Aspectos da mortalidade por causas externas no RS em 2014

Dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) obtidos no portal do DATASUS do Ministério da Saúde indicam que ocorreram 82.166 óbitos no Estado em 2014, sendo as doenças do aparelho circulatório a principal causa de morte, com participação de 28,0%. A seguir vêm as neoplasias (21,6% dos óbitos) e as doenças do aparelho respiratório (12,3%). Na quarta posição está o grupo das causas externas, ou seja, os óbitos violentos (homicídios, acidentes de transporte, suicídios, quedas, afogamentos, etc.), com participação de 9,7% (7.963 óbitos). Quase 80% desses óbitos ocorreram entre a população masculina, representando a terceira causa de morte dos homens. Já para as mulheres, esse grupo de causas ocupou a sétima colocação (1.603 óbitos) em 2014. De fato, o nível de mortalidade dos homens devido a causas externas é cerca de quatro vezes o das mulheres, de maneira que a probabilidade de morte devido a essas causas, em 2014, foi de 117 por 100.000 para os homens, ao passo que para as mulheres foi de 28 por 100.000.

Uma análise mais detalhada da mortalidade por causas externas, que representam óbitos passíveis de prevenção, é decisiva para a elaboração de políticas públicas. A observação por faixa etária indica que a mortalidade por causas externas é o principal motivo de morte entre os homens gaúchos para as idades de um a 49 anos, o que representa cerca de 80% dos óbitos que ocorreram entre os jovens de 15 a 29 anos, indicando que um terço dos óbitos por causas externas se concentraram nessa faixa etária. Para as mulheres, os óbitos por causas externas ocorreram de maneira menos concentrada por faixas etárias, com percentuais que variam em torno de 10% entre as idades de 20 a 79 anos, destacando-se, porém, uma incidência maior entre aquelas com 80 anos ou mais, que apresentaram participação de 22% dos óbitos.

A desagregação do grupo das causas externas de morte por suas principais categorias revela que os homicídios foram os maiores responsáveis por óbitos (34%); os acidentes de transporte foram a segunda mais importante (26%); os suicídios ocupam a terceira colocação (14%); e as quedas estão em quarto lugar (10%). A distribuição das três principais causas de óbitos por causas externas para os homens indicam essa mesma ordem e magnitude, porém, para eles, as quedas passaram para o quinto lugar, representando 6% das mortes. Para a população feminina, acidentes de trânsito ocupam a primeira posição (27% dos óbitos), enquanto as quedas foram a segunda principal categoria (25%). Homicídios tiveram participação de 16%; e suicídios foram a quarta causa, representando 15% dos óbitos entre as mulheres.

Para os homens de 15 a 19 anos, verifica-se que 54% dos óbitos por causas externas decorreram de homicídios; 23% de acidentes de trânsito; 8% correspondem a suicídios; e 7%, a afogamentos. Na faixa etária de 20 a 29 anos, também os homicídios e os acidentes de trânsito estão nas primeiras colocações (59% e 24%), sendo que os suicídios figuram como a terceira principal categoria (9%). O gráfico revela que, para aqueles de 10 a 49 anos, os homicídios estão na primeira posição. Entre a população de 50 a 69 anos, novamente os acidentes de trânsito foram a principal categoria, sendo que, para a população a partir de 70 anos, as quedas representaram a principal causa entre os óbitos dos homens. Para o sexo feminino, verifica-se que entre as causas analisadas, os acidentes de trânsito estão nos primeiros lugares em todas as faixas etárias, exceto na de 30 a 39 anos, onde homicídios superaram o número de acidentes de trânsito, e a partir dos 70 anos, quando as quedas têm uma proporção muito maior, com o destaque para os 274 óbitos entre aquelas com 80 anos ou mais (77% dos óbitos por causas externas nessa faixa etária).

Essa alta incidência de mortes violentas entre homens jovens é um dos fatores que mais contribuiu para o diferencial na expectativa de vida ao nascer entre mulheres e homens no Estado, que é de cerca de sete anos, segundo estimativas do IBGE para 2014. Além disso, um alerta deve ser dado a um dos acontecimentos mais comuns entre os idosos: a ocorrência de quedas. Esse fato se torna mais preocupante ainda com o crescente envelhecimento da população gaúcha: estimativas do IBGE indicam que 10% da população em 2014 tinham 65 anos ou mais, sendo que esse percentual deve crescer para 18% em 2030, representando um incremento populacional de quase um milhão de pessoas.grafico-do-drope-1

 

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