Mobiliário no RS: desempenho desfavorável

O indicador acumulado de produção física da indústria gaúcha do IBGE referente ao período jan.-set./02 registrou um crescimento de 3,7%, bem superior à taxa de 1,1% experimentada pela indústria nacional, refletindo o impacto positivo dos gêneros mecânica e fumo. Dentre as pressões negativas, destaca-se mobiliário, com a segunda pior taxa de crescimento (-9,5%) no conjunto dos gêneros pesquisados pelo IBGE, invertendo a performance positiva do ano anterior, quando cresceu 4,9%.

Outros indicadores do desempenho da indústria do mobiliário corroboram, em grande medida, os resultados acima apontados. A taxa de crescimento das vendas acumulada no período jan.-set./02 manteve-se praticamente no mesmo patamar do ano anterior, porém as compras (-3,4%), um indicador antecedente, e o nível de pessoal ocupado (-0,4%) apontam a existência de fatores que vêm dificultando o bom desempenho do setor.

Respondendo por cerca de 90% das vendas dessa indústria, o mercado interno desponta como o principal responsável pelo desempenho desfavorável em 2002. A deterioração do poder aquisitivo dos consumidores potenciais, os elevados reajustes nos insumos (de até 60% em alguns casos), além da falta de alguns deles no mercado, frustraram as estimativas de crescimento da produção.

Também as exportações vêm registrando uma performance aquém das previsões divulgadas no início do ano, tendo caído 4,8%. Esperava-se um aumento de até 20% nas vendas externas dos produtos do mobiliário, em comparação com 2001, o qual adviria da retomada das exportações para a Argentina, do crescimento das vendas para os Estados Unidos, da abertura de novos mercados e do aumento das vendas para mercados ainda pouco explorados pela indústria moveleira gaúcha.

As vendas para a Argentina em 2002 praticamente zeraram, sendo que, no final de outubro, ainda restava um débito de US$ 1,32 milhão da dívida de US$ 11 milhões das empresas argentinas com a indústria moveleira gaúcha, contraída em 2001. O problema é que, por uma questão de logística, aquele país representava o principal mercado para a indústria moveleira gaúcha até o ano passado. Atualmente, essa posição de liderança foi assumida pelos Estados Unidos, que, com um crescimento de 73,4%, compensou parcialmente a enorme queda das exportações para a Argentina.

Entretanto, apesar desse desempenho desfavorável do comércio externo, o setor moveleiro gaúcho possui grande potencial de crescimento no segmento exportador, que pode ser explorado face ao estreitamento do mercado interno. As empresas continuam alterando a sua linha produtiva, investindo em novos produtos com maior valor agregado, design mais apurado e qualidade garantida por meio de certificação, para aumentar sua competitividade no mercado internacional. Destaca-se o esforço em superar as deficiências ainda existentes na área de design, as quais têm sido consideradas o ponto mais vulnerável da indústria moveleira nacional, assim como em conseguir o melhor aproveitamento de matérias-primas alternativas e de diferentes espécies de madeiras.

Mobiliário no RS desempenho desfavorável

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