagos a não-residentes. Para o Brasil, o total pago foi de R$ 12,1 bilhões, dos quais 50% (R$ 6,0 bilhões) couberam aos não-residentes. O total de royalties pagos pelos declarantes do Estado foi de R$ 5,6 milhões, dos quais 99,8% para não-residentes. No Brasil, essa rubrica totalizou R$ 1,6 bilhão, dos quais 93% couberam aos não-residentes.

O número de empregados, no conjunto de declarantes localizados no Rio Grande do Sul, foi de, aproximadamente, 98 mil pessoas na média anual. Desse total, em torno de 78 mil localizavam-se em empresas com participação estrangeira majoritária. A relação entre o capital social integralizado e o número de trabalhadores, no Estado, foi pouco superior a R$ 145 mil por empregado. Para os declarantes de participação majoritária, essa relação foi de R$ 141 mil. No Brasil, essas razões atingiam R$ 206 mil e R$ 203 mil respectivamente. Esses menores patamares observados para o Rio Grande do Sul indicam uma maior intensidade de mão-de-obra nos estabelecimentos declarantes do Estado.

Merecem destaque os resultados que envolvem o comércio externo. No Estado, os declarantes tiveram um saldo de US$ 694 milhões (exportações de US$ 2,011 bilhões e importações de US$ 1,317 bilhão). Essas exportações correspondem a, aproximadamente, 35% do total das vendas externas do RS no ano 2000, as quais alcançaram US$ 5,780 bilhões. No País, o saldo comercial dos declarantes foi de US$ 1,697 bilhão (exportações de US$ 33,250 bilhões e importações de US$ 31,553 bilhões). No agregado nacional, a participação do capital estrangeiro no total das exportações é bem mais elevada, atingindo pouco mais de 60% das vendas ao Exterior, as quais totalizaram, naquele ano, US$ 55,086 bilhões. Constata-se, portanto, que, em contraste com o comportamento da economia do País, a maior parte das exportações gaúchas é composta de produtos oriundos de empresas nacionais.

O RS e o Censo de Capitais Estrangeiros

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