A guerra e as exportações do RS para o Oriente Médio

Entre março de 2002 e fevereiro de 2003, o Oriente Médio absorveu 5,6% das exportações do RS, sendo que os principais produtos para lá exportados foram: óleo; farelo e grão de soja; frango congelado; carrocerias para veículos; tratores; herbicidas; calçados; e fumo. Enquanto as vendas totais do RS ao Exterior, no referido período, comparadas com as dos 12 meses anteriores, se elevaram em 5,04%, as exportações do Estado para o Oriente Médio cresceram 25,29%, caracterizando essa região como um dos mercados emergentes para os produtos do RS.

Entretanto a guerra na região e o pós-guerra poderão trazer efeitos negativos sobre o comércio externo gaúcho, especialmente com o Oriente Médio, já que poderão ocorrer dificuldades no embarque e no desembarque de produtos na região, além de aumentos nos preços do seguro e do frete. Os produtos industrializados que não são de primeira necessidade ou aqueles ligados à produção (como os exportados pelo RS para o Iraque) poderão ter sua demanda reduzida, tendo em vista o colapso na produção que costuma afetar as zonas de conflito bélico. Apesar de as exportações do RS para o Oriente Médio terem aumentado 66% nos primeiros dois meses de 2003 — antes, portanto, da guerra —, nos últimos dias, tem-se observado uma diminuição nos pedidos dos importadores, embora os dados para março, até o momento, ainda não estejam disponíveis. Em janeiro e fevereiro deste ano, houve um aumento da concentração das vendas nos dois principais produtos da pauta (óleo de soja e frango), o que pode estar associado à intenção de formar estoques preventivos de alimentos, que, uma vez alcançados, terão sua demanda reduzida. Produtos gaúchos — como calçados e móveis, que estavam ensaiando um crescimento relativo importante para a região — poderão sofrer retrações em suas vendas, interrompendo-se uma trajetória de conquista e manutenção de novos mercados, onde o Oriente Médio era um dos alvos.

Particularmente no caso do Iraque, vale destacar que esse mercado, embora represente uma parcela pequena das exportações gaúchas (menos de 1%), vinha despontando como um dos mais dinâmicos para as vendas externas do RS, não só pela sua taxa de crescimento (104% entre março de 2002 e fevereiro de 2003) como pelo perfil de suas mercadorias, predominantemente de produtos industrializados, como tratores, colheitadeiras, reboques e máquinas semeadeiras. Entretanto, nos dois primeiros meses de 2003, antes, portanto, do desencadeamento efetivo do conflito, não houve qualquer exportação do Estado para esse país, já sinalizando dificuldades futuras nesse mercado.

Mesmo assim, alguns analistas acreditam que o conflito poderá aumentar as exportações gaúchas para o Oriente Médio. Isto porque os principais produtos exportados pelo Estado para lá (complexo soja e frango) têm os Estados Unidos como grande fornecedor, e poderia haver um boicote dos países árabes aos produtos norte-americanos. Todavia o sentimento predominante é o de que os prejuízos causados pela guerra ao comércio gaúcho com a região ultrapassarão largamente os prováveis benefícios.

Embora o Oriente Médio seja a região mais afetada, para este ano espera-se, também, não apenas como conseqüência do conflito, mas como parte do funcionamento da economia internacional, um desaquecimento econômico global e um decorrente aumento do protecionismo tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Com isso, intensificar-se-iam ainda mais as dificuldades para exportar e negociar os acordos multilaterais em andamento, especialmente os agrícolas, o que prejudicaria especialmente as vendas externas do Estado.

A guerra e as exportações do RS

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