As perdas das exportações gaúchas com a suspensão das vendas para a China

A concentração dos contratos de exportação de soja em grão para a China nos primeiros meses de 2004 fez com que o Rio Grande do Sul fosse o estado mais atingido pelas restrições estabelecidas por aquele país com relação à soja brasileira, a partir de maio. De janeiro a julho de 2004, as exportações gaúchas de soja em grão para a China representaram em torno de 70% do total exportado do grão pelo Estado. A versão chinesa para as restrições decorreria do fato de terem sido encontrados grãos com vestígios de fungicidas — usados para o tratamento de grãos a serem utilizados para o plantio — misturados ao produto oriundo do Brasil, tornando-o impróprio para consumo. Outra explicação seria que os embargos à soja brasileira decorreriam das recentes restrições creditícias naquele país, que, ao encarecerem e limitarem a obtenção de capital de giro pelas empresas, estariam ou comprometendo as margens de lucro das indústrias esmagadoras chinesas ou restringindo a escala de funcionamento das mesmas.

Nos meses anteriores à deflagração da crise, chegou-se a ter um mês em que a totalidade das exportações gaúchas de soja em grão teve a China como destino. A configuração da crise, num primeiro momento, com os navios carregados de soja, oriundos do Rio Grande do Sul, sendo proibidos de descarregar nos portos chineses e a subseqüente suspensão dos embarques para aquele país no porto de Rio Grande, praticamente paralisou as exportações gaúchas de soja em grão em junho. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio (Secex), os efeitos dessa crise para o Estado só ficaram bem claros no mês de julho: enquanto a quantidade
média exportada pelo Rio Grande do Sul para a China, nos seis primeiros meses de 2004, foi de 151 mil toneladas por mês, esse volume caiu, no mês de julho, para apenas 500 toneladas. Em termos de perda de receita para o Estado, tem-se que, no primeiro semestre de 2004, o volume de soja vendido para a China rendia, em média, US$ 43 milhões mensais. Em julho, a receita obtida com essas exportações caiu para US$ 155 mil.

Além dessas perdas, a concentração dos negócios do Rio Grande do Sul com a China acabou por dificultar, frente à crise instalada com aquele país, a colocação da soja gaúcha em outros mercados. Mesmo assim, os dados relativos ao mês de julho já refletem a estratégia dos exportadores do Estado de procura de novos mercados para compensar a redução das vendas do grão para a China. Em julho, foram enviadas 78 mil toneladas para a Tailândia, 59 mil para a Holanda e pouco mais de 5 mil toneladas para o Egito, países estes que ou não compravam soja do Rio Grande do Sul, ou importavam do Estado quantidades pouco significativas. Apesar dessas vendas, o total mensal exportado pelo Estado ficou em menos da metade do total exportado nos meses anteriores.

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