Crescimento insuficiente da ocupação provoca elevação do desemprego

As informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) mostram
que a taxa de desemprego vem se acelerando durante o ano 2003, mantendo-se acima da observada para os mesmos
meses de 2002 a partir de abril. Esse comportamento reflete o desempenho da economia, que, segundo vários indicadores, mostra uma desaceleração da atividade, principalmente das atividades urbanas.

A economia da Região precisa gerar determinado número de empregos apenas para atender ao incremento da População em Idade Ativa (PIA), que cresceu a uma taxa média em torno de 2,0% nos últimos 10 anos. Além disso, existem variações na proporção de indivíduos em idade ativa que participam do mercado de trabalho, dependendo de conjunturas diversas. Assim, em conjunturas de crescimento do desemprego ou de retração expressiva dos rendimentos, existe uma pressão adicional sobre o mercado de trabalho da RMPA. Essa pressão adicional decorre do fato de que vários membros de uma família passam a procurar ocupação quando um indivíduo responsável por parcela significativa da renda familiar perde o emprego ou sofre expressiva diminuição de renda.

Esse fato pode ser observado entre 1997 e 1999, quando a taxa de desemprego aumentou de 13,4% da População Economicamente Ativa (PEA) para 19,0%, e a taxa de participação (parcela da PIA efetivamente engajada no mercado de trabalho, como ocupada ou desempregada) passou de 54,0% para 58,3%.

Em 2003, tem-se a conjugação dos dois fatores capazes de elevar a pressão sobre o mercado de trabalho. A taxa de
desemprego total vem mostrando elevação, tendo alcançado 17,7% da PEA em julho de 2003 frente aos 15,9% registrados no mesmo mês do ano anterior. Adicionalmente, ocorreu forte retração do rendimento médio real dos ocupados na Região nos últimos 12 meses, tendo alcançado R$ 777,00 em junho de 2003, um valor 12,9% menor do que o registrado 12 meses antes.

Considerando-se as informações de julho de 2003, percebe-se que, apenas para manter a mesma taxa de desemprego  de julho de 2002 na RMPA, deveriam ter sido criados 46 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses. Na medida em que foram gerados apenas 13 mil postos, a taxa de desemprego total aumentou de 15,9% da PEA para 17,7%. Desses 46 mil postos, 18 mil seriam necessários apenas para atender ao aumento da taxa de participação.

O baixo crescimento da ocupação da Região Metropolitana de Porto Alegre observado entre julho de 2002 e julho de
2003 deveu-se, fundamentalmente, à redução de 9 mil postos de trabalho na indústria de transformação, uma vez que os demais setores de atividade econômica mostraram elevação.

Considerando as formas de inserção dos ocupados no mercado de trabalho, percebe-se que, nos últimos 12 meses
até julho de 2003, ocorreu forte crescimento da ocupação para os autônomos e, em menor escala, para os empregados domésticos, observando-se redução no emprego assalariado tanto no setor público quanto no setor privado.

Crescimento insuficiente da ocupação provoca

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