Economia brasileira: riscos e oportunidades

Medida pela relação despesas correntes/receitas correntes (DC/RC) da balança brasileira de pagamentos (gráfico), a fragilidade financeira externa (FFE) do Brasil vem-se elevando desde o terceiro trimestre de 2007. O movimento ascensional da FFE resulta, sobretudo, da combinação da intensidade da expansão do PIB e da elevada elasticidade-renda das importações da economia brasileira. Assim, mantidos o atual patamar de valorização do real e a velocidade do crescimento brasileiro dos últimos quatro anos (entre 3,5% e 5,5% a.a.), a fragilidade financeira externa do Brasil elevar-se-á em muito, ainda que sejam preservados os níveis de dinamismo da economia internacional observados entre 2003 e 2007. Nesse caso, no primeiro trimestre de 2011, a FFE alcançaria dimensão próxima daquela registrada entre 1997 e 1999. Isso acontecendo, assim como no passado, o País debater-se-á com grande dificuldade para financiar suas contas externas, comprometendo o crescimento econômico futuro. Piorando a situação do porvir, a hoje provável deterioração da conjuntura econômica internacional, se efetiva, trará dificuldades ainda maiores para a conservação do crescimento da economia nacional.

No entanto, os fatos destacados não dão conta das oportunidades de que hoje dispõe o Brasil e que apontam na direção da obtenção de certa abundância de recursos externos. Em parte, as mesmas oportunidades relacionam-se à ação pública e/ou privada e, em parte, provêm da mera fortuna. Com graus variados de importância, elas dizem respeito à maturação dos projetos atinentes à nova política industrial, ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), às possibilidades referentes à produção de alimentos, de etanol e de petróleo, este último na camada pré-sal no litoral brasileiro, e, por último, ao recentemente alcançado investment grade. Todas elas sugerem um mais elevado grau de liberdade para promover o desenvolvimento duradouro da economia e da sociedade brasileiras.

Deve-se, contudo, destacar, que a abundância de recursos externos possibilita, mas não garante, maior crescimento econômico. Para garanti-lo, é necessária uma estratégia de longo prazo, capaz de promovê-lo. Além de controlar a inflação, a estratégia tem que resultar em volumes adequados de investimentos públicos e privados, incluídos aí os gastos em geração e absorção de novas tecnologias. Mais, para que o crescimento tenha significado social, é necessário também que os interesses gerais da população sejam atendidos, ainda que de maneira progressiva.

Mantida a prevalência quase absoluta do objetivo de controlar a inflação através de exacerbadas taxas internas de juros, a abundância de recursos externos provavelmente redundará em valorização cambial ainda maior do que a que hoje prevalece. Nesse caso, serão muito menores a expansão da produção, do emprego, da capacidade produtiva, da competitividade internacional dos produtos brasileiros e, é claro, dos serviços oferecidos à população. Trata-se de uma questão de escolha política que cabe à sociedade brasileira.

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