Textos com assunto: Soja

Soja gaúcha avança sobre áreas de milho e de pecuária

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Edição: Ano 14 nº 03 - 2005

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A partir de 2001, em função de excepcionais condições de mercado, ocorreu no Brasil um aumento considerável da área plantada de soja. Só no Rio Grande do Sul, entre 2001 e 2003, houve um acréscimo de 615 mil hectares em novas plantações. Como o Estado não possui áreas novas a serem incorporadas, esse aumento se deu em áreas antes destinadas a outros segmentos de produção agropecuária.

Das 12 microrregiões que apresentaram as maiores variações de área plantada de soja, seis delas são consideradas regiões tradicionais de produção, casos de Cruz Alta, Passo Fundo, Santo Ângelo, Ijuí, Carazinho e Erechim. Nessas microrregiões, o acréscimo de áreas da oleaginosa deu-se a partir da diminuição da área destinada a outras culturas, notadamente a do milho.

A soja também se alastrou para microrregiões não tradicionais em seu cultivo, situadas mais ao sul do Estado, como Santiago, Campanha Ocidental, Santa Maria, Vacaria (esta localizada no norte), Cachoeira do Sul e Campanha Central, zonas que se destacam muito mais pela pecuária e pela produção de arroz. Somente essas seis microrregiões responderam por 43% do crescimento da área de soja no RS. Como, nesse caso, não houve grande incorporação de áreas de milho, o que deve ter ocorrido foi um avanço da soja sobre campos antes usados para a pecuária, uma vez que as plantações de arroz não sofreram perdas de área.

Soja gaúcha avança sobre áreas de milho e de pecuária

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Soja no RS: produção em queda e preço em alta

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Edição: Ano 13 nº 04 - 2004

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Segundo levantamento da Emater-RS de 16 a 23 de março de 2004, a estimativa de área colhida de soja no Rio Grande do Sul para a safra 2003/04 é de 3.896.307 hectares, 8,5% acima da área da safra anterior. Entretanto é aguardada uma forte redução na produção da oleaginosa, em função da estiagem que atinge o Estado desde o começo de janeiro. A produtividade média, que, na safra 2002/03, havia atingido 2.667 kg/ha, deve alcançar, na de 2003/04, tão-somente 1.554 kg/ha, significando uma quebra de 41,7% em relação à produtividade da colheita anterior e de 30,9% sobre as primeiras estimativas feitas pela Emater-RS, que já previam uma sensível redução do rendimento médio em relação ao do ano anterior. Feitas as contas, a produção deve ficar em 6.054.861 toneladas, montante 36,8% menor que o da safra passada — que havia alcançado recorde de 9.579.293 toneladas — e 29% abaixo das primeiras estimativas.

Em contrapartida, o preço em alta da soja deve contrabalançar, em parte, as perdas de produção. Os preços da soja já vinham subindo desde, pelo menos, 2002. A explicação básica para esse comportamento encontra-se do lado tanto da demanda quanto da oferta. Os Estados Unidos, maior produtor da oleaginosa, vêm reduzindo, ano a ano, sua produção, como reflexo de uma política agrícola que privilegia o milho em detrimento da soja. Pelo lado da demanda, a China, amparada em seu vigoroso crescimento econômico, vem aumentando suas importações do produto. Afora esses aspectos mais estruturais, surgem, neste momento, fatores conjunturais que ajudam a explicar a recente alta dos preços. A influência da gripe do frango, que poderia retrair as importações asiáticas de soja para ração, não deve impactar o consumo mundial do produto, uma vez que é esperado que a produção avícola menor na Ásia seja compensada pela maior produção de outras regiões, notadamente o Brasil. Por outro lado, a produção dos EUA deve alcançar 66 milhões de toneladas, frente às 75 milhões da safra anterior. Na Argentina, o outro grande produtor mundial, também haverá perdas em virtude de escassez de chuvas, fazendo com que a safra atual repita os números da anterior. No caso brasileiro, as previsões iniciais de uma safra ao redor de 59 milhões de toneladas deram lugar a estimativas que apenas repetem os números da safra anterior (52 milhões). Regionalmente, há perdas pelo excesso de umidade no Mato Grosso e pela escassez de chuva no Mato Grosso do Sul e em toda a Região Sul, marcadamente no Rio Grande do Sul.

O reflexo imediato disso é o aumento acentuado dos preços da soja tanto no mercado internacional quanto no doméstico. O preço verificado na Bolsa de Chicago passou de US$ 12,79 para US$ 22,68 de março de 2003 a março de 2004, uma alta de 77%. Já os preços pagos em reais aos produtores gaúchos tiveram forte crescimento nos primeiros meses do ano, alcançando uma cotação de cerca de R$ 50,00 em abril, uma alta de 42% em relação a abril do ano anterior.

É certo que a renda recorde da safra gaúcha do ano passado não terá como se repetir, afetada que será pela quebra da produção. Entretanto as perdas ocasionadas pela estiagem poderão ser, em parte, amenizadas pelos fatores ligados ao mercado internacional e pelas próprias intempéries climáticas que também afetam outras regiões produtoras e que acabam determinando os altos preços do produto.

Soja no RS produção em queda e preço em alta

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Soja garante à produção agrícola gaúcha crescimento maior que o nacional

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Edição: Ano 13 nº 01 - 2004

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O crescimento da produção agrícola brasileira nos últimos anos tem sido surpreendente e, em 2003, superou qualquer expectativa, por mais otimista que fosse. No início dos anos 90, nem se cogitava uma produção de grãos de mais de 120 milhões de toneladas, uma vez que o total produzido se situava em menos de 60 milhões. Nessa época, mesmo uma colheita de 80 milhões de toneladas era considerada supersafra, e foi somente em 1999 que o Brasil atingiu esse volume de produção. A partir daí, passou-se a falar de 100 milhões de toneladas, mas, apesar do crescimento ocorrido nas safras seguintes, esse patamar acabou não se configurando. Em 2002, todas as estimativas indicavam que a safra ultrapassaria a barreira das 100 milhões de toneladas de grãos; no entanto, problemas climáticos em algumas regiões do País e uma forte redução da área plantada com milho frustraram essas expectativas.

Para 2003, inicialmente as previsões apontavam uma safra de 110 milhões de toneladas, volume este bem maior do que o obtido em 2002. Mas, à medida que a safra se desenvolvia, a cada nova estimativa havia um acréscimo substancial na produção esperada. Assim, os últimos números estabelecem para 2003 uma produção de 122 milhões de toneladas. Esse acréscimo derivou-se, principalmente, da performance da cultura de soja, que atingiu um volume de 52 milhões de toneladas, um aumento de 23% em relação ao volume produzido na safra anterior.

O Rio Grande do Sul parece ter sido mais lento na resposta de sua produção aos estímulos que originaram os aumentos descritos anteriormente para o País. Em 2000, a produção gaúcha de grãos encontrava-se, em termos de volume, no mesmo patamar de 1990 — 14,7 milhões de toneladas de grãos. É bem verdade que, em 1992 e 1993, o Estado produziu mais de 16 milhões e, em 1995, chegou a atingir 17,3 milhões de toneladas.

Foi somente em 2001 que o Rio Grande do Sul voltou a acompanhar o desempenho nacional, apresentando um incremento importante na sua produção de grãos e atingindo 19,6 milhões de toneladas. A retração da produção de milho no Estado, em 2002, em virtude dos baixos preços de venda desse grão no ano anterior, decorrente da supersafra do produto, e a frustração da safra de soja por problemas climáticos fizeram com que a produção gaúcha ficasse quase 20% abaixo da obtida em 2001. Em 2003, houve uma recuperação da produção de milho no Estado e, acompanhando o movimento observado em vários estados produtores de soja, uma explosão dessa cultura também no Rio Grande, o que colocou a produção gaúcha de grãos no patamar de 22 milhões de toneladas. Da mesma forma que no Brasil, no Rio Grande do Sul o maior crescimento ficou por conta da lavoura de soja. No entanto, o aumento nessa produção, no Estado, superou, em larga medida, a taxa de crescimento nacional — o acréscimo registrado no Estado, em 2003 em relação a 2002, foi de 70%.

Soja garante à produção agrícola gaúcha crescimento maior que o nacional

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E a polêmica da soja continua

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Edição: Ano 12 nº 11 - 2003

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A edição da Medida Provisória nº 131, de 25 de setembro de 2003, que liberou o plantio da soja transgênica na safra 2003/2004, longe de resolver o impasse da adoção dessa nova tecnologia, acabou aumentando a polêmica a respeito no País. O que causa estranheza é que o debate se acha centrado apenas na soja e acabou adquirindo um viés marcadamente ideológico. Essa ideologização do debate não tem ajudado no sentido de encaminhar a discussão sobre biotecnologia no País e tem esquecido de considerar o evidente consumo, já há algum tempo, de vários produtos que contêm elementos
transgênicos na sua composição.

No contexto atual, também não parecem estar sendo consideradas as possíveis vantagens econômicas dessa produção para o País. O Brasil dificilmente poderá abrir mão da produção gaúcha, onde se estima que pelo menos 70% do total da produção seja de soja transgênica. São originados, no Rio Grande do Sul, quase 20% do total da produção de soja do Brasil, e 16% das exportações brasileiras do complexo soja saem do Estado.

Além disso, a tese de que há dificuldade de colocação da soja transgênica no mercado internacional não foi comprovada até o momento, já que não houve qualquer dificuldade com relação às exportações de soja gaúcha em 2003. Neste ano, as vendas gaúchas de soja e seus derivados cresceram 28% em quantidade e 43% em valor, em relação a 2002. Mais ainda, um mercado em expansão nas proporções observadas recentemente não deverá apresentar, pelo menos num futuro próximo, restrições absolutas ao consumo da soja transgênica.

E a polêmica da soja continua

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As exportações de soja para a China

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Edição: Ano 10 nº 11 – 2001

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Com 1,2 bilhão de habitantes (um quinto do total mundial) e um nível de renda em ascensão, a China é um mercado com grande potencial de expansão para as exportações gaúchas, especialmente de soja em grão.

Assim como vários outros países, a China impõe restrições à entrada de soja transgênica, e, tanto nos Estados Unidos quanto na Argentina, principais concorrentes do Brasil no mercado exportador desse produto, mais de 80% das lavouras de soja são transgênicas, na busca de alternativas para diminuir custos e aumentar a produtividade. Já o Brasil oferece um produto não transgênico, o que lhe confere vantagem sobre seus concorrentes no mercado chinês.

Outra vantagem, no momento, é a desvalorização do real, que permite a prática de preços mais competitivos no mercado internacional.

A Lei Kandir, que, a partir de 1996, zerou as alíquotas de ICMS sobre as exportações do complexo soja, também estimulou as vendas de soja em grão.

Por tudo isso, as vendas de soja em grão do RS para a China têm se elevado e representam, aproximadamente, 75% do valor total das exportações do Rio Grande do Sul para esse país. Caso as condições atuais de competitividade da soja do RS se mantenham, espera-se que as vendas para o mercado chinês se intensifiquem na próxima safra, embora já representem 55% das exportações gaúchas de soja em grão.

As exportações de soja para a China

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