A resistência do emprego formal e o baixo crescimento econômico

A economia brasileira parece viver uma contradição evidenciada pelo descolamento entre o comportamento da atividade econômica e o do mercado de trabalho. Enquanto o crescimento do PIB no Brasil foi de 2,7% no ano passado e de 0,7% no acumulado de 2012 até setembro frente a igual período de 2011, o emprego formal cresceu 5,5% em 2011 e 4,5% em 2012 até outubro. Embora o desempenho recente do mercado de trabalho já apresente uma significativa inflexão em relação a 2010, ano recorde na geração de empregos formais no País, está bem acima do que se esperaria em umaconjuntura de acentuada desaceleração da atividade econômica. Mesmo que a geração líquida de postos de trabalho em 2012 (1.688.845) seja o segundo pior resultado desde 2006, o número ainda é promissor. O resultado do mês de outubro desse ano, no entanto, já desperta preocupação, com um saldo apenas 0,2% maior do que o de setembro equase 50% menor do que o do mesmo mês do ano anterior, observando-se expansão do emprego em relação ao mês anterior em três setores — Comércio, Serviços e Indústria de Transformação.

No Rio Grande do Sul, os desempenhos, que são muito próximos em 2011 — o PIB cresceu 5,7%, e o emprego formal, 5,2% —, distanciam-se em 2012 — o PIB teve uma redução de 2,1% no acumulado até setembro, e o nível de emprego, um incremento de 3,6% até outubro. A expansão do mercado de trabalho em 2012 também fica aquém à do mesmo período de 2011 (-30%), observando-se, no mês de outubro, uma variação de 0,4% frente a setembro e de -32,2% na comparação com o mesmo mês de 2011.

Dentre as várias interpretações que vêm sendo debatidas acerca desse contraste entre nível de atividade e nível de emprego, uma é especialmente delicada: a de que, diante dos altos custos de demissão e de contratação, as empresas estariam retendo os empregados, acreditando que a desaceleração seja temporária. Se isso se confirmar, o risco é o de uma reversão rápida e brusca, caso as empresas desistam de esperar pela recuperação da economia.

A resistência do emprego formal e o baixo crescimento econômico

Compartilhe