A economia gaúcha em 2002

Segundo as estimativas preliminares divulgadas pela Fundação de Economia e Estatística, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu a uma taxa de 1,8% em 2002, totalizando um valor de R$ 109,7 bilhões, equivalentes a US$ 37,6 bilhões. Considerando-se o crescimento populacional estimado em 1,1%, o PIB per capita expandiu-se 0,7%, atingindo um total de R$ 10,6 mil, equivalentes a US$ 3,6 mil. O crescimento em 2002 é o menor dos últimos quatro anos, menor, inclusive, do que a média dos últimos 11 anos (3,0% ao ano). Ainda que pouco expressivo, esse crescimento no Estado deverá ser superior ao do País, uma vez que o crescimento acumulado até o terceiro trimestre na economia brasileira foi de apenas 0,9% e que projeções do IPEA indicam uma taxa anual de 1,4%. Com esses resultados, o Estado aumentaria sua participação de 8,11% para 8,14% do PIB nacional.

O fraco desempenho da economia gaúcha em 2002 foi fortemente influenciado pela queda verificada na agropecuária (-2,0%), a qual foi compensada pelos resultados positivos na indústria (3,8%) e no setor serviços (1,2%). O setor industrial, com um crescimento um pouco acima da média dos últimos 11 anos (3,5% ao ano), foi favorecido pelo bom desempenho da indústria de transformação (5,4%), que compensou as taxas negativas verificadas na construção civil (-3,3%) e na produção de eletricidade, gás e água (-0,8%). Examinando-se os dados divulgados pelo IBGE relativos à produção física da indústria de transformação (dados acumulados até outubro), destacam-se os desempenhos positivos nos gêneros fumo (33,9%), mecânica (19,7%) e material de transporte (10,1%) e os negativos de mobiliário (-7,3%) e vestuário e calçados (-5,7%). O resultado do setor serviços refletiu a expansão verificada nos segmentos aluguéis, intermediários financeiros, comunicações, alojamento e alimentação, saúde e educação mercantis, serviços domésticos e outros serviços, que, em conjunto, apresentaram um crescimento de 2,4%, o que compensou os desempenhos negativos no comércio (-1,0%) e nos transportes (-1,9%),

A agropecuária do Estado, que teve excelente desempenho em 1999 e 2001 e que não apresentava taxa negativa desde 1996, foi fortemente afetada pelo desempenho negativo da lavoura (-2,4%), que não foi compensado pelo crescimento na produção animal (1,0%). A taxa negativa na lavoura foi resultado das quebras significativas ocorridas nas safras de milho (-35,9%) e de soja (-19,1%). Ambas as culturas tiveram quedas expressivas em suas produtividades, -25,0% e -27,2% respectivamente. As quedas nas produções dessas culturas não foram compensadas pelos crescimentos nas produções de trigo (20,9%), uva (14,5%), fumo (14,0%), maçã (13,9%), arroz (4,3%) e feijão (4,0%). Em relação à produção animal, destacam- -se os crescimentos nas produções de leite (5,1%) e de aves (2,7%).

No que tange às exportações, o Estado manteve-se como o segundo maior exportador, com 10,7% do total nacional. Apesar do fraco desempenho global das exportações (crescimento acumulado de apenas 0,05% até novembro), alguns dos principais produtos da pauta tiveram crescimentos significativos, tais como: motores diesel (90%), óleo de soja em bruto (51%), tratores (43%) e carroçarias (28%).

A economia gaúcha em 2002

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