Avanço do desemprego e queda na renda do trabalho em 2003

O arrocho da política econômica no primeiro ano do Governo Lula repercutiu negativamente no mercado de trabalho, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) recentemente divulgada. No RS, a renda real do trabalhador caiu, em média, 6,0% em relação a 2002, quando, no País, a queda foi maior, 7,3%. O rendimento médio real do trabalho em 2003 situou-se em R$ 740,28 no RS e em R$ 689,27 no Brasil. Cabe ressaltar que, embora os rendimentos apresentem queda desde 1997, esses patamares de variação ainda não haviam sido registrados. A taxa de desemprego, que tem sido maior no Brasil do que no Estado, elevou-se, no RS, de 6,7% em 2002 para 7,1% em 2003, atingindo em torno de 390 mil pessoas, enquanto, no âmbito nacional, passou de 9,2% para 9,7%, atingindo aproximadamente 8,5 milhões de pessoas.

Não obstante, incorporou-se massa de trabalhadores ao universo dos ocupados. O nível de ocupação experimentou uma elevação de 2,1% no RS e de 1,4% no Brasil, entre 2002 e 2003. Nesse movimento, chama atenção o incremento no contingente de trabalhadores com carteira assinada vis-à-vis ao verificado para o contingente dos empregados sem carteira: o primeiro cresceu 2,9% no RS e 3,4% no Brasil, ao passo que o estoque dos sem carteira cresceu quase nada no RS (0,3%) e caiu 2,3% no Brasil. Mesmo que a participação relativa dos empregados com vínculos legais na estrutura da ocupação, entre 2002 e 2003, pouco tenha se alterado (30,3% para 30,5% no RS e 29,3% para 29,9% no Brasil), esse diferencial de comportamento deve ser registrado como um dado positivo nesse quadro de deterioração das condições gerais do mercado de trabalho.

Avanço do desemprego

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