Textos com assunto: trabalho feminino

Paradoxo da inserção feminina no mercado de trabalho

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Edição: Ano 22 nº 09 - 2013

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A educação pode ser vista como um importante atributo pessoal em termos de qualificação e produtividade, gerando diferenciais significativos, tais como uma melhor inserção no mercado de trabalho e maiores ganhos. Todavia as mulheres enfrentam um paradoxo no mercado de trabalho, historicamente enraizado, pois, apesar de apresentarem maior nível de educação formal, possuem menores rendimentos. Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2012, as mulheres ocupadas tinham 10,4 anos de estudo em média, contra 9,7 anos para os homens, em um cenário onde o rendimento médio das mulheres ocupadas era 26,1% inferior ao masculino.

Analisando-se o nível de escolaridade das mulheres ocupadas, observa-se que há uma maior concentração nos segmentos mais altos (ensino médio completo e ensino superior) do que o observado entre os homens. No entanto, o rendimento médio real das mulheres é inferior ao dos homens em todos os níveis de escolaridade, tanto em 2000 como em 2012, destacando-se o fato de que, em 2012, o rendimento médio real das mulheres com ensino fundamental completo ou ensino médio completo era inferior até mesmo ao rendimento médio dos homens com ensino fundamental incompleto.

Essa desigualdade salarial sugere um indício de discriminação feminina no mercado de trabalho. Entretanto, em decorrência do desempenho mais favorável do mercado de trabalho nos últimos anos, observa-se uma trajetória consistente de redução do hiato salarial entre homens e mulheres em todos os níveis educacionais, mesmo em um contexto emque os rendimentos auferidos pelas mulheres ainda permaneceram inferiores aos dos homens. A desigualdade salarial entre gêneros é uma questão central da desigualdade econômica das mulheres e requer uma atenção especial das políticas públicas voltadas para o mercado de trabalho.

Paradoxo da inserção feminina no mercado de trabalho

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Mão de obra feminina na construção civil da Região Metropolitana de Porto Alegre

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Edição: Ano 21 nº 12 - 2012

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A indústria da construção civil sofreu forte expansão em período recente, sendo ela um dos setores com grande potencial gerador de empregos, sobretudo no meio urbano. Sua importância econômica está relacionada, portanto, ao mercado de trabalho, mas não somente a isso. A construção tem uma grande capacidade de contribuir com o dinamismo de muitos outros segmentos industriais e de serviços, além do elevado volume de recursos financeiros que mobiliza em suas operações.

Embora já se manifestasse em 2006, a retomada da atividade consolidou-se nos anos de 2007 e 2008, atingindo níveis de crescimento inéditos desde a desativação do BNH. Com oscilações de lá para cá — e um arrefecimento em 2012 —, a indústria da construção civil mantém-se dinâmica, contando com os importantes estímulos das políticas governamentais.

Nesse contexto, é de se esperar o aquecimento do mercado de trabalho, sobretudo levando-se em conta que se trata de um setor intensivo em mão de obra. Assim, a demanda por trabalhadores qualificados e não qualificados vem intensificando-se, e, mais recentemente, em função das obras relacionadas aos eventos internacionais que terão lugar no Brasil, a disponibilidade de mão de obra tende a constituir-se em um dos “gargalos” apontados pela classe empresarial.

A introdução da mão de obra feminina na construção é uma alternativa que, embora não solucione a falta verificada, traz uma inovação significativa, que é a inserção de mulheres num meio tradicionalmente masculino. Analisando a RMPA, com base nos dados de emprego formal da RAIS, constata-se que o percentual de mulheres empregadas na construção passou de 6,8% (2.658) em 2007 para 8,6% (6.047) em 2011. É claro que o contingente feminino ainda é pouco expressivo em relação ao total de empregados, porém cabe salientar seu crescimento.

A participação feminina nos canteiros de obras passa por qualificação e proporciona a reinserção de mulheres no mercado de trabalho. A proposta de cursos de capacitação no RS iniciou em Canoas, onde foi lançado, em 2006, o Projeto Mulher Aprendiz, uma iniciativa da Prefeitura em convênio com uma ONG. Esse tipo de ação expandiu-se e hoje está presente em diversas cidades gaúchas. A crescente procura por novos cursos levou essa iniciativa a se inserir no Programa Mulheres Construindo Autonomia, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República.

A tendência é que o trabalho feminino seja bem-visto pelas empresas do setor, que evocam as capacidades de organização, de observar detalhes, de evitar desperdícios, dentre outras, contribuindo para a minimização dos custos de produção.

No que diz respeito à remuneração, os dados para a RMPA, em 2011, indicam que a maior participação do contingente de empregadas é encontrada nas faixas de menor rendimento, sendo que a maior participação dos empregados se encontra em faixas de rendimento levemente superiores. Ou seja, na faixa de 1 a 1,5 salários mínimos, encontram-se 32,3% das mulheres e 19,6% dos homens. Embora não se tenham dados discriminados por função dentro do canteiro de obras, pode-se dizer que o contingente feminino está mais representado nas menores remunerações.

É inegável que a crescente participação de mulheres na construção representa um avanço no sentido de combater a discriminação profissional de gênero. Entretanto espera-se que isso não se faça em detrimento da igualdade de remuneração, o que seria um contrassenso.

Mão de obra feminina na construção civil da

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Rendimentos do trabalho: persiste discriminação entre mulheres e homens

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Edição: Ano 17 nº 03 - 2008

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Ao se analisar a discriminação entre os sexos quanto à inserção no mercado de trabalho, os rendimentos têm-se destacado como um dos fatores que mais expressam a desigualdade entre homens e mulheres. Esse quadro é corroborado, quando se verificam os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre sobre o rendimento das mulheres. Em 1993, as mulheres ocupadas recebiam 65,2% do rendimento médio real dos homens (R$ 796,00 contra R$ 1.219,00 do contingente masculino); em 2000, essa proporção foi de 68,3%, iniciando uma trajetória mais virtuosa para as mulheres trabalhadoras. Num movimento oscilante, os anos seguintes indicaram uma tendência de redução da diferença entre os rendimentos médios femininos e os masculinos. A partir de 2000, a menor diferença foi registrada em 2004 (74,7%), tendo-se observado pequeno aumento da desigualdade em 2005 e 2006 e, novamente, uma redução dessa disparidade em 2007 (74,4%, equivalendo a um rendimento médio de R$ 864,00, enquanto o masculino foi de R$ 1.161,00).

Não obstante a redução da diferença entre os rendimentos femininos e os masculinos, a discriminação da mulher no mercado de trabalho ainda é nitidamente anunciada pelos rendimentos auferidos. A despeito da legislação sobre a igualdade de salários, as remunerações têm apresentado diferenças significativas entre os sexos, obedecendo, além da própria discriminação sexual, a critérios que contemplam atributos pessoais, como nível de escolaridade, idade e cor, sendo pouco determinadas pela natureza do trabalho e pela capacitação do indivíduo. Nível de escolaridade superior e situação familiar (estado civil, idade dos filhos), por exemplo, favorecem a inserção da mulher no mercado de trabalho, aproximando seus rendimentos aos recebidos pelos homens, embora, na média, ainda distantes da igualdade.

Rendimentos do trabalho persiste discriminação entre mulheres e homens

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Redução de cargos de chefia atinge menos as mulheres na RMPA

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Edição: Ano 16 nº 03 - 2007

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A supressão de cargos hierárquicos mais elevados nas organizações — devido às novas formas de gestão implementadas nos últimos anos — atingiu de forma menos contundente a parcela feminina que ocupava funções de comando na Região Metropolitana de Porto Alegre do que a dos homens que estavam na mesma condição.

Na comparação dos períodos 1993-94 e 2003-04, segundo os dados da PED-RMPA, 45 mil mulheres encontravam-se em funções de gestão no primeiro período, correspondendo a 9,0% do total de ocupadas (497 mil); no período final, permaneceram 45 mil mulheres, mas representando 6,7% do total de ocupadas (674 mil), o que configurou uma retração relativa para o grupo feminino. O contingente masculino que desempenhava essas funções, por sua vez, sofreu uma redução absoluta e relativa, uma vez que, no período inicial, correspondia a 11,7%, totalizando 88 mil gestores dentre 755 mil homens ocupados, recuando para 64 mil gestores do total de 870 mil homens ocupados, o que representou 7,4%. Em função desses comportamentos, a participação feminina entre os gestores passou de 33,8% para 41,3% nos períodos considerados.

Esse movimento mais favorável para o grupo feminino pode estar associado às atuais exigências do mercado de trabalho, que valorizam as qualificações técnicas e sociais de cunho polivalente e encontram nas mulheres maior disposição de adaptação às mudanças implantadas pelas empresas que visam à máxima produtividade, além de apontar uma redução da diferença na histórica relação de poder entre os sexos, quanto ao exercício de cargos de comando no mercado de trabalho.

Redução de cargos de chefia atinge menos as mulheres na RMPA

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Queda dos rendimentos afeta mais as mulheres

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Edição: Ano 14 nº 12 - 2005

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Tomando-se como referência a comparação do mês de agosto de 2005 em relação ao mesmo mês do ano anterior,
observa-se um aumento da ocupação dos assalariados do setor privado de 7,3%, destacando-se a criação de postos de trabalho com carteira assinada (73 mil), em paralelo a uma expressiva redução das inserções legalmente desprotegidas, isto é, sem carteira de trabalho assinada (-13 mil).

Todavia verifica-se que, se, por um lado, houve crescimento do contingente total de assalariados em 2,1% no período em foco, por outro, a renda caiu, resultando em crescimento da massa de rendimentos dos assalariados em apenas 0,7%.

Os resultados mostram, ainda, que o contingente de mulheres empregadas com carteira assinada cresceu mais do que o dos homens. Observa-se que, na esteira desse processo, o rendimento médio real dos assalariados do setor privado caiu para ambos os contingentes, mas a queda foi mais acentuada entre as mulheres, justamente o contingente que mais cresceu, o que acentuou a queda do rendimento médio total desses assalariados. O fato de o rendimento das mulheres ser menor do que o dos homens talvez explique o pequeno crescimento da massa de rendimentos reais, mesmo com o desempenho favorável do emprego assalariado com carteira assinada nos últimos 12 meses.

Queda dos rendimentos afeta mais as mulheres

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Persiste a desvantagem dos rendimentos femininos na RMPA

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Edição: Ano 13 nº 09 - 2004

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Na última década, a participação feminina no mercado de trabalho cresceu de modo intenso, porém as mulheres continuam se inserindo no mundo produtivo em condições mais desfavoráveis do que os homens. Isso é o que aponta a análise dos dados dos rendimentos do trabalho, por sexo e escolaridade, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), apurados pela Pesquisa Emprego e Desemprego entre 1993 e 2003.

Em 1993, as mulheres recebiam 65,3% do rendimento médio real dos homens, e, em 2003, essa proporção progrediu, alcançando, todavia, apenas 72,2%. A redução do diferencial entre os rendimentos masculinos e femininos ocorreu num contexto de retração para os trabalhadores em geral, porém o contingente masculino sofreu importantes perdas (-8,1%), enquanto as trabalhadoras apresentaram acréscimo de 1,6%. A redução da diferença de remuneração entre homens e mulheres deve-se, principalmente, ao comportamento observado para as trabalhadoras com curso superior completo, que experimentaram elevação real (9,1%) em seus rendimentos médios, cujos ganhos passaram de R$ 1.640 em 1993 para R$ 1.790 no ano passado, não superando, contudo, o rendimento médio real de R$ 2.632 que os homens com idêntico nível de instrução obtiveram em 2003.

Persiste a desvantagem dos rendimentos femininos na RMPA

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Mulheres mantêm desvantagem salarial no emprego formal

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Edição: Ano 11 nº 02 - 2002

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Os dados recentemente divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego sobre a situação do mercado formal de trabalho no ano 2000 (RAIS) mostram que, embora persista a segregação por gênero na sociedade brasileira, a mão-de-obra feminina conquista cada vez mais espaço. Tomando-se como base de comparação o ano de 1994, quando foi implantado o Programa de Estabilização Econômica (Plano Real), observa-se que, enquanto o total do emprego com carteira assinada cresceu 6,1% no Rio Grande do Sul, o número de mulheres empregadas cresceu 11,4%, passando de 709.679 em 1994 para 790.574 em 2000. Já o número de homens teve um modesto crescimento de 2,6%. O setor serviços foi quem puxou o crescimento do emprego no Estado, com um aumento de 29,3%, que foi muito maior para as mulheres do que para os homens: 39,9% e 20,9% respectivamente. Em virtude de trajetórias diferenciadas, a participação das mulheres no emprego formal elevou-se de 39,8% em 1994 para 41,7% em 2000.

Em contrapartida, o fosso que separa as mulheres dos homens, nos salários, permanece grande, a despeito de o salário das mulheres ter evoluído um pouco melhor do que o dos homens. O rendimento médio real no RS recuou 3,9% entre 1994 e 2000. Enquanto o dos homens caiu 4,8%, o das mulheres teve um recuo bem menor (1,4%). Com isso, diminuem os diferenciais salariais: em 1994, os homens tinham um rendimento médio real 29,8% superior ao das mulheres, vantagem que diminuiu para 25,4% em 2000. Nesse ano, os homens ostentavam um rendimento médio real de R$ 798,79 contra um de R$ 637,22 das mulheres. A pior situação sob a ótica do emprego feminino, considerando-se os setores mais importantes para o emprego, encontrava-se na indústria de transformação, que apresentava um dos rendimentos médios mais baixos para as mulheres e o diferencial salarial mais acentuado. No ano 2000, o rendimento médio real das mulheres empregadas na indústria de transformação do Estado era de R$ 425,82, e o dos homens era de R$ 717,25, o que significa que o valor dos homens estava 68,4% acima do das mulheres. Cabe realçar que a discrepância na indústria diminuiu nesses anos: o rendimento médio real feminino variou -2,7%, e o masculino, -9,8%.

A administração pública era o setor em que as mulheres tinham o maior rendimento médio real em 2000, não obstante mostrar um dos maiores contrastes salariais. O diferencial entre o rendimento médio real dos homens e o das mulheres, que era 29,1% em 1994, elevou-se para 43,4% em 2000, o que é especialmente preocupante, tendo em vista que as mulheres representam mais da metade dos empregados no setor.

Por fim, é importante ter presente que, embora o nível de escolaridade das mulheres seja, na média, mais elevado do que o dos homens, elas ainda são remuneradas em níveis bem inferiores ao deles.

Mulheres mantêm desvantagem salarial no emprego formal

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