O Brasil e o futuro Presidente

O momento atual está a exigir do futuro Presidente a configuração de um novo entendimento nacional, a implantação de uma estratégia para enfrentar as adversidades de curto prazo e, após duas décadas de crescimento insuficiente, a congregação de esforços voltados à retomada da atividade econômica.

Os resultados do pleito de 27 de outubro evidenciaram a necessidade da formulação de um novo pacto, com prioridade no social por ocasião da definição dos seus objetivos e com a identificação dos atores políticos que irão dar sustentação ao novo Governo. A inclusão social, uma política de garantia de renda mínima e um programa de combate à fome sinalizam a vontade do Primeiro Mandatário, que pretende propor também novas políticas para a educação, a saúde e a assistência social.

Ao mesmo tempo, o futuro Presidente encontrará o processo de estabilidade sob pressão o IGP-M de outubro atingiu 3,87% , paralelamente à desvalorização do real. A inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, alcançou o patamar de 7,93% no mês de setembro. No acordo firmado pelo Governo brasileiro com o FMI, há metas firmadas cujo acompanhamento é monitorado pelas partes para fms de avaliação do próprio programa de estabilização posto em prática no País. Nesse sentido, as informações disponíveis até o mês de setembro evidenciam que as autoridades brasileiras atingiram as metas previstas de 8,0% de inflação e de R$ 41 bilhões de superávit primário, embora não ocorresse o mesmo no âmbito da dívida líquida do setor público consolidado, onde o Governo atingiu uma soma de RS 885,2 bilhões, contra um montante previsto de R$ 810 bilhões.

Para superar o ambiente de incerteza disseminado entre os credores externos, o Presidente FHC e o novo Mandatário optaram pela criação de uma equipe de transição, visando adequar os discursos às ações. Os resultados esperados poderão emergir em breve, dados o saldo de US$ 10,1 bilhões na balança comercial até outubro e o superávit primário nas contas públicas de RS 47,6 bilhões até setembro.

Ao ser empossado na Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva pretende reunir esforços para articular a governabilidade frente às aspirações da sociedade. Um novo contrato social e um modelo econômico alternativo que serão propostos implicam buscar sob a ação reguladora de um Estado eficiente, em primeiro lugar, o crescimento, o emprego e a inclusão de setores historicamente marginalizados; em segundo lugar, o desenvolvimento, a distribuição de renda e a estabilidade; e, por último, a infra-estrutura necessária e o desenvolvimento sustentável.

O Brasil e o futuro Presidente

Mais além, será imprescindível preservar o câmbio flutuante, avançar na agenda das reformas, buscar melhores condições para os novos contratos e definir uma política industrial que estimule a produção, viabilize o crédito e fixe a carga fiscal em níveis adequados. Complementado o cenário, o novo Presidente está comprometido com absorver contingentes maiores de trabalhadores na agricultura, na construção civil, na recuperação da infra-estrutura e no turismo.

À medida que a dívida líquida do setor público atingiu 63,9% do PIB em setembro, é preciso diminuir a vulnerabilidade externa para reduzir os juros. Lembre-se que é preciso ampliar o Mercosul para convivem com a globalização. Um desafio do tamanho do Brasil!

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