A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

A economia do Rio Grande do Sul apresentou retração de 4,8% em 2005. Metade dessa taxa (2,4%) deve-se à agropecuária, que, participando com 16% na estrutura da economia, teve um crescimento notoriamente afetado pela estiagem, de -15,2%.

A lavoura representou 62% do valor de produção agropecuária, e 34% originou-se da produção animal, cabendo o resíduo às demais atividades do setor.

A lavoura gaúcha decresceu 21,2%. As principais culturas (que conjuntamente representam 84% do valor produzido) apresentaram taxas decrescentes de produção em 2005, em relação a 2004, conforme tabela. O milho e a soja destacaram-se pelas maiores quedas (-56,0% e -55,9% respectivamente), seguindo-se feijão (-43,9%) e trigo (-21,4%). Mesmo aquelas culturas que conseguiram desempenhos satisfatórios em suas produções, no ano de 2004 (arroz, fumo e uva), sofreram queda de produção em 2005.

Os efeitos da prolongada estiagem de dois anos são bem evidenciados nos casos da soja e do milho. A produção de soja foi de mais de 9,5 milhões de toneladas em 2003 e diminuiu para menos de 2,5 milhões em 2005, com um decréscimo de 74,5% nesse período. Ou seja, produziu-se, em 2005, apenas pouco mais de um quarto do que havia sido produzido em 2003. Da mesma forma, o milho, que, de uma produção de 5,4 milhão de toneladas em 2003, caiu para 1,4 milhão, com decréscimo de 72,6%. Considerando que essas duas culturas corresponderam a 21% do valor de produção da lavoura, tem-se uma idéia da sua repercussão no desempenho da agricultura gaúcha.

O arroz e o trigo são casos específicos, pois o primeiro é cultura irrigável, e o segundo, cultura de inverno. O arroz acusou queda significativa de preços nesse período, diminuindo o reflexo positivo do bom desempenho em sua produção, em 2004. Segundo a FGV, em dez./03, o preço do arroz no RS era de R$ 0,76/kg; em dez./04, R$ 0,53/kg; e, em set./05, último dado disponível, R$ 0,41/kg. No caso do trigo, também houve queda de preços, e, além disso, ocorreu significativa redução da área plantada (-24,9%) em 2005.

A análise da produtividade mostra outro ângulo da crise agrícola. Em 2005, dos produtos citados, somente o trigo teve crescimento de produtividade (4,7%). Nos dois últimos anos, a soja foi a cultura que mais perdeu produtividade — de 2,67 toneladas por hectare em 2003 passou a 1,40 em 2004 e a 0,66 em 2005, ou seja, variação de -75,4% no período 2003/05 —, seguida pelas de milho (-59,9%), feijão (-21,9%), trigo (-14,8%) e mandioca (-13,7). Salienta-se que, em 2004, o ganho de produtividade do arroz foi de 24,3% e que, em 2005, não houve ganhos.

A perspectiva para o ano de 2006 é de crescimento na agricultura gaúcha. A meteorologia não indica clima adverso como o dos dois últimos anos, a base de comparação é baixa, e as previsões de demanda de produtos agrícolas, tanto interna como externa, são de aumento. Cabe ressaltar, entretanto, que os agricultores se encontram em situação econômica bastante precária, dadas as perdas recentes sofridas.

A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

Compartilhe