Estrangulamentos, déficits e riscos do setor elétrico brasileiro em 2010 e 2011

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) cria um fato político, isso é inegável, pois ele envolve grande quantia de recursos para investimentos nos próximos anos. Dos seus R$ 503,9 bilhões em investimentos entre 2007 e 2010, 54,5% estão previstos para o setor energético, sendo R$ 78,4 bilhões para o setor elétrico. Dado esse quadro, a pergunta que se impõe é: o sistema elétrico corre risco de desabastecimento no período?

Em recente artigo publicado pelo IPEA, os autores estimam que o risco de desabastecimento deve saltar de 4,5% para 10,0% nos anos de 2010 e 2011, enquanto, para o Instituto Acende Brasil, o risco é de 8% a 14%. Em ambos os casos, a estimativa de risco é substancialmente superior ao limite de 5% admitido pela Operadora Nacional do Sistema. Tomando como base estudos anteriores, que estimam um crescimento do PIB de 4,2% a.a., e considerando uma elasticidade-renda da energia elétrica de 1,23, calcula-se um déficit de abastecimento de 9,7% e 14,3% para os mesmos anos. Utilizando-se a elasticidade-renda de 1,3 adotada pelo PAC, os déficits sobem de 10,9% para 16,0%.

Contribuem para essa composição a baixa agregação de usinas hídricas e a dificuldade de abastecer as térmicas a gás natural. Alternativamente, e na contramão, poderão ser mobilizadas as termelétricas a óleo combustível, a diesel ou a carvão mineral, com altos custos operacionais e ambientais.

No leito de uma possível crise na economia norte-americana, uma redução significativa na taxa de crescimento do PIB brasileiro poderá evitar o desabastecimento do setor, à custa de altos níveis de desemprego.

Estrangulamentos, déficits e riscos do setor elétrico brasileiro em 2010 e 2011

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