A taxa de juros e o crescimento econômico

Em 20 de fevereiro último, o Conselho de Política Monetária (Copom) reduziu sua meta para a taxa de juros Selic de 19% a.a. para 18,75% a.a. A redução, quebrando prolongada estabilidade da referida meta, corroborou difundidas previsões de descendente trajetória dos juros internos e de aceleração do Produto Interno Bruto.

A queda dos juros e a aceleração do produto são condições necessárias à contenção do renitente incremento da relação dívida pública/PIB, a qual, em janeiro deste ano, atingiu 55% do PIB do País. Não contido, o mesmo incremento acabará por esgotar a confiança depositada na atual política econômica, gerando instabilidade monetária e cambial e abortando o crescimento prevalecente.

No entanto, deve-se ter presente que, quando verificada, a aceleração do PIB brasileiro tem resultado, com defasagem de aproximadamente meio ano, em substantiva expansão dos déficits em transações correntes do País. A expansão dos déficits externos, por sua vez, tem redundado em quase imediata desvalorização da moeda nacional e em crescimento da dívida pública. Para conter os déficits externos impulsionadores do endividamento estatal, as autoridades têm se visto obrigadas a elevar os juros e a desacelerar a economia.

Pelo exposto, causou estranheza a recente afirmação de Armínio Fraga, Presidente do Banco Central do Brasil, de acordo com a qual o País já pode voltar a crescer como nos anos 70.

A taxa de juros e o crescimento econômico

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