As commodities e o sucesso exportador brasileiro

Na década de 90, as relações comerciais do Brasil com o exterior passaram por grandes transformações, num esforço de promover a abertura da economia e integrá-la rapidamente ao mercado internacional.

A liberalização do comércio exterior e, mais tarde, a administração da política cambial, na primeira fase do Plano Real (1994-99) — que levou à sobrevalorização da moeda brasileira —, conduziram à inserção da economia do País no mercado mundial, sobretudo como importadora de mercadorias. Foi somente após a desvalorização do real, em 1999, aliada a condições especialmente favoráveis do mercado internacional de commodities e quando se completava a concentração do comércio exterior brasileiro em mãos das empresas multinacionais organizadas em redes mundiais, que as exportações se tornaram o fator dinâmico da integração.

O grau de abertura da economia brasileira ao comércio internacional, considerando a relação das exportações e das importações com o PIB, que se manteve relativamente estável nos 10 anos que se seguiram à liberalização comercial, permanecendo ao redor de 13% e 14%, após 1999 deu um grande salto, alcançando 26% em 2004.

Para o sucesso exportador, contribuíram estrategicamente os produtos básicos, isto é, não industrializados, que mostraram uma participação crescente na pauta de exportações, de 23% para 30%, entre 2000 e 2004. Tal melhoria de posição fez-se às custas, principalmente, dos produtos semimanufaturados, mas também dos manufaturados. Em outras palavras, a economia caminhou no sentido de exportar relativamente mais matérias-primas brutas, sem qualquer grau de elaboração. Com isso, interrompeu-se o movimento de mudança em benefício dos bens manufaturados, tendência que se vinha manifestando desde, pelo menos, 1950. A estrutura da pauta de exportações em 2004 assemelha-se à de 1986 quanto à distribuição entre manufaturados e não-manufaturados. Vale lembrar que, nos manufaturados, estão incluídos produtos de cadeias agrícolas, combustíveis e minerais, como sucos de laranja congelados, derivados de petróleo, carnes bovinas, madeiras compensadas, álcool etílico e algumas classes de minério de ferro considerados commodities.

Os últimos dados a respeito da balança de comércio relativos a jan.-jul./05 estão sendo interpretados como refletindo modificações estruturais da pauta em favor dos manufaturados. No entanto, é preciso ter cautela nas conclusões, uma vez que a safra de soja 2004/05 foi grandemente prejudicada por fatores climáticos, comprometendo as exportações de um complexo que despontava como o primeiro colocado no ranking dos maiores setores, em termos de valor exportado.

A pauta de exportações do Brasil caracteriza-se hoje e, ao que tudo indica, por um tempo indeterminado por uma participação ainda alta de commodities associadas às atividades agrícolas e extrativo-minerais, envolvendo uma parte importante do valor e uma enorme concentração em termos das quantidades vendidas ao exterior.

As commodities e o sucesso exportador brasileiro

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