Textos com assunto: Relações Internacionais

A importância do monitoramento do cenário global para o Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 26 nº 6 – 2017

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Em que pesem as opiniões divergentes sobre o papel do Estado como ator executor e difusor de análises sistêmicas sobre as várias dimensões do cenário global, a importância do setor externo na economia gaúcha, por si só, evidencia a relevância de estudos dessa natureza. Os impactos políticos e econômicos da dinâmica do cenário internacional sobre o Brasil e o Rio Grande do Sul são notórios. Diante disso, faz-se necessário o acompanhamento continuado das várias dimensões do processo de globalização em que toda a sociedade está inserido. Dada a expressiva participação das exportações gaúchas no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, assume-se, com certo grau de segurança, que o monitoramento contínuo das conjunturas domésticas e externas dos principais países compradores dos produtos gaúchos seja uma tarefa de extrema relevância para o Governo do Estado. A observação continuada da cena internacional objetiva, também, assessorar o poder público na formulação de políticas que visem ao enfrentamento de desafios transnacionais de nossos tempos, como o terrorismo, os fluxos migratórios globais e o extremismo político.

Essa interdependência dos cenários político e econômico internacionais atua como variável determinante sobre os efeitos multiplicadores decorrentes do desempenho das empresas exportadoras gaúchas distribuídas em vários municípios do Estado. É o caso, por exemplo, do impacto do embargo russo às exportações da União Europeia, Estados Unidos e Canadá, em 2014, em virtude do conflito geopolítico envolvendo Rússia e Ucrânia. Naquele contexto, as exportações gaúchas de carne suína para a Rússia apresentaram uma elevação de 30%, em valor, em 2015.

Assim, no que diz respeito ao Estado do Rio Grande do Sul, o olhar atento à dinâmica internacional deve ser percebida como prioridade, haja vista os graus de vulnerabilidade e sensibilidade entre diversos setores da economia do Estado com o setor externo. Essa atenção deve ser reforçada principalmente no que diz respeito aos principais setores econômicos do Estado e seus principais mercados. Os dados da FEE referentes ao comportamento das exportações no primeiro trimestre de 2017 mostram algo que já é de amplo conhecimento: a soja é o principal produto da pauta exportadora do Estado, e a China, o principal parceiro comercial do Rio Grande do Sul. Em seguida, na segunda posição, tem-se a Argentina e, na sequência, os Estados Unidos. Esses mercados evidenciam a importância do complexo soja, o automobilístico, o petroquímico e o metalmecânico.

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulga, de forma regular, o valor das exportações por estado da federação e por municípios. O valor por estado considera o valor daquilo que foi efetivamente exportado, produzido, extraído e cultivado em um estado, não importando a localização da sede da empresa. Já o valor das exportações por município leva em consideração, somente, o domicílio fiscal (sede) da empresa. Os dados do quadro abaixo mostram a distribuição por domicílio fiscal e por faixa de valor das empresas exportadoras gaúchas no ano de 2016. Na maior parte das ocorrências, o domicílio fiscal da empresa é o mesmo onde se dá a atividade exportadora. Por outro lado, há exemplos como o de Porto Alegre, em que a atividade exportadora de algumas empresas não se dá no município.

As principais empresas exportadoras com domicílio fiscal no Rio Grande do Sul, em 2016, que exportaram valores acima de US$ 100 milhões, foram: Agco e Petrobrás (Canoas), Tramontina (Carlos Barbosa), Marcopolo (Caxias do Sul), Louis Dreyfus (Cruz Alta), Epcos e GM (Gravataí), Celulose Riograndense (Guaíba), JBS (Montenegro), Amaggi, Bsbios, Cofco Brasil e JBS (Passo Fundo), 4 ADM do Brasil, Cargil, Engelhart CTP e Nidera Sementes (Porto Alegre), Bianchini, BRF S.A., Bunge, Ecovix e Gavilon do Brasil (Rio Grande), Forjas Taurus e Stihl (São Leopoldo), Brasken (Triunfo), China Brasil e CTA Continental (Venâncio Aires), JTI, Souza Cruz e Universal Leaf (Santa Cruz).

Independentemente da faixa de valor em que as empresas exportadoras gaúchas se encontram, o fato é que ao se desagregarem os dados das relações econômicas do Estado com o setor externo, é possível mensurar os efeitos da dinâmica global sobre cada um dos municípios gaúchos em termos de geração de emprego, renda e demanda por serviços públicos nas áreas de educação, saúde pública e assistência social. Assim, levando-se em consideração o valor total das exportações gaúchas de US$ 16,57 bilhões para o ano de 2016, reforça-se a importância e necessidade do monitoramento dos mercados externos das empresas exportadoras no sentido de antecipar o impacto das oscilações externas sobre os efeitos de transbordamento da atividade dessas firmas no dia-a-dia de cada um dos municípios gaúchos em que elas estão estabelecidas. O monitoramento dos cenários globais consolida-se como tarefa imprescindível não só para as empresas, mas também para o Estado do Rio Grande do Sul.

 

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