A situação do crédito imobiliário no Brasil

A concessão de crédito imobiliário no Brasil tem mostrado forte evolução desde 2004. Nesse ano, a relação crédito imobiliário/PIB era de 1,3% e, em fevereiro de 2012, passou para 5,1%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP). Considerando, especificamente, a evolução do total de crédito no segmento habitacional, verifica-se que o mesmo cresceu, em média, no período 2009-11, a taxas de 39% ao ano, contra 9,6% no período 2004-08.

Hoje, o grande desafio do setor é manter os níveis de crescimento elevados, em meio a um cenário de novas regras para a remuneração da caderneta de poupança — que se mantém como a principal fonte de financiamento — e à necessidade de se criar novos instrumentos financeiros para o fornecimento de crédito.

O volume de financiamento habitacional precisa crescer para se aproximar de outros países, como México e Chile, na América Latina, que apresentam relação entre crédito habitacional e PIB de, respectivamente, 11,2% e 18,5%, e de emergentes, como Índia e China, de 6,0% e 10,9%, na ordem. Nos Estados Unidos da América, a relação é de 81,0%.

Em março de 2012, a carteira de crédito habitacional somava R$ 216,9 bilhões. Esse montante é 10,5% de todo o crédito concedido pelo sistema financeiro. Após apresentar um crescimento de 67,0% em 2010 e de 34% em 2011, o setor originou R$ 26 bilhões em financiamento imobiliário, no primeiro trimestre de 2012, volume este que considera os dois principais fundings dessa modalidade: o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a caderneta de poupança. Esse montante é superior em 9,6% ao do primeiro trimestre de 2011.

Outra modalidade de crédito que vem crescendo é o consórcio. Em abril de 2012, somava 643.000 participantes, número 8,6% maior do que no mesmo mês de 2011.

Também é importante, nesse momento de mudanças nas economias externa e interna, avaliar fontes de recursos alternativas do mercado imobiliário, que podem até mesmo ser interessantes como investimentos.

Hoje, há produtos financeiros lastreados em ativos desse setor, como, por exemplo, os Certificados de Recebíveis Imobiliário (CRIs), os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e as Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI).

Pelos números de emissões e estoque, o mercado desses títulos mostra-se aquecido. De 2010 para 2011, por exemplo, o volume de emissões de CRIs apresentou uma alta superior a 70,0%, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na realidade, o setor habitacional, no período pós 2008, tem sustentado o crescimento do crédito no Brasil. Essa expansão é fruto de uma demanda reprimida e de políticas anticíclicas do Governo.

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