Evolução da taxa de atendimento da demanda por vagas no ensino superior

O acesso ao ensino superior é de fundamental importância por permitir o aumento da formação da mão de obra altamente qualificada, além de ser uma estratégia para elevar os ganhos do rendimento do trabalho. Pesquisas demonstram os impactos positivos sobre a remuneração da mão de obra de se possuir um diploma de nível superior. No relatório Education at a Glance (p. 150), publicado pela Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2011, constatou-se que, no Brasil, um portador de curso superior pode conseguir um aumento de, aproximadamente, 156% no seu salário relativamente a um trabalhador que possui apenas o ensino médio.

Para mensurar em que medida a oferta de vagas no ensino superior, no RS, atende à demanda, um indicador que pode ser utilizado é a taxa de atendimento da demanda por vagas (TADV), definida como o quociente entre o número de vagas no ensino superior (oferta) e o número total de inscritos (demanda). Taxas inferiores a 100% indicam que existe excesso de demanda. Um fato importante no cálculo desse indicador é a eventual sobreposição de inscrições. Essa situação ocorre quando um mesmo candidato se inscreve em instituições de ensino superior (IES) distintas, o que poderia levar à subestimação dos resultados. Assim, a análise deve considerar essa limitação relativa ao indicador.

A tabela informa a TADV nas IES por categoria administrativa, para os anos de 1991 e 2013, no Rio Grande do Sul e no Brasil. A TADV das IES federais do RS caiu aproximadamente pela metade no período, diminuindo de 14,2% em 1991 para apenas 7,0% em 2013. Esta última taxa indica que, nesse ano, de cada 100 candidatos inscritos para as IES federais gaúchas, a oferta foi de sete vagas nessas instituições. A razão para essa queda foi o crescimento muito maior, no período, da demanda (543,1%) em relação ao aumento da oferta (214,5%). Esse excesso de demanda por vagas nas federais deve-se à gratuidade e à qualidade do ensino nessas IES, que, geralmente, têm os cursos mais bem avaliados pelo Ministério da Educação (MEC). Fenômeno idêntico ocorreu com a TADV das federais em nível nacional, que apresentou queda no período (-61,9%) e se reduziu para 5% em 2013.

No caso da TADV das IES privadas gaúchas, houve expressivo crescimento ao longo do período (71,1%), semelhantemente ao que ocorreu em nível nacional (68,8%). Isso pode ser explicado graças aos investimentos privados no ensino superior, aos recursos do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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