A economia brasileira está mesmo em recuperação? De que tipo?

Hoje, é muito disseminada a opinião de que economia brasileira já se encontra em fase de recuperação da crise que nela se instalou no início do último trimestre de 2008. Essa crise, como é sabido, proveio do turbilhão de dificuldades vividas, no mesmo período, pelo setor financeiro norte-americano e, em decorrência, pelos seus congêneres do mundo desenvolvido.

Mas as evidências disponíveis parecem negar a hipótese de recuperação. Como se pode observar no gráfico, importantes indicadores do desempenho da indústria no Brasil – referentes à sua produção física, à utilização de sua capacidade produtiva e às suas receitas em termos reais – mostram que, a partir de setembro do ano passado, o setor foi fortemente abalado pelos tumultos ocorridos no âmbito externo. Nos meses iniciais de 2009, o setor ensaiou a retomada do crescimento, para voltar a retrair-se no último mês de abril. Além disso, informação muito mais abrangente é a de que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2009 foi inferior ao dos três meses encerrados em setembro do ano anterior, de 7,70%. De um a outro trimestre todas as categorias de demanda que compõem o PIB retraíram-se, mas cabe salientar-se que a formação bruta de capital fixo desabou 27,70%. O que se acaba de relatar mostra quão pouco razoável é a opinião em questão.

É importante não se perder de vista que as retrações da atividade industrial e do PIB derivam de correspondente diminuição da demanda agregada. Para enfrentar sua continuidade, o Governo Federal preservou os gastos sociaise os investimentos públicos programados. Em concomitância com a inarredável retração da arrecadação governamental resultante da crise, a preservação dos mesmos gastos e investimentos reduziu o superávit fiscal primário de 12 meses de 4,60% do PIB em novembro de 2008 para 2,27% do PIB em abril de 2009. Por sua vez, a meta de superávit primário em proporção do PIB deste ano foi reduzida de 3,80% para 2,50%. Na área monetária, a meta da taxa Selic caiu 4,75 pontos percentuais (do ponto de vista fiscal, um enorme alívio para o orçamento público), e a redução dos depósitos compulsórios aumentou significativamente a oferta monetária na economia. Tudo isso para incrementar a demanda pública ou a privada e tornar factível a atividade produtiva.

A economia brasileira está mesmo em recuperação De que tipo

Compartilhe