As exportações gaúchas no primeiro semestre

Entre janeiro e junho de 2009, o RS exportou aproximadamente US$ 6,7 bilhões, um valor 19,3% menor que o do mesmo período do ano passado. Essa variação negativa, apesar de ruim, ainda é melhor que a obtida pelo Brasil como um todo, onde a redução foi de 22,8% para o mesmo período, e também melhor que a dos prognósticos para o comércio internacional, que apontam, para o ano cheio, uma redução, em dólares, de 25%. A tendência é essas diferenças se manterem, pelo menos aquela do Estado em relação à do comércio mundial de mercadorias. Por que isso?

Primeiro, porque o RS tem uma pauta exportadora onde é expressivo o peso de produtos de menor valor agregado, e, na atual crise internacional, esses produtos vêm apresentando uma redução de comércio inferior àquela dos produtos de maior valor agregado. Além disso, porque, de uma maneira geral, as regiões do mundo que estão sentindo menos os reflexos da crise são justamente as que demandam do Estado mercadorias de menor valor agregado. Por isso, o RS teve mais facilidades de colocar no mercado externo produtos como soja em grão, fumo e arroz, do que calçados, móveis, carrocerias e, principalmente, máquinas e aparelhos agrícolas. Mas houve exceções dos dois lados: em termos percentuais, dentre as principais mercadorias com menor valor agregado, as vendas externas de carnes e, principalmente, couros caíram mais que o total do Estado e, dentre aquelas com maior valor agregado, cabe destacar-se o crescimento nas vendas externas de armas leves.

A tabela mostra uma seleção de seis blocos econômicos. Juntos, eles absorveram 77% das vendas externas do RS no período considerado. Observe-se que as maiores reduções foram no comércio com o Mercosul (-31,2%), com o Nafta (-30,8%) e com o resto da América do Sul (-27,7%). Por outro lado, aumentaram as vendas para a China em 38,0%, enquanto houve decréscimos menores nas exportações para a União Europeia e para a Liga Árabe, de -15,8% e -17,7% respectivamente.

O Mercosul, o Nafta e o resto da América Latina são mercados para os quais o Estado vende, proporcionalmente, produtos de maior valor agregado. Nessas regiões, os dois maiores parceiros comerciais estão em situação delicada: os Estados Unidos foram o epicentro da crise internacional, e a Argentina, além dos fatores externos, atravessou recentemente uma das piores estiagens de sua história. Dentre os demais países da América Latina, destaque-se a redução nas vendas para o México, para o Chile e para a Venezuela. Isto devido ao fato de que, por um lado, a crise norte-americana arrastou a economia mexicana, e, por outro, as quedas nas exportações de cobre, no caso do Chile, e do petróleo, no caso da Venezuela, reduziram a capacidade de compra desses países. Dessas economias, o México certamente terá taxa negativa de crescimento em 2009, ao passo que, para a Argentina e a Venezuela, as estimativas apontam, na melhor das hipóteses, taxas de crescimento próximas a zero.

Não é exatamente o mesmo que ocorre com os outros três blocos citados abaixo. A China, grande demandante de soja em grão, cresceu 7% neste primeiro semestre, e o Governo projeta 8% de crescimento anual. Para a Liga Árabe, a previsão é de um crescimento do PIB, em 2009, da ordem de 3% a 3,5%. Grande compradora de carne de frango, essa região até aumentou a quantidade demandada, mas a redução no preço internacional dessa mercadoria resultou numa redução do valor. A União Europeia, principal mercado do RS, sintetiza duas tendências opostas: deverá fechar o ano com crescimento abaixo de zero, mas suas importações de commodities agrícolas provavelmente não cairão na mesma proporção das compras externas dos produtos industrializados, o que, em termos relativos, prejudica menos o RS.

As exportações gaúchas no primeiro

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