A melhoria no perfil das exportações brasileiras em 2005

Produtos que agregam maior conteúdo tecnológico tendem a aumentar sua participação no comércio internacional, sendo menos sensíveis às variações conjunturais dos preços e menos dependentes do crescimento da economia mundial. Embora a vigorosa expansão da economia chinesa tenha contribuído para reduzir conjunturalmente essa tendência após 2003, expandindo os preços das commodities primárias, a elevação do conteúdo tecnológico na pauta de exportações segue sendo um sinal saudável para o setor externo de um país.

O ano de 2005 foi marcante para a economia brasileira não apenas pela continuidade do crescimento das exportações —aumento de 22,63% em relação ao ano de 2004, atingindo US$ 118.308 milhões —, mas também por uma ligeira melhora no perfil dos produtos remetidos ao exterior.

Um indicador desse avanço pode ser encontrado no crescimento da contribuição das exportações de produtos manufaturados para a elevação das exportações do País em 2005. Os bens manufaturados foram responsáveis por mais de 55% do aumento das exportações brasileiras frente às do ano anterior: dos US$ 21.833 milhões de aumento das exportações brasileiras em relação ao ano de 2004, US$ 12.194 milhões decorreram do avanço das vendas de bens manufaturados. Trata- se de um índice bastante inferior àquele dos países com maior participação nas exportações mundiais (a própria média mundial apontava cerca de 80% de bens manufaturados na composição do comércio internacional), mas, ainda assim, é um sinal de que, ao menos em 2005, esse segmento liderou o dinamismo do setor externo da economia nacional.

O acompanhamento da estrutura tecnológica das exporta ções brasileiras também é relevante, uma vez que grande parte dos bens manufaturados incorpora tecnologias simples e bastante disseminadas em seus processos produtivos. Percebe-se, pela tabela, que o Brasil retomou o perfil das exportações de alto e médio-alto conteúdo tecnológico vigente em 2002 (cerca de 27% do total a partir da soma das duas categorias), ou seja, anteriormente ao crescimento dos preços das commodities, que contribuíram para a substancial melhoria das exportações nacionais a partir de 2003. Esse comportamento se deveu principalmente ao aumento nas exportações de produtos como telefones celulares, automóveis e bens de capital.

Para 2006, com a esperada continuidade do crescimento da economia mundial, a principal ameaça à permanência desse desempenho advém da contínua deterioração da rentabilidade das exportações dos setores industriais tecnologicamente mais avançados, devido à apreciação da moeda nacional. Estimativas da Funcex indicam uma queda na rentabilidade das exportações de equipamentos eletrônicos e de veículos automotores de 49,6% e de 33,1%, respectivamente, na comparação do quarto trimestre de 2005 com o terceiro trimestre de 2000 (período-base). Sendo setores com forte presença de empresas multinacionais, as matrizes exigem imediatas reduções nos custos de produção, para que os contratos de exportação, a partir do Brasil, mantenham sua rentabilidade. Espera-se que a valorização do real não se aprofunde, ao longo do ano, de modo a comprometer essa saudável recuperação do perfil das exportações brasileiras.

A melhoria no perfil das exportações brasileiras em 2005

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