Textos com assunto: produtividade

Evolução e níveis de produtividade da indústria de transformação gaúcha

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Edição: Ano 23 nº 10 – 2014

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Avaliando os dados fornecidos pela Pesquisa Industrial Anual Empresa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode-se obter uma medida para a produtividade média do trabalho da indústria de transformação do Brasil e de seis estados disponibilizados pela pesquisa, incluindo o RS. Essa medida é obtida através da razão entre o Valor de Transformação Industrial (VTI) e o total de pessoal ocupado no último dia de cada ano. Os dados com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0) estão disponíveis para o período compreendido entre 2007 e 2012.

Na classificação pela produtividade do trabalho da indústria de transformação, o Rio Grande do Sul aparece no quinto lugar entre os seis estados pesquisados entre 2007 e 2011, subindo para quarto em 2012, ultrapassando Minas Gerais. Santa Catarina ocupa a sexta colocação, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo são os dois primeiros.

O Rio Grande do Sul é o estado que apresentou a maior taxa de crescimento na produtividade do trabalho de sua indústria de transformação no período analisado (49,0%), seguido por Santa Catarina (47,0%), Rio de Janeiro (38,7%), Paraná (37,8%), São Paulo (27,8%) e Minas Gerais (15,0%). O crescimento da produtividade brasileira foi de 31,9%. Esse incremento gaúcho, superior à média nacional, deve-se, sobretudo, ao diferencial de crescimento, favorável ao RS, na produtividade dos setores de fabricação de máquinas e equipamentos, de produtos derivados do petróleo e de veículos automotores.

Contudo, apesar desse crescimento superior ao observado nos outros cinco estados, o nível de produtividade do trabalho gaúcho, em 2012, ainda era bastante inferior ao alcançado em alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, que tornaram a média brasileira superior à do RS. Isso se deve ao fato de que alguns setores industriais gaúchos possuem menor produtividade do trabalho que no Brasil, além de questões relativas a uma maior especialização gaúcha em atividades que são por natureza mais intensivas em fator de produção trabalho e uma menor especialização em certas atividades que são mais intensivas em capital. Em 2012, a produção por trabalhador da indústria de transformação gaúcha era de R$ 93.988; já a brasileira atingia o valor de R$ 105.695.

A principal justificativa para as diferenças nos níveis de produtividade do trabalho reside no fato de a atividade de fabricação de produtos derivados de petróleo, a qual é uma das que possuem mais alta produtividade do trabalho da indústria de transformação, ser muito mais representativa para o Brasil do que para o RS. Para o Brasil, em 2012, a atividade participava com 10,4% do VTI total, enquanto, no RS, a mesma foi responsável por apenas 2,8% do VTI total. Isso reflete uma maior especialização dessa atividade no Brasil, colaborando para uma maior diferença pró Brasil nos níveis da produtividade do trabalho. O Rio de Janeiro possui o maior VTI por trabalhador entre os estados brasileiros, justamente devido à elevada importância do refino do petróleo na sua indústria de transformação.

Outra atividade que contribuiu para uma menor produtividade média do trabalho no Estado é a fabricação de calçados, a qual é mais intensiva em trabalho e possui uma relevância maior para a indústria gaúcha. Esta, em 2012, era responsável por 5,2% do VTI gaúcho; já no Brasil, participava com 1,4% do VTI total, sendo mais um setor responsável por aumentar a disparidade entre os níveis de produtividade gaúcho e brasileiro.

Já na atividade de fabricação de produtos químicos, ocorreu o inverso do que aconteceu no setor calçadista. Desde 2007, a produtividade gaúcha obtinha um patamar superior ao brasileiro. Essa atividade, que é bastante significativa tanto para o Brasil quanto para o RS, concentrava, em 2012, 8,1% do VTI no RS e 7,4% no Brasil. A fabricação de veículos automotores, camionetas e utilitários é outra subatividade em que o RS superou o Brasil em termos de produtividade do trabalho, também sendo relevante em termos de participação no VTI total. Entretanto, apesar de esses dois setores terem apresentado maior produção por empregado no RS, não foram capazes de compensar o efeito na produtividade decorrente dos diferenciais de participação da fabricação de produtos derivados do petróleo.

As três atividades com maior participação no VTI do RS, em 2012, foram fabricação de produtos alimentícios (16,1%), fabricação de produtos automotores, reboques e carrocerias (12,9%) e fabricação de máquinas e equipamentos (10,1%). A produtividade do trabalho dessas três atividades foi semelhante à brasileira. Outra atividade relevante para o RS foi a fabricação de produtos do fumo, sendo responsável por 47,2% do VTI brasileiro em 2012 e também apresentando produtividade semelhante à gaúcha. Portanto, são aquelas atividades mencionadas anteriormente que, de fato, explicam as diferenças de produtividade do trabalho existentes entre o Brasil e o RS.

Entre as subatividades de maior produção por trabalhador no RS, em 2012, encontram-se fabricação de resinas e elastômeros (R$ 1.284.601/trabalhador) e fabricação de produtos derivados do petróleo (R$ 1.266.883/trabalhador). As duas demandam elevada tecnologia e são muito especializadas, dependendo em maior grau do fator produtivo capital que trabalho para geração de valor.

Evolução e níveis

 

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Perda de participação da Região Sul do Estado na produção de pêssego

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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A região Sul do Estado vem, há muitas décadas, perdendo participação econômica no total do RS com relação às demais regiões. Ainda que essa tendência se tenha manifestado mais fortemente após a abertura do mercado doméstico, refletiu também a dificuldade das lideranças empresariais locais em fazer frente aos parâmetros internacionais de competitividade. Esse fato está bem ilustrado pela significativa perda de participação da produção de pêssego dos Municípios de Pelotas e Canguçu, em contraponto à ampliação significativa de outros municípios, em particular os Serra gaúcha. Dentre esses, destacam-se Bento Gonçalves e Farroupilha – cujo tecido econômico é mais diversificado -, que elevaram sua representatividade conjunta na produção de pêssego de 10,5% em 1991 para 23,9% em 2006, além de desenvolverem e introduzirem novos produtos agroindustriais dentro da linha de doces e conservas.

A região de Pelotas, grande produtora de pêssego e processadora de conservas, sofreu igualmente a concorrência dos países do Cone Sul – Uruguai, Argentina e Chile – que melhor se adequaram às novas exigências do mercado mundial. Visando melhorar a competitividade, são importantes o fortalecimento e o aperfeiçoamento da produção do setor no Estado, tanto da fruta in natura quanto das conservas.

Perda de participação da Região Sul do Estado na produção de pêssego

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