Textos com assunto: Produtividade agrícola

Fumo: política para reconversão favorece produtores gaúchos

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Edição: Ano 21 nº 07 - 2012

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As políticas públicas para a agricultura familiar sempre tiveram como objetivo aumentar a produção de alimentos, gerar renda no campo e incentivar a organização econômica dos produtores. Recentemente, no entanto, o Brasil ousou avançar em propostas para esse segmento produtor, validando decisões da Convenção-Quadro Para o Controle de Tabaco da Organização Mundial da Saúde — tratado internacional de saúde pública, que visa à orientação e à implantação, pelos países signatários, de políticas que apoiem o combate ao tabagismo.

O Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), foi criado para apoiar alternativas de reconversão economicamente viáveis aos fumicultores. Projetos de pesquisa, de capacitação e de assistência técnica e extensão rural foram instituídos e, em parceria com prefeituras, procuram orientar esses agricultores na técnica de plantio de novas culturas e no acesso aos mercados. Para o Rio Grande do Sul, que detém cerca da metade da área plantada com tabaco no Brasil (informação sobre o ano de 2010), o Programa pretende alcançar cerca de 10.000 agricultores familiares, cuja produção está praticamente concentrada em 11 municípios, que perfazem cerca de 40% da quantidade produzida, da área plantada e do valor da produção no Estado.

A policultura parece ser a alternativa mais favorável, uma vez que outros programas de apoio do MDA, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar, garantem a comercialização das colheitas, assim como o Programa Mais Alimentos, que possibilita o acesso ao crédito para a aquisição de tratores e utilitários.

Fumo política para reconversão favorece produtores gaúchos

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Desempenho da agricultura no primeiro semestre e perspectivas para 2011

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Edição: Ano 20 nº 08 - 2011

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O desempenho da lavoura gaúcha, no primeiro trimestre de 2011, foi destaque no resultado do Índice Trimestral da Atividade Produtiva (ITAP), divulgado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Registrou-se um crescimento real de 33,4% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Tal desempenho impulsionou significativamente a economia do Estado, contribuindo com 2,5 pontos percentuais do crescimento de 7,3% apontado pelo indicador. Dois produtos determinaram o grande crescimento real da agricultura no primeiro quarto do ano: o arroz e o fumo. Juntas, essas duas culturas, que apresentaram crescimentos expressivos no período, representam em torno de 65% do valor produzido pela agricultura no primeiro trimestre.

O arroz apresentou um crescimento de 27,6% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Esse movimento retoma a trajetória de crescimento dessa cultura, iniciada em 2007 e interrompida em 2010 devido a uma quebra de safra. Em 2011, alcançou-se a maior quantidade produzida da série histórica. Segundo estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a produção de arroz em 2011 será de, aproximadamente, 8,9 milhões de toneladas. O crescimento do arroz deu-se tanto em área colhida (11,1%) quanto em produtividade (14,8%), que é definida como a razão entre a quantidade produzida em toneladas e a área colhida em hectares.

A outra principal cultura do primeiro trimestre, o fumo, apresentou um crescimento de 38,7% em relação a igual período do ano anterior. O crescimento deste ano dá-se sobre dois anos de queda da quantidade produzida, quando a produção caiu 23%. Com o crescimento em 2011, a produção ultrapassou ligeiramente o patamar alcançado em 2006 e 2007, com uma quantidade produzida da ordem de 475.000 toneladas, de acordo com projeções do LSPA. Diferentemente do arroz, a área de cultivo reservada ao fumo manteve-se praticamente estável, com um crescimento de 1,3%. O bom desempenho da lavoura de fumo veio a partir de um aumento de 42,3% da produtividade do setor, que se deve, em parte, à quebra de safra do ano anterior.

Com os dados disponíveis até junho, já se pode projetar o desempenho da agricultura gaúcha no ano de 2011. Isto porque cerca de 90% do seu valor é gerado no primeiro semestre do ano, período em que se concentram as principais culturas produzidas no Estado (soja, arroz e fumo). Aproximadamente, 33% da produção anual da agricultura ocorrem no primeiro trimestre, e 57%, no segundo. O principal produto da lavoura do Estado no segundo trimestre é a soja, representando em torno de 60% da produção desse período. A soja também é o principal produto da lavoura do Estado quando se considera a produção de todo o ano, representando 36,9% da lavoura gaúcha, seguida do arroz (25,0%) e do fumo (10,8%).

Segundo dados do LSPA, o crescimento previsto para a produção de soja em 2011 é de 13,7%, o que significa um novo recorde de produção, estimada em, aproximadamente, 11,8 milhões de toneladas. Este é o terceiro ano consecutivo de crescimento da produção de soja, após a quebra de safra de 2007. O que garantiu a continuidade do crescimento da produção neste ano foi, principalmente, o aumento de 10,4% da produtividade e, em menor grau, o crescimento de 3,0% da área colhida.

Impulsionada pelo crescimento das três principais culturas do Estado, a agricultura gaúcha, em 2011, deverá apresentar um bom resultado. A partir das estimativas do LSPA relativas a junho, pode-se estimar um crescimento da lavoura em 2011, medida pelo ITAP, de 17% aproximadamente, crescimento maior do que o ocorrido no último ano.

Desempenho da agricultura no primeiro semestre

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Indústria em lenta recuperação e moderadas expectativas

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Edição: Ano 18 nº 10 - 2009

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A queda da produção industrial brasileira e gaúcha teve início no mês de out./08, a partir da crise financeira internacional, que repercutiu sobre a atividade produtiva mundial. Em set./08, a produção da indústria de transformação brasileira cresceu 9,6%, em relação a igual mês do ano anterior, e declinou para -14,3% no mês de dezembro. No RS, os resultados respectivos foram de 15,9% e -17,1%. Esses resultados continuaram em queda livre até jan./09, quando a indústria de transformação brasileira apresentou uma taxa de -17,4%, e a gaúcha, de – 20,7%.

A partir de fev./09, teve início um movimento de recuperação – embora moderado -, que se manteve até o mês de julho, última informação disponível. No Brasil, o setor industrial alcançou julho com uma taxa de -9,9%, o que representa uma variação de 7,5 pontos percentuais em relação a jan./09, e, no Estado, o resultado foi de -7,6%, representando uma oscilação positiva de 13,1 pontos percentuais na comparação com jan./09. As medidas de estímulo ao consumo interno, como a preservação do poder de compra dos salários, as melhores condições de crédito ao consumidor e a redução do IPI para os bens de consumo duráveis, exerceram forte efeito positivo. Os bancos públicos atuaram no mesmo sentido, garantindo o crédito e apoiando novos investimentos, sobretudo em energia e infraestrutura. Entretanto deve-se considerar que houve um recuo da formação bruta de capital fixo no Brasil de 20,7%, entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Destaca-se, ainda, a manutenção da queda nas exportações, responsável pela redução de 50% da atividade industrial brasileira no primeiro semestre de 2009 (BNDES).

No RS, o acumulado dos sete primeiros meses de 2009, em relação a igual período do ano anterior, mostrou que houve recuperação das indústrias de refino de petróleo, celulose, outros produtos químicos, fumo, bebidas, mobiliário e alimentos, que, além de ampliarem a produção ao longo do ano, apresentaram taxas acumuladas superiores às do total da indústria.As quatro primeiras vêm crescendo graças ao aquecimento do mercado doméstico e à retomada de suas exportações. As demais beneficiaram-se apenas do mercado doméstico. Aliás, a indústria de alimentos, por conta das vendas internas, conseguiu atravessar o período de crise com quedas bastante moderadas da produção, tanto no RS como no Brasil. Por outro lado, é extremamente preocupante o comportamento da produção de calçados e de máquinas e equipamentos, que continuam acumulando quedas sucessivas. A importância do setor calçadista reside no fato de ele ser grande gerador de empregos e por seus efeitos de encadeamento interindustrial. No caso de máquinas e equipamentos, seu destaque prende-se à capacidade de difundir inovações, sendo um dos poucos segmentos da indústria gaúcha que se inclui no grupo de média/alta tecnologia.

Os números registram uma retomada, ainda que lenta, da produção industrial brasileira e gaúcha. No entanto, essa recuperação baseia-se na ampliação da utilização da capacidade instalada, uma vez que os investimentos continuam em queda, revelando que as expectativas empresariais ainda não apostam em uma reversão sustentada. Essa prudência repousa no fato de que o mercado mundial continua pouco dinâmico e de que o sistema financeiro internacional permanece instável.

Indústria em lenta recuperação e moderadas expectativas

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As previsões para a safra de verão 2008/2009

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Edição: Ano 18 nº 05 - 2009

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No contexto da atual crise econômica mundial, qualquer previsão negativa a respeito do desempenho dos setores e/ou de queda nas diferentes variáveis econômicas tem grande impacto, uma vez que aprofunda o quadro de recessão, e as estimativas de março do IBGE para a produção de grãos na safra brasileira de verão de 2008/2009 não são animadoras. De acordo com as previsões, essa safra terá uma redução de quase 6% em relação ao volume colhido em 2008. A diminui- ção será decorrente da retração da produção de milho, que está estimada em torno de 13%, e de um volume 2,3% menor na colheita de soja, no Brasil. No caso da cultura do milho, foi, na sua maior parte, o baixo preço de comercialização do grão em 2008 o responsável pela redução no volume produzido. Como o milho tem importância fundamental na composição das rações para aves e suínos, podem-se esperar problemas de abastecimento e encarecimento das rações e, conseqüentemente, pressão sobre os preços desses dois tipos de carne.

No Rio Grande do Sul, as previsões são mais otimistas. A safra de grãos de verão no Estado deverá ser 3% maior em 2009 do que no ano passado. Os piores resultados foram registrados na produção de milho, que sofreu uma redução de quase 12%. A diminuição da produção deu-se em função da redução da área plantada, decorrente dos baixos preços de comercialização, e foi acentuada pelos problemas climáticos no decorrer do período produtivo.

As previsões para a safra de verão 20082009

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Agricultura familiar: medidas para um resultado de safra promissor

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Edição: Ano 17 nº 11 - 2008

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A próxima safra de verão está sendo plantada em meio a uma crise global generalizada. O aumento dos preços de fertilizantes e combustíveis força os custos de produção para cima, enquanto a diminuição dos depósitos à vista reduz uma das principais fontes de recursos do crédito rural. A conseqüência desse impasse é um plantio que exige mais dinheiro por hectare em contraposição a uma menor oferta de crédito.

Para a agricultura familiar, no entanto, o Pronaf assegura os recursos para a safra 2008/2009. No Rio Grande do Sul, esses recursos, que vêm aumentando significativamente a
partir de 2004, serão de R$ 2,6 bilhões nessa safra, 37,6% maiores do que os utilizados na safra anterior. Como o Programa objetiva estimular a produção de alimentos populares cujos preços estão em alta, como arroz, feijão, leite e trigo, o Governo Federal instituiu ainda o Pronaf Mais Alimentos – uma linha de crédito para investimentos em infra-estrutura do estabelecimento familiar. Financiando a aquisição de máquinas e de equipamentos agrícolas, a correção e a recuperação de solos, a irrigação, a implantação de pomares e estufas e a ampliação da capacidade de armazenagem, essa linha de crédito cria as condições necessárias para um aumento significativo da produção e da produtividade e para o restabelecimento adequado dos volumes de estoques nacionais.

De modo geral, os instrumentos de política agrícola utilizados pelo Governo para a agricultura familiar são bem conhecidos (seguro agrícola, preços mínimos, crédito, aquisição de alimentos) e podem ser muito eficientes, se manejados na hora certa.

Agricultura familiar medidas para um resultado de safra promissor

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Rendimentos em queda nas culturas de verão do RS

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Edição: Ano 17 nº 03 - 2008

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Quinta Estimativa da Safra de Grãos (Conab, fev./2008) sinaliza redução, no RS, no rendimento médio dos principais grãos da safra de verão ora em curso. Em relação ao arroz, cuja colheita inicia em fevereiro, é previsto um rendimento de 6.697 kg/ha, pouco inferior ao da safra passada (-0,4%). Para o milho (primeira safra), é esperada, até o momento, uma redução maior, de 7,3%, na produtividade dessa safra, em relação à obtida na anterior. Quanto à soja, a redução é ainda mais significativa, ficando 15,7% inferior ao rendimento médio de 2.550 kg/ha obtido na safra de 2007. Salienta-se que a área plantada com esses produtos, na safra 2007/2008, no RS, aumentou 11,4% para o arroz, foi maior em 1,7% para o milho e diminuiu 1,9% para a soja.

O clima dos últimos dias preocupa os produtores, uma vez que algumas culturas que se encontram em fase crítica indicam a necessidade de que haja precipitações nos próximos dias, para a manutenção do seu bom desenvolvimento, como é o caso da lavoura de soja. Entretanto a Metsul Meteorologia alerta sobre problemas localizados de estiagem no interior gaúcho, que podem ser ampliados nas próximas semanas.

Essa situação deve ser acompanhada com muita atenção, uma vez que, com o pouco incremento na área plantada do milho e a redução na da soja, na safra em curso, as reduções no rendimento médio podem indicar um desempenho menos satisfatório do que o obtido em 2007 e contribuir para a diminuição da renda agrícola do segmento, mesmo com a manutenção de preços favoráveis que ocorrem presentemente.

Rendimentos em queda nas culturas de verão do RS

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Safra de verão 2007/2008: uma aposta no aumento da produtividade

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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De acordo com o primeiro levantamento (out./07) das intenções de plantio da safra de verão 2007/2008 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, o crescimento das vendas de insumos e máquinas agrícolas no País indica uma expectativa bastante positiva com relação à produtividade para tal safra.

Mas, se, no caso das máquinas, esse crescimento é explicado, na sua maior parte, por investimentos em segmentos fora do setor produtor de grãos — como o de cana-de-açúcar e o florestal —, no caso dos fertilizantes, está relacionado com o aumento da área de cultivo de milho e, especialmente, com a maior utilização de tecnologia. A Associação Nacional para Difusão de Adubos e Corretivos indica que as vendas de janeiro a setembro de 2007 foram 33% superiores às de igual período de 2006.

No Rio Grande do Sul, o crescimento esperado na produção de grãos de verão é superior ao estimado para o Brasil e decorreria de ganhos de produtividade, pois há a redução das áreas utilizadas com as culturas de verão no Estado. Essas expectativas também são reflexo do aumento das compras de fertilizantes — o Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos do Rio Grande do Sul indica aumento de 25% nas vendas de janeiro a setembro de 2007, em relação a igual período de 2006.

Safra de verão 2007 2008 uma aposta no aumento da produtividade

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Milho e soja: repetirão desempenho em 2008?

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Edição: Ano 16 nº 10 - 2007

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As safras de milho e de soja do Brasil e do Rio Grande do Sul, em 2007, apresentaram resultados alentadores na produção e na produtividade. No Brasil, a produção de soja cresceu 11,0%, mesmo com redução de 6,7% na área plantada, e o milho alcançou a expressiva produção de 52,205 milhões de toneladas (mais 22,4%), com uma expansão de 8,0% na área. No Estado, a produção de soja cresceu 31,5%, com incremento de área de 0,6%, e o milho, cuja área se reduziu de 1,4222 para 1,3660 milhão de hectares, apresentou incremento de 32,3% na produção. Portanto, no Rio Grande do Sul, reduziu-se a área plantada com milho, e a da soja manteve-se praticamente estável; no Brasil, ampliou-se a área de milho, e reduziu- se a da soja, significando, em todos os casos, ganhos expressivos de produtividade.

Nos EUA, maior produtor mundial desses grãos e onde a produção dos biofuels é estimulada, plantou-se, em 2007, 14.561 milhares de acres a mais do que em 2006, e produziu-se 13.307.999 milhares de bushels de milho (matéria-prima para o etanol), contra 10.534.868 na safra anterior. A soja, que concorre com o milho em área, teve esta reduzida de 75.522 para 64.081 milhares de acres, diminuindo em 17,9% a produção.

Havendo a safra 2006/2007 ocorrido num cenário de preços domésticos e internacionais favoráveis — com a renegociação das dívidas em andamento, com os juros (custeio e comercialização) reduzidos para 6,75%, face aos 8,75% da safra já colhida, e o volume do crédito rural ampliado em 16%, no País, passando para R$ 58 bilhões programados no Plano Agrícola e Pecuário 2007-2008 —, a questão que se impõe é qual será o comportamento dos produtores gaúchos e brasileiros quanto à área a ser plantada com esses grãos na safra 2007/2008.

Milho e soja repetirão desempenho em 2008

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A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

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Edição: Ano 15 nº 02 - 2006

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A economia do Rio Grande do Sul apresentou retração de 4,8% em 2005. Metade dessa taxa (2,4%) deve-se à agropecuária, que, participando com 16% na estrutura da economia, teve um crescimento notoriamente afetado pela estiagem, de -15,2%.

A lavoura representou 62% do valor de produção agropecuária, e 34% originou-se da produção animal, cabendo o resíduo às demais atividades do setor.

A lavoura gaúcha decresceu 21,2%. As principais culturas (que conjuntamente representam 84% do valor produzido) apresentaram taxas decrescentes de produção em 2005, em relação a 2004, conforme tabela. O milho e a soja destacaram-se pelas maiores quedas (-56,0% e -55,9% respectivamente), seguindo-se feijão (-43,9%) e trigo (-21,4%). Mesmo aquelas culturas que conseguiram desempenhos satisfatórios em suas produções, no ano de 2004 (arroz, fumo e uva), sofreram queda de produção em 2005.

Os efeitos da prolongada estiagem de dois anos são bem evidenciados nos casos da soja e do milho. A produção de soja foi de mais de 9,5 milhões de toneladas em 2003 e diminuiu para menos de 2,5 milhões em 2005, com um decréscimo de 74,5% nesse período. Ou seja, produziu-se, em 2005, apenas pouco mais de um quarto do que havia sido produzido em 2003. Da mesma forma, o milho, que, de uma produção de 5,4 milhão de toneladas em 2003, caiu para 1,4 milhão, com decréscimo de 72,6%. Considerando que essas duas culturas corresponderam a 21% do valor de produção da lavoura, tem-se uma idéia da sua repercussão no desempenho da agricultura gaúcha.

O arroz e o trigo são casos específicos, pois o primeiro é cultura irrigável, e o segundo, cultura de inverno. O arroz acusou queda significativa de preços nesse período, diminuindo o reflexo positivo do bom desempenho em sua produção, em 2004. Segundo a FGV, em dez./03, o preço do arroz no RS era de R$ 0,76/kg; em dez./04, R$ 0,53/kg; e, em set./05, último dado disponível, R$ 0,41/kg. No caso do trigo, também houve queda de preços, e, além disso, ocorreu significativa redução da área plantada (-24,9%) em 2005.

A análise da produtividade mostra outro ângulo da crise agrícola. Em 2005, dos produtos citados, somente o trigo teve crescimento de produtividade (4,7%). Nos dois últimos anos, a soja foi a cultura que mais perdeu produtividade — de 2,67 toneladas por hectare em 2003 passou a 1,40 em 2004 e a 0,66 em 2005, ou seja, variação de -75,4% no período 2003/05 —, seguida pelas de milho (-59,9%), feijão (-21,9%), trigo (-14,8%) e mandioca (-13,7). Salienta-se que, em 2004, o ganho de produtividade do arroz foi de 24,3% e que, em 2005, não houve ganhos.

A perspectiva para o ano de 2006 é de crescimento na agricultura gaúcha. A meteorologia não indica clima adverso como o dos dois últimos anos, a base de comparação é baixa, e as previsões de demanda de produtos agrícolas, tanto interna como externa, são de aumento. Cabe ressaltar, entretanto, que os agricultores se encontram em situação econômica bastante precária, dadas as perdas recentes sofridas.

A estiagem, a produção e a produtividade da lavoura gaúcha

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Estiagem frustra previsão de supersafra no RS

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Edição: Ano 14 nº 01 - 2005

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Quebras de safra ocasionadas por problemas climáticos, como as de 2002 e de 2004, são comuns no Rio Grande do Sul, revelando-se, ao longo do tempo, uma desvantagem competitiva em relação a outros estados do País que não enfrentam tal problema com a mesma intensidade. Dentre os principais estados produtores de grãos do País, em função do clima, o RS é o que tem apresentado a maior variação de produtividade.

Para a safra de verão 2004/2005, o IBGE previa, em dezembro de 2004, uma produção recorde para o Estado, podendo alcançar 20,7 milhões de toneladas, divididas entre os quatro principais grãos (ver tabela). Acontece que o clima deverá frustrar, pelo menos em parte, essa previsão. A estiagem que atinge o RS desde o final de 2004 deve comprometer a produtividade do feijão e do milho, sendo que a do arroz e a da soja ficarão na dependência do comportamento futuro das chuvas.

Os baixos preços recebidos pelos produtores nos últimos anos têm estimulado a diminuição da área de feijão em favor das do fumo e da soja, que vêm apresentando melhores rentabilidades. Se a área menor já faria diminuir a produção nesta safra, as perdas em conseqüência da falta de chuva, que podem variar de 20% a 30%, conforme a Emater-RS, farão com que o volume colhido de feijão seja ainda menor que o previsto inicialmente.

O cultivo do milho continua perdendo área, principalmente para a soja. Desde 2001, 350 mil hectares deixaram de ser usados para o plantio do cereal. Na safra passada, a produção de milho foi extremamente prejudicada pela estiagem, sofrendo perdas de quase 30% em seu rendimento médio. Dentro da normalidade, previa-se que sua produtividade reagisse neste ano, podendo alcançar 3.875 kg/ha, um acréscimo de 38% em relação à safra anterior. Com a estiagem iniciada em novembro de 2004, a produtividade da lavoura de milho deve diminuir, mesmo que de maneira distinta entre as regiões produtoras. A Emater-RS estima perdas que vão de 30% a 50% nas regiões mais afetadas. Entretanto é bem provável que a presente estiagem cause menores prejuízos do que aquela ocorrida na safra passada. Isto porque as precipitações, mesmo que irregulares, ocorridas na segunda semana de janeiro permitiram replantios em certas regiões, que poderão desenvolver-se bem, se as previsões da meteorologia, que indicam chuvas um pouco acima ou igual à média a partir do final de janeiro, se confirmarem.

Quanto ao arroz, o baixo nível das barragens na época do plantio impediu que a área cultivada na safra passada se repetisse na de 2004/2005, encolhendo 10 mil hectares. Além disso, os problemas com a irrigação só aumentaram nas últimas semanas de dezembro em função da estiagem, o que pode comprometer a produtividade da cultura, estimada inicialmente pelo IBGE em 5.853 kg/ha.

A incorporação de áreas antes destinadas à pecuária e ao milho fez com que houvesse incremento de 4,1% na área de soja. Entretanto expectativas de menor rentabilidade nesta safra acarretaram desaceleração no crescimento da incorporação de novas áreas ao cultivo da oleaginosa. A produção esperada é de 9,4 milhões de toneladas, com rendimento médio de 2.275 kg/ha, bem abaixo do recorde de 2003, de mais de 2.600 kg/ha. A estiagem ameaça comprometer a produtividade da soja, mas a quantificação das perdas ainda é prematura, ainda mais que a provável mudança no quadro climático pode reverter, em parte, os potenciais prejuízos.

Estiagem frustra previsão de supersafra no RS

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