Estado e capital estrangeiro no etanol brasileiro

A indústria do biocombustível passa por uma fase de crescimento acelerado, acompanhada de um rápido e profundo processo de centralização e concentração do patrimônio das empresas e da produção do setor. Nessa reestruturação, o capital estrangeiro (empresas e fundos de investimentos internacionais) tem tido um papel determinante, levando também a uma acelerada internacionalização de toda cadeia sucroalcooleira

A agressividade do capital internacional em um setor estratégico só teve recentemente uma resposta por parte do Governo brasileiro, através do BNDES e da Petrobrás. A chegada das grandes petroleiras internacionais – a British Petroleum (BP) a Petróleo de Venezuela S/A (PDVSA) –
e o interesse da Royal Dutch Shell no álcool brasileiro parecem ter despertado a Petrobrás, induzindo-a a seguir o movimento das concorrentes.

O envolvimento do BNDES, por sua vez, pode ser entendido, diferentemente, como fazendo parte de uma estratégia de apoiar a estruturação e o desenvolvimento de um setor na área de energia, o qual não deveria tornar-se área exclusiva de atuação do capital estrangeiro. As ações conduzidas pelo Banco vão no sentido de aumentar as escalas de operação das empresas, incentivando o movimento de fusões entre os grupos nacionais, tornando-se sócio dos mesmos e financiando seus projetos de expansão. As empresas, assim robustecidas, estariam em melhores condições para se associarem a grupos internacionais.

Ainda é cedo para avaliar o tamanho do impacto da crise financeira deste setembro de 2008 sobre o crescimento do setor. Contudo ele se verá afetado, considerando-se, simplesmente, o papel do capital de risco internacional nos novos investimentos.

Estado e capital estrangeiro no etanol brasileiro

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