A balança comercial brasileira em 2013: resultado conjuntural ou estrutural?

O déficit comercial brasileiro em 2013, que atingiu US$ 5.155 milhões no primeiro trimestre, foi revertido nos meses subsequentes, e o saldo final acabou positivo em US$ 2.561 milhões, uma queda de 87% em relação a 2012. A explicação principal é conjuntural: a queda nas exportações de combustíveis, devido às paradas programadas na produção da Petrobras, e a elevação nas importações do mesmo produto, que foram realizadas em 2012, mas lançadas somente no ano seguinte, devido a mudanças em procedimentos contábeis.

Diante disso, é pertinente questionar se, além desse elemento circunstancial, há algum componente estrutural para explicar a performance da balança comercial brasileira em 2013. Ao estender a análise para os anos anteriores e considerar somente o desempenho dos combustíveis, percebe-se que o saldo foi crescentemente deficitário ao longo do período analisado, mas, em 2013, no acumulado até outubro, elevou-se abruptamente (161%) em relação ao ano anterior.

Ao se desconsiderarem os combustíveis, o saldo comercial até outubro de 2013 permaneceria positivo, com o valor de US$ 19.413 milhões, mas seria o menor valor desde 2005, com uma queda de 60% em relação àquele ano. Se o saldo negativo em combustíveis fosse semelhante ao de 2011, o saldo comercial brasileiro em 2013 seria de US$ 10.253 milhões, o que representaria apenas 34% do resultado total de 2011.

Portanto, constata-se que o resultado comercial decrescente não pode ser explicado somente por fatores conjunturais. O saldo no setor de bens de capital tem apresentado déficits crescentes — em 2013, o déficit seria ainda maior se desconsideradas as “exportações” de plataformas de petróleo no valor de US$ 7.733 milhões.

Não fosse o aspecto conjuntural relacionado aos combustíveis, os aspectos estruturais do setor de bens de capital seriam o centro das preocupações do ponto de vista da sustentabilidade das contas externas, as quais podem significar mais um obstáculo para aumentar a relação investimento/PIB no Brasil.

A balança comercial brasileira em 2013 resultado conjuntural ou estrutural

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