Emprego formal: o saldo do ano de 2006

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apurou, no período jan.-nov./06, um crescimento de 5,9% no nível do emprego celetista no Brasil, com a criação de 1.546.179 postos de trabalho, um saldo, entre admitidos e desligados, superior ao do mesmo período do ano anterior (1.540.700 postos). No mês de novembro de 2006, foram geradas 32.579 oportunidades com carteira assinada, um resultado inferior ao do mêsanterior (129.795), mas superior ao de novembro do ano passado (13.831).

O setor serviços foi o que “puxou” a expansão nesses 11 meses de 2006, responsável por 38,1% dos novos postos, seguido pela indústria de transformação (23,6%), pelo comércio (20,6%) e pela construção civil (7,9%). Este último setor se destaca com a maior taxa de crescimento do emprego formal (10,4%), o que pode ser creditado às medidas de desoneração tributária (que reduziram e até mesmo zeraram o IPI para 25 itens da construção civil), ao crédito habitacional e ao aumento da segurança jurídica para contratos de financiamento de longo prazo. A agricultura aparece com a segunda maior taxa (9,0%), enquanto a indústria de transformação, o comércio e serviços ficam em torno da média do agregado, 5,7%. Cabe ainda um registro para a indústria extrativa mineral, com uma taxa de 8,5%, possivelmente em razão do crescimento da produção e das exportações de petróleo.

O Rio Grande do Sul figura entre os estados que tiveram as taxas de crescimento do emprego celetista mais baixas no período jan.-nov./06 (3,6%), contudo começou a dar sinais de reação nos últimos meses, atingindo uma taxa de incremento de 0,9% em novembro frente a outubro (saldo de 17.322), aparecendo como o segundo estado em termos de geração de postos, em novembro.

No plano estadual, também foi o setor serviços o responsável pela maior parcela das vagas abertas nesses 11 meses (39,8%), seguido pelo comércio (25,3%). As maiores taxas de crescimento ocorreram em setores de pouco significado para o emprego formal; os mais expressivos, como serviços, comércio e indústria de transformação, tiveram taxas de 4%, 4,2% e 2,4% respectivamente, sendo que este último exibiu o pior desempenho, reflexo da valorização cambial que atingiu o setor exportador — sobretudo calçados — e da situação de forte endividamento dos produtores rurais, com dificuldades para investimento em máquinas. O único dado negativo ocorreu no interior da indústria de transformação, justamente no segmento calçados, que fechou 2.283 vagas de janeiro a novembro de 2006

Os trabalhadores de escassa escolaridade foram os mais atingidos pela seletividade do mercado de trabalho formal. A maior parte dos postos acrescidos no ano em curso localizou-se nas faixas de escolaridade mais altas, notadamente na do ensino médio completo, que concentrou 54,8% das vagas geradas no Brasil e 58,3% no RS. As faixas inferiores — até a quarta série completa — tiveram as menores participações, com 5,2% do saldo no País, enquanto, no RS, suprimiram-se vagas nessas faixas.

Todavia, ao se confrontarem os últimos dois anos, observa-se um movimento que sinaliza uma outra direção. O cálculo da diferença entre as taxas de variação dos admitidos e as dos desligados em cada faixa de escolaridade, nos 11 meses de 2006 frente ao mesmo período de 2005, mostrou resultados negativos nas faixas de escolaridade mais avançadas (a partir da oitava série completa, no caso do Brasil, e a partir do ensino médio completo, no caso do RS) e positivos nas faixas mais baixas. Isso mostra que o dinamismo das contratações foi maior nos estratos inferiores, o que, dependendo da evolução nos próximos anos, pode ir de encontro a uma comprovada tendência do mercado de trabalho de favorecer as pessoas mais escolarizadas.

Emprego formal o saldo do ano de 2006

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