Textos com assunto: PIB

Os municípios gaúchos com os maiores ganhos de participação no PIB

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Edição: Ano 24 nº 01 - 2015

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Os 10 municípios que mais ganharam participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, entre os anos de 2003 e 2012, foram Caxias do Sul, Rio Grande, Passo Fundo, Gravataí, Cachoerinha, Guaíba, Uruguaiana, Pelotas, Lajeado e Santa Maria. Todos eles estavam entre as 20 maiores economias do Estado em 2012.

O ganho significativo de Caxias do Sul deveu-se ao crescimento da sua indústria, sobretudo nas atividades de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias e produção de máquinas e equipamentos. Nesse período, inclusive, o Município superou Canoas, tornando-se a segunda maior economia do Estado. A indústria também foi o setor responsável pelos ganhos de participação de Gravataí, Guaíba, Lajeado e Santa Maria.

Em Gravataí, o incremento na participação também se deveu ao setor automotivo. Guaíba teve elevação considerável na fabricação de celulose e produtos de papel.  Já os municípios de Lajeado e Santa Maria obtiveram incremento elevado na atividade de fabricação de produtos alimentícios.

Para os Municípios de Rio Grande, Pelotas e Passo Fundo, a elevação na participação ocorreu devido ao setor de serviços, mais especificamente no comércio. Para o primeiro, ocorreu crescimento significativo no comércio atacadista, enquanto, para o segundo, houve acréscimo elevado no varejista. Já para o último, houve incremento no comércio atacadista especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Parte do ganho elevado de Rio Grande também foi devido ao ganho de participação nos impostos. O mesmo ocorreu para os Municípios de Cachoeirinha e Uruguaiana.

Em Cachoeirinha, o ganho deveu-se ao elevado aumento na arrecadação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), decorrente do aumento da alíquota para produtos do fumo. Já para os Municípios de Rio Grande e Uruguaiana, a principal alta ocorreu no imposto de importação.

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PIB e população nas mesorregiões do Rio Grande do Sul: 2001-11

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Edição: Ano 23 nº 08 – 2014

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O desenvolvimento de uma região não ocorre uniformemente no território, tornando pertinente entender como cada localidade é impactada pelas transformações econômicas. De 2001 a 2011, a economia do RS sofreu diversas transformações: o boom das commodities agrícolas e da agroindústria; uma dificuldade da indústria tradicional em competir com a China e um câmbio valorizado; o sucesso das indústrias metal-mecânica e automotiva; e o surgimento do Polo Naval de Rio Grande.

São analisados a população, o Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB per capita das sete mesorregiões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Estado, nos anos de 2001 e 2011. A mesorregião Centro Ocidental engloba, dentre outros, os Municípios de Santa Maria e Santiago. A Centro Oriental engloba os Municípios de Cachoeira do Sul, Lajeado e Santa Cruz do Sul. A mesorregião Metropolitana inclui a Região Metropolitana de Porto Alegre, municípios de seu entorno e do Litoral Norte. A mesorregião Nordeste inclui municípios da Serra, como Caxias do Sul, Guaporé e Vacaria. O Planalto e o Alto Uruguai são representados na mesorregião Noroeste, cujos maiores municípios são Erechim, Ijuí e Passo Fundo. O Sul do Estado divide-se entre as mesorregiões Sudeste — Municípios de Jaguarão, Pelotas e Rio Grande — e Sudoeste, que abriga, dentre outros, os Municípios de Bagé e Uruguaiana.

O crescimento populacional seguiu a tendência das últimas décadas, com crescimento menor em todo o Estado (4,6% em 2001-11, após crescer 11,48% entre 1991 e 2000), abaixo da média nas mesorregiões mais a sul e oeste, e acima da média nas mesorregiões Metropolitana e Nordeste. Neste último período, no entanto, a Nordeste é que puxou o crescimento populacional, e não a Metropolitana, ao contrário das décadas anteriores; e a mesorregião Centro Oriental, que, nas décadas anteriores, cresceu abaixo da média estadual, agora também cresceu acima, indicando a expansão da área de atração populacional. Enquanto isso, Noroeste, com crescimento populacional pequeno nas décadas anteriores, teve perda absoluta de população nesse período.

Nas mesorregiões do Sul, após décadas de crescimento populacional similar e abaixo da média estadual, a população da Sudeste cresceu 1,7% entre 2001 e 2011, enquanto a mesorregião Sudoeste a viu cair em 3,1%. Reflete-se aí o efeito atrativo do Polo Naval de Rio Grande, cujo impacto tende a aumentar após 2011. Em relação ao PIB, a mesorregião Sudeste é, ao lado da Nordeste, aquela em que ele mais cresceu no período, enquanto a Sudoeste está entre as de menor crescimento. Esse descolamento recente nas tendências de PIB e população torna difícil tratar ambas as regiões como uma “metade sul”, em que pesem as semelhanças históricas.

A mesorregião Metropolitana teve menor crescimento do PIB no período, devido à crise estrutural do setor coureiro-calçadista e de outros setores da indústria tradicional do Estado, afetados pelo câmbio valorizado e pela concorrência chinesa. A região continuou responsável, no entanto, por quase a metade do PIB estadual. Afora essa e a região Sudoeste, todas as outras cresceram acima da média estadual, com destaque para Noroeste, Sudeste e Nordeste. A primeira beneficia-se do bom desempenho da soja no Estado e no País, em especial com crescimento expressivo na indústria de máquinas e equipamentos agrícolas. A mesorregião Sudeste também se beneficiou do momento favorável para as commodities agrícolas e do surgimento do Polo Naval de Rio Grande. A Nordeste cresceu a partir da indústria metal-mecânica e automotiva.

Em relação ao PIB per capita, destacam-se as mesorregiões Sudeste e Noroeste, pelo bom desempenho produtivo combinado a um baixo crescimento populacional. Nordeste e Centro Oriental, com acréscimos populacionais acima da média estadual, tiveram crescimento do PIB per capita mais baixo, mesmo com o bom desempenho do PIB, e a mesorregião Metropolitana, com crescimento baixo do PIB e expansão populacional, apresentou a menor variação do PIB per capita no período. Preocupa, entretanto, a Sudoeste, com o menor PIB per capita entre as mesorregiões e cujo aumento está entre os menores, sendo puxado pela perda populacional significativa, indício de baixa dinâmica econômica.

Os dados indicam uma decadência relativa da mesorregião Metropolitana, mas que ainda atrai população e tem PIB e PIB per capita altos. A mesorregião Nordeste, encabeçada por Caxias do Sul, desponta como força econômica crescente e como polo de atração demográfica, enquanto Noroeste e Sudoeste têm decréscimo populacional e devem ser alvo de maior atenção no que tange às tendências de desenvolvimento para os próximos anos.

população, produto interno

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Desenvolvimento regional do RS no contexto brasileiro

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Edição: Ano 23 nº 06 – 2014

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Recentemente, a Fundação de Economia e Estatística revisou o dado preliminar do crescimento do Estado em 2013, que atingiu expressivos 6,3%, número bastante superior ao resultado para o Brasil como um todo, cujo crescimento chegou a 2,3% no mesmo ano. A divulgação desse número é acompanhada pela tão requisitada participação do RS na produção total do Brasil, no ano passado, que teria ficado em torno de 6,4%, recuperando o patamar de 2011. É interessante a grande obsessão da sociedade e da mídia pelo tamanho da fatia gaúcha no bolo brasileiro. Embora boa parte do  crescimento seja decorrente de uma “base fraca”, resultado do retrocesso da economia gaúcha em 2012, pretende-se demonstrar aqui que o desempenho de longo prazo do Rio Grande do Sul, em comparação com o de outras unidades da Federação, está longe de ser ruim, particularmente quando se consideram as peculiaridades demográficas do Estado e o papel do Rio Grande do Sul em uma nação ainda muito desigual em seu território.

Com a atual participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o Rio Grande do Sul é a quarta principal economia do País, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo seguido de perto por Paraná, na quinta colocação, e Santa Catarina, um pouco mais distante, em sexto lugar. No entanto, mais importante do que seu tamanho absoluto, ao longo do período analisado, o Rio Grande do Sul manteve um PIB per capita em um nível bastante superior à média brasileira, ao redor dos 16% após a estiagem de 2005, fenômeno que também impactou o Estado em 2012, como indica o gráfico ao lado. Minas Gerais, por sua vez, tem um PIB por habitante cerca de 10% inferior à média brasileira, tendo chegado a ser 19% inferior em 2002. Enquanto isso, São Paulo, que, em 2007, chegou a um PIBpc 56,7% superior à média nacional, e Rio de Janeiro, com um máximo de 38,3% de superioridade sobre o país em 2006, também apresentaram uma leve convergência em direção à média brasileira, registrando, em 2011, uma superioridade de 50,8% e 33,4% respectivamente.

Portanto, cabe ressaltar que o Rio Grande do Sul pertence ao seleto grupo dos oito, dentre 27 unidades da Federação, que, em 2011, possuíam renda gerada per capita superior à média nacional, incluindo o Distrito Federal, que está no topo da lista. A importância disso fica evidente frente ao tamanho da desigualdade territorial brasileira, em que 13 unidades da Federação, naquele ano, apresentavam uma produção anual por habitante mais de 40% inferior à média do País. Isso mostra como o Rio Grande do Sul já se encontra, há muitos anos, entre os estados brasileiros com maior produtividade média, o que também se reflete nos seus indicadores de desenvolvimento e qualidade de vida, em geral.

Estando o RS em uma condição relativamente mais avançada, supõe-se que o crescimento puxado pelos ganhos de produtividade é mais lento do que nos estados mais pobres, e a expansão do PIB regional passa a depender mais da velocidade com que aumentam os fatores produtivos, como é o caso da mão de obra. Nesse quesito, no entanto, o crescimento gaúcho é muito inferior ao do resto do País. Entre 2002 e 2011, a população do Rio Grande do Sul apresentou uma taxa de crescimento de cerca de um terço da verificada na população brasileira e de quase a metade do crescimento demográfico dos demais estados apresentados no gráfico (com exceção de Santa Catarina, cuja população cresceu ainda mais do que a brasileira).

Na corrida pelo desenvolvimento, é desejável que aquelas regiões do território nacional que possuem um nível inferior de produtividade média logrem alcançar aqueles estados que hoje se encontram na frente, desde que estes não estejam ficando mais pobres. É com esse enfoque que uma série de programas do Governo Federal vem atuando nos últimos 15 anos, em particular no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento Regional. Esses programas atuam buscando “reduzir as desigualdades regionais e ativar os potenciais de desenvolvimento das regiões no País”. Se a fatia relativa dos mais ricos diminui e sua renda por habitante está mais próxima da média brasileira, isso é sinal de sucesso e não o contrário. No entanto, essa conclusão vale apenas quando olhamos o Brasil como uma nação, e não como um emaranhado de unidades federadas que competem entre si, como de praxe.

Desenvolvimento regional do RS no contexto brasileiro

Tomás Pinheiro Fiori
Economista, Pesquisador da FEE

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Mudanças na composição do PIB global no novo século

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Edição: Ano 23 nº 01 – 2014

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Ao se analisar a conjuntura econômica internacional neste novo século, um dos temas mais discutidos é o da suposta perda de poder relativo norte-americano e a ascensão da China ao posto de segunda maior economia do mundo e principal competidora da nação hegemônica. Este texto apresenta as principais mudanças na composição do Produto global, de forma a ilustrar tais acontecimentos.

Ao se verificarem os dados do Banco Mundial para o Produto Interno Bruto (PIB) em paridade de poder de com-pra a dólares constantes de 2005, os EUA vêm perdendo participação no Produto global, em um movimento lento e constante: em 2001, a sua fatia correspondia a 22,92%, parcela que caiu para 18,66% em 2012. No comércio internacional, segundo dados da Organização Mundial de Comércio, os EUA perderam a liderança nas exportações mundiais, posição que mantiveram durante grande parte dos anos 90, sendo ultrapassados pela Alemanha em 2003 e pela China em 2007, apenas recuperando o segundo posto em 2010, com o agravamento da crise na Europa. A interrupção na queda das exportações e a diminuição da participação norte-ameri-cana nas importações mundiais, de 18,19% para 12,31% — que, ainda assim, representa a maior parcela global —, ajudaram a reduzir o déficit em transações do País em mais da metade, chegando a -2,6% do PIB.

Porém, mesmo os dados que se apresentam como nega-tivos para a economia norte-americana denotam o seu poderio, pois, após a mais grave crise desde 1929, o País segue forte como principal economia do planeta. Após ser o epicentro da crise financeira de 2007, analistas que acreditavam no declínio da nação mais poderosa do mundo voltaram a enxergar a eminência de sua derrocada. Os dados da produção apresentam uma clara queda de poder relativo norte- -americano. Porém hegemonia é um conceito que abrange não apenas a produção, mas também questões militares e políticas, nas quais a perda de liderança norte-americana ainda não é vislumbrada. Além disso, a crise não representou nenhuma inflexão em processos já em curso, e os dados da produção não são suficientes para indicar uma mudança mais profunda no cenário mundial em curto prazo.

Quando se compara o Produto dos EUA ao de outros países e regiões de maior importância geopolítica e econô-mica, nota-se que os EUA apresentam ganhos relativos em comparação à Zona do Euro, à União Europeia e ao Japão, uma relativa estabilidade com a OCDE, “perdendo terreno” para a Ásia — região com maiores ganhos no produto glo-bal —, para os “BRICS” e para a maior parte das nações em desenvolvimento. Tais dados realçam o maior crescimento de países em desenvolvimento com relação aos desenvolvidos — neste novo século, pela primeira vez na historia do capitalismo, os primeiros acumularam uma parcela do produto maior que os segundos. Ao apresentar ganho em relação à maioria dos países desenvolvidos, os EUA mostram uma posição de fortalecimento de sua liderança perante as nações mais importantes dos antigos arranjos da economia mundial, uma clara demonstração de hegemonia.

A Europa foi a região do mundo mais afetada após a crise de 2007, e o seu Produto apresenta uma clara perda de participação na economia mundial. Em 2001, a Zona do Euro tinha um PIB equivalente a 78,71% do norte-americano, enquanto a União Europeia apresentava 107,68%, valores que se reduziram a 73,79% e 104,8%. Tais dados refletem a delicada situação do Velho Continente, ainda mais agravada na Zona do Euro, refém de seus arranjos institucionais e da austeridade. Mesmo a Alemanha, nação mais poderosa do continente e que aparentava não sofrer os graves efeitos da crise de 2007, também perdeu participação no Produto global com relação aos EUA, além de uma forte queda em sua participação mundial nas exportações: de 9,50% em 2001 para 7,64% em 2012, mostrando que sua estratégia exportadora não é imune à crise econômica de seus vizinhos. Com poucas perspectivas de mudança em médio prazo, o cenário europeu parece mesmo o de perda de importância no cenário mundial.

O continente do mundo que apresentou maiores ganhos em termos de produto foi a Ásia. Sua região mais dinâmi- ca — Leste Asiático e Pacífico — alcançou a marca de 158,33% do PIB dos EUA, e em 2012 correspondeu a 29,54% do PIB mundial, enquanto os EUA apresentaram 18,66%. A China é o país que apresenta os dados mais im-pressionantes: em 2001, o seu PIB era equivalente a 30,18% do Produto dos EUA, saltando para 79,51% em 2012. O novo gigante representa 14,83% do PIB mundial e cerca da metade do produto do continente. Nas exportações, é líder global, com uma fatia de 11,13% — em 1990, detinha ape-nas 1,83%. O seu desempenho ajudou a região a se tornar o polo produtivo mundial e alcançou uma proximidade com o Produto norte-americano há tempos não vista na economia mundial. Ao que tudo indica, a região manter-se-á em tal posto, diminuindo a importância norte-americana e europeia nos circuitos produtivos mundiais.

Enfim, a análise dos dados mostra um declínio da eco-nomia norte-americana em sua parcela no Produto mundial e uma inegável ascensão chinesa como principal polo produtor mundial, o que deve perdurar durante muitos anos. Porém, mesmo estes dados ilustram o poder da economia dos EUA, que, ainda estando em crise, cresceu mais do que a maioria das nações desenvolvidas e aumentou a distância sobre aqueles que, em tese, seriam os seus maiores adversários no cenário econômico e político global.

Mudanças na composição do PIB global no novo século

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PIB per capita e sua decomposição

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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Em 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Rio Grande do Sul foi de R$ 27.514, 22,8% acima dos R$ 22.402 do Brasil. No entanto, nos últimos 10 anos (2003 a 2012), o indicador do Estado cresceu 20,9%, abaixo do crescimento nacional, que foi de 27,5%. Para entender melhor as causas básicas dessa diferença, pode-se decompor a variação do PIB per capita em duas relações: produtividade do trabalho — PIB/Pessoal Ocupado (PO) — e taxa de ocupação total (Pessoal Ocupado/População). Ou seja, o PIB per capita cresce pelo aumento da produtividade das pessoas já empregadas ou pela incorporação de novos trabalhadores ao processo produtivo. Utilizaram-se, nesta análise, informações das Contas Nacionais, das Contas Regionais, das projeções populacionais e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), todas as pesquisas com fonte no IBGE e na FEE.

No caso do Rio Grande do Sul, quase a totalidade do incremento do PIB per capita nesse período foi resultado do aumento da produtividade do trabalho, de 18,9%. O restante do crescimento teve como fonte a incorporação de uma parcela maior da população na produção (1,7%), seja na agropecuária, na indústria, ou nos serviços. Os dados estudados ainda mostram que o incremento de pessoal ocupado no Estado esteve mais relacionado à redução do desemprego do que ao ingresso de mais pessoas na PEA (População Economicamente Ativa), aquele contingente da população que está no mercado de trabalho. Segundo os dados da PNAD, a PEA cresceu 5,5% durante os 10 anos, e o pessoal ocupado no Estado, 7,9%. Como resultado, a taxa de desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), passou, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), de 15,3% em 2002 para 7,0% em 2012.

Quanto à média nacional, o aumento do PIB per capita em 27,5% também teve o crescimento da produtividade do trabalho (18,4%) como principal fonte. Mas, ao contrário do Rio Grande do Sul, o crescimento da relação entre PO e população total (7,7%) teve maior peso na explicação da variação da renda brasileira por habitante. Ou seja, no caso do Brasil, quase um terço do aumento do PIB per capita adveio da incorporação de mais trabalhadores na produção. Para tanto, a PEA cresceu 16,3% no período, e o pessoal ocupado, 20,0%.

De modo geral, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi praticamente o mesmo no Rio Grande do Sul (18,9%) e no Brasil (18,4%), entre 2002 e 2012. A explicação para o diferencial da maior variação nacional do PIB per capita encontra-se no aumento superior do número de novos trabalhadores incorporados ao processo produtivo no Brasil relativamente ao Estado. Isso não quer dizer que a população brasileira, de modo geral, se sentiu mais atraída pelo mercado de trabalho do que a gaúcha. A explicação é de natureza demográfica e possui duas razões principais. A primeira é que a população gaúcha cresceu menos que a média nacional no período (6,1% contra 11,5% respectivamente). E, em segundo lugar, a estrutura etária dos habitantes do Rio Grande do Sul é diferente da do Brasil, com menores parcelas relativas de idosos e de crianças. O resultado foi que o crescimento da PEA acabou sendo menor no Estado, na comparação com o Brasil.

Sendo assim, o menor crescimento do PIB per capita do Rio Grande do Sul em relação ao nacional não pode ser explicado pela menor produtividade do trabalho, mas, sim, pela menor disponibilidade de mão de obra apta a trabalhar e a se incorporar no processo produtivo. E ainda, não por razões estritamente econômicas, mas demográficas, cujo principal motivo é a menor taxa de fecundidade registrada no Estado.

Para o futuro, surgem duas implicações. A primeira é que será cada vez mais difícil, dada a condição demográfica do Estado, aumentar a oferta de mão de obra, o que é visível nos dados da PEA. A segunda implicação é que o aumento da produtividade, seja na agricultura, na indústria ou nos serviços, ganhará ainda mais importância na economia gaúcha, tornando-se a peça-chave para o incremento do padrão de vida da população do Estado.

Positivamente, observa-se que, nos últimos 10 anos, a produtividade gaúcha vem crescendo, mesmo que pouco, acima da nacional. E, por outro lado, como reflexo da estrutura demográfica e do crescimento econômico, a taxa de desemprego da RMPA tem sido a menor entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas mais o Distrito Federal (7,0% contra 10,5% em 2012).

PIB per capita e sua decomposição

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A recuperação por trás do PIB

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Edição: Ano 22 nº 10 - 2013

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Os resultados do PIB no segundo trimestre, tanto na economia brasileira como no RS, confirmam a recuperação do nível de atividade em curso este ano e desautorizam as projeções excessivamente pessimistas que têm prevalecido desde meados do ano passado. No Brasil, o PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre (em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal), o que equivale a um ritmo anualizado de cerca de 6,0%. No RS, o PIB cresceu 6,4% na mesma base de comparação. Em relação ao mesmo período do ano anterior, as taxas de crescimento foram de 3,3% e 15,0%, no Brasil e no RS. Ainda que estes resultados tenham sido inflados pela boa safra agrícola, a expansão não esteve restrita a esta atividade. Por certo, o impacto deste evento nos resultados dos próximos trimestres será menor, o que deve resultar em uma desaceleração no crescimento, principalmente no RS. Contudo, o processo de recuperação tende a prosseguir, ainda que em ritmo mais moderado.

Em nível nacional, o crescimento de 3,3% no segundo trimestre ajudou a compensar o desempenho decepcionante do primeiro trimestre (expansão de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior). No acumulado do ano, a taxa de crescimento é de 2,6%. As mudanças na dinâmica setorial entre um trimestre e outro, contudo, foram importantes. Pelo lado da oferta, a indústria de transformação cresceu 4,6% no segundo trimestre, interrompendo uma sequência de sete trimestres consecutivos de quedas. A construção civil registrou crescimento de 4,0%, após queda de 1,3% no primeiro trimestre. Nos serviços, as atividades de comércio e transportes mostraram recuperação, com expansões de 3,5% e 2,7% no segundo semestre, após terem registrado desempenho pífio no primeiro. Por fim, mas não menos importante, entre os componentes da demanda, a formação bruta de capital fixo registrou dois trimestres consecutivos de alta, de 3,0% no primeiro trimestre e 9,0% no segundo, recuperando-se da queda observada ao longo de todo o ano passado. Esta reversão reflete, de um lado, o esgotamento de um longo ciclo de estoques e capacidade ociosa, gerado na estagnação de 2011/2012, e, de outro, os incentivos governamentais para a ampliação dos investimentos, sobretudo as taxas atrativas do BNDES.

Deve ser acrescentado, também, que o resultado do primeiro semestre como um todo foi influenciado negativamente pela interrupção, para manutenção, nas plataformas da Petrobras. Este evento se refletiu, pelo lado da oferta, em queda de 6,6% da produção da indústria extrativa no primeiro trimestre. Embora a recuperação desta atividade já tenha iniciado no segundo trimestre, com crescimento de 1,0% em relação ao primeiro, na série com ajuste sazonal, ainda há queda de 5,6% no acumulado do ano. Pelo lado da demanda, a redução da produção de petróleo também contribuiu para a queda de 5,7% das exportações no primeiro trimestre. A continuidade do processo de normalização das atividades da Petrobras nos próximos trimestres deve reforçar, portanto, o processo de recuperação, podendo compensar a redução esperada da contribuição da agropecuária nos próximos trimestres.

Na economia gaúcha, a recuperação da safra da soja foi, evidentemente, a grande responsável pelo crescimento de 15,0% entre o segundo trimestre e o seu equivalente no ano anterior, acumulando no ano uma expansão de 8,9%. Porém, percebe-se que a recuperação da economia gaúcha não ficou restrita à produção de soja e atividades relacionadas. Tal como na economia brasileira, ocorreram mudanças importantes na dinâmica setorial entre o primeiro e o segundo trimestres: a indústria de transformação cresceu 4,6%, após ter registrado queda de 0,8% no primeiro trimestre; a construção civil cresceu 4,0%, após ter registrado queda de 0,3%; e os serviços aceleraram o ritmo de crescimento, de 2,1% para 3,4%.

É verdade que uma parte da recuperação da indústria de transformação também esteve relacionada com a boa safra agrícola. A atividade de máquinas e equipamentos, na qual o segmento de máquinas agrícolas é um dos mais relevantes, apresentou crescimento de 11,5%. Porém, também deve ser notado que a produção de máquinas agrícolas não se destina exclusivamente ao RS (parte é exportada para o resto do mundo e parte para o restante do país). Ademais, excluindose estes bens, a produção da indústria ainda cresceria 4,1%. Por outro lado, os produtos alimentícios cresceram 4,8% no segundo trimestre, mas ainda apresentam queda de 0,2% no acumulado do ano. Como o resultado da safra se reflete com alguma defasagem nesta atividade, a expectativa é de continuidade do crescimento da indústria gaúcha nos próximos trimestres.

Para muitos analistas, o crescimento da indústria no segundo trimestre foi excessivo, levando ao acúmulo de estoques, especialmente em nível nacional. Esse movimento ajuda a explicar as oscilações mensais nesta atividade e pode, de fato, provocar uma desaceleração no próximo trimestre. Os indicadores de consumo e renda, contudo, mostram recuperação. Neste sentido, mesmo na hipótese de desaceleração ou queda da produção industrial nos próximos meses, as perspectivas para o terceiro trimestre e, principalmente, para o final ano, ainda são positivas. Não será surpresa se o crescimento do PIB superar a expectativa de 2,5% na economia brasileira e 6,0% no RS.

A recuperação por trás do PIB

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Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB concentra-se nos serviços

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Edição: Ano 22 nº 02 - 2013

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Após dois períodos seguidos apresentando queda, a economia gaúcha voltou a crescer no terceiro trimestre de 2012. De acordo com as informações do PIB trimestral, divulgado pela FEE em dezembro, o aumento foi de 7,6% na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Dados mensais já mostravam a volta do crescimento ainda em maio. O Índice de Atividade Econômica Regional do Rio Grande do Sul (IBCR-RS), calculado pelo Banco Central, indicou crescimento de 9,5% naquele mês, após uma sucessão de quatro quedas. Essa retomada do crescimento, entretanto, possui certas especificidades, que serão melhor entendidas com a análise desagregada dos três setores

Os serviços mantiveram sua rota de crescimento, sem grandes alterações. O principal destaque seguiu sendo o comércio. Ao contrário de outros anos, a influência negativa da estiagem de 2012 não foi sentida no desempenho da atividade. A sequência dos estímulos vindos da maior oferta de crédito, dos juros mais baixos, da expansão contínua da massa salarial, e, contrabalançando a queda da produção primária, do aumento dos preços agrícolas acabou por sustentar o crescimento do consumo no Estado, inclusive a taxas superiores à nacional.

Na indústria, o destaque positivo continuou a ser a atividade da construção civil, que manteve o ritmo de crescimento verificado ao longo dos períodos anteriores. A indústria de transformação, por outro lado, apresentou queda pelo terceiro trimestre seguido, na série com ajuste sazonal da FEE. A retomada tão aguardada da atividade, alvo de incentivos por parte do Governo Federal, não se confirmou. Da mesma forma que a indústria nacional, a do Rio Grande do Sul manteve-se em queda ao longo de todo o ano. Dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostram perda de fôlego de setores importantes no Estado. As atividades de alimentos e fumo aceleraram suas perdas, diretamente impactadas pela menor oferta de produtos primários; as atividades ligadas ao setor automotivo, embora tenham apresentado certa recuperação, ainda mostraram sinais negativos, em linha com a menor produção nacional; calçados e produtos químicos enfrentaram problemas com as restrições impostas pela Argentina às exportações gaúchas. Das 14 atividades pesquisadas pelo IBGE, apenas quatro, com destaque para refino de petróleo e máquinas e equipamentos, expandiram-se no terceiro trimestre do ano.

O retorno da expansão econômica esteve, portanto, diretamente relacionado ao desempenho da agropecuária, uma vez que a indústria e os serviços não alteraram profundamente seus ritmos de crescimento ao longo dos meses de 2012. O desempenho negativo da agricultura, que freou a economia gaúcha durante os primeiros meses do ano, perdeu força a partir de maio. Como a colheita da safra degrãos do Estado concentra-se temporalmente nos primeiros meses do ano, especificamente entre janeiro e abril, já eraesperado que, passada a colheita desses produtos, a economia gaúcha voltasse a crescer, já praticamente livre do peso dasperdas com a agropecuária. Diminuída a importância do Setor Primário no cálculo do PIB trimestral e do IBCR-RS, o desempenho da economia gaúcha passa a depender mais do comportamento da indústria e dos serviços.

Dado o maior peso que os serviços têm no PIB do Estado, na comparação com a indústria, a agregação das taxas de variação dos setores resultou na volta do crescimento. Tal retomada, como já salientado, possui especificidades que devem ser ressaltadas. Em primeiro lugar, porque é consequência da concentração das perdas da agricultura no começo do ano, não significando que esse setor se tenha recuperado nos últimos meses, até porque sua produção só voltará a ser contabilizada com significância em 2013. E, em segundo lugar, porque não representa uma recuperação mais abrangente. Se, por um lado, o comércio e a construção civil continuam a expandir-se, a indústria de transformação ainda não deu sinais consistentes de retomada.

Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB

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Evolução do PIB nas mesorregiões gaúchas: 1999-2009

Por: e

Edição: Ano 21 nº 11 - 2012

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No período compreendido entre 1999 e 2009, a eco-nomia gaúcha apresentou uma taxa de crescimento média de 2,3%. A agropecuária foi o setor produtivo que mais cresceu (5,8%), ao passo que a indústria foi aquele que obteve a menor taxa (1,2%). Já o ramo de serviços revelou alta de 2,5% no período.

Após a análise dos dados referentes às participações do Produto Interno Bruto (PIB) das sete mesorregiões gaúchas no total do Estado, verifica-se que não há indícios de que houve mudanças estruturais na economia gaúcha. Apenas pode-se afirmar a existência de alterações conjunturais no período, ou seja, relacionadas ao curto prazo da economia.

As posições das mesorregiões quanto à participação no PIB do RS não se modificaram no intervalo de tempo anali-sado. A ordem de maior participação para menor é a seguin-te: Metropolitana de Porto Alegre, Noroeste, Nordeste, Centro-Oriental, Sudoeste, Sudeste e, por último, Centro-Ocidental.

As mudanças conjunturais destacadas anteriormente devem-se principalmente ao setor agropecuário, visto que é o que, geralmente, sofre maiores oscilações nas suas taxas de crescimento, se comparado aos outros setores produtivos. O ramo de serviços é o mais estável, sofrendo menos varia-ções nas suas taxas de crescimento e, como também é o mais representativo do Estado, acaba por suavizar as taxas de incremento do PIB. Portanto, municípios e regiões que dependem em maior grau do Setor Primário acabam por ter as taxas de crescimento do PIB mais voláteis.

O descrito acima aconteceu na mesorregião Noroeste. Nos anos em que houve alto crescimento da agropecuária (2003 e 2006), a região aumentou consideravelmente sua participação. Já naqueles anos de baixo crescimento da mesma (2004 e 2005), ocorreu exatamente o oposto. Essa conjuntura é facilmente observada, quando se mira a série de participação no PIB de 1999 a 2009.

A participação do Noroeste no PIB gaúcho, que, em 2002, era de 15,59%, passou para 18,15% no ano seguinte, havendo um eloquente incremento de 2,55 pontos percen-tuais em apenas um ano. Já em 2004, ano de forte estiagem no RS, esse percentual caiu notavelmente para 15,96%, alcançando um valor ainda menor no ano posterior (13,93%), no qual houve uma queda na produção agrope-cuária ainda mais representativa. Em 2006, ano de cresci-mento recorde do setor no Estado (50,1%), houve recupe-ração do Noroeste, o qual atingiu 15,2% de participação no PIB gaúcho.

É interessante enfatizar-se que, nesses quatro anos (2003-06), se observaram, efetivamente, mudanças conside-ráveis nas participações das duas mesorregiões que possuem o maior PIB no RS. Conforme já destacado, as oscilações refletidas no ramo agropecuário geraram essas variações significativas nesses anos. Quando o Noroeste ganhou parti-cipação, a mesorregião Metropolitana de Porto Alegre perdeu. O inverso também foi observado. O ocorrido deve- -se ao fato de a mesorregião Noroeste ser bastante depen-dente do setor agropecuário. Quando o setor obteve elevado desempenho e o Noroeste ganhou participação, a mesor-região Metropolitana de Porto Alegre perdeu, já que seus municípios, de maneira geral, são pouco dependentes do Setor Primário.

No que se refere à participação dos 20 maiores muni-cípios no PIB do Estado, também não se verificaram mu-danças significativas. Em 1999, 11 desses pertenciam à mesorregião Metropolitana de Porto Alegre e concentravam 39,62% do PIB do RS, passando para 38,43% em 2009. As mesorregiões Nordeste, Sudeste e Noroeste possuíam, cada uma, dois municípios entre os 20 de maior PIB. A partici-pação dos dois municípios da Nordeste passou de 6,41% em 1999 para 7,09% em 2009; da Sudeste, de 4,43% para 4,44%; da Noroeste, de 2,65% para 2,76%. Por fim, as mesorregiões Centro-Oriental, Centro-Ocidental e Sudoeste contavam apenas com um município cada entre os 20 de maior PIB. As participações, em 1999 e 2009, foram, respectivamente, de 1,95% e 1,72%, 1,67% e 1,63% e 0,95% e 1,16%.

Evolução do PIB nas mesorregiões gaúchas 1999-2009

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=IRLm2HZZrR8]

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Os polos regionais sul-rio-grandenses: 1999-2009

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Edição: Ano 21 nº 09 - 2012

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Uma economia obtém ganhos com a concentração da atividade em alguns locais no espaço, através de polos que se destacam como centros urbanos industriais e de serviços, exercendo forte impacto sobre seu entorno. Busca-se aqui traçar um panorama das principais centralidades do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2009.

No livro Três Décadas de Economia Gaúcha: o Ambiente Regional (2010), publicado pela FEE, Paiva, Alonso e Tartaruga identificam os principais polos econômicos estaduais. O polo de primeira ordem é o de Porto Alegre, que, além da Capital, envolve 11 municípios de seu entorno. São polos de segunda ordem o de São Leopoldo-Novo Hamburgo (SL-NH, 11 municípios) e o de Caxias do Sul (cinco municípios). Na terceira ordem, Passo Fundo-Marau (PF-Mar), Pelotas-Rio Grande (Pel-RG) e Santa Maria. As centralidades de ordem um e dois estão na região nordeste do Estado, e as de terceiro nível, nas regiões norte, sul e central. Juntos, os seis centros (33 municípios) respondem por 50,4% da população e 63,4% do VAB estadual não agropecuário em 2009.

Entre 1999 e 2009, a indústria sul-rio-grandense cresceu 12,6%, os serviços, 28,9%, e a agropecuária, 49%, sendo os setores ligados às centralidades aqueles de pior desempenho. Porém os polos regionais apresentaram crescimento industrial positivo, com exceção de SL-NH, atingido pela crise do setor coureiro-calçadista, que perdeu 33,1% da produção industrial. Desconsiderando SL-NH, a indústria nos outros polos somados cresceu 22,8%, e, no resto do Estado, 12,9%; apenas PF-Mar cresceu menos, 7,3%. Os serviços tiveram maior crescimento fora dos grandes centros, 32,1% contra 28,3%.

A expansão agropecuária gera uma demanda dispersa por serviços, fazendo com que o papel dos principais centros não tenha sido tão decisivo. A indústria, entretanto, continua tendo sua dinâmica ditada pelo desempenho das principais centralidades. Na soma de indústria e serviços, todos os polos, com exceção de SL-NH, cresceram em torno da média do resto do Estado (25,5%), com destaque para Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria.

A disponibilidade de empregos, os melhores salários e serviços urbanos fazem dos polos locais de atração. E a população sul-rio-grandense segue concentrando-se naqueles da região nordeste, inclusive em SL-NH, cujo desempenho econômico foi fraco. PF-Mar aumenta sua parcela na população estadual, enquanto Pel-RG perde, e Santa Maria mantém participação. As regiões noroeste e sudoeste não apresentam centralidades de grande importância e registraram perdas relativas (a participação somada dessas duas mesorregiões na população estadual recuou de 26,8% para 24,9% no período).

A estagnação ou perda relativa de população em locais de natureza polarizadora, nas regiões menos desenvolvidas, deve preocupar: a concentração populacional nos centros mais ricos faz convergir a renda per capita entre regiões, mas seu efeito dinâmico diminui o potencial de crescimento produtivo da centralidade que perde população, e, consequentemente, da sua área de influência.

Em período de grande crescimento agropecuário, cuja tendência é dispersiva, os centros regionais do Estado perderam espaço no setor de serviços, mas mantiveram a dianteira da indústria sul-rio-grandense. Mesmo com um deles em forte crise, continuam sendo aqueles da região nordeste os que mais crescem em população e produto, indicando a necessidade de fortalecimento dos polos das outras regiões, caso se pretenda desconcentrar a produção em benefício de locais menos desenvolvidos.

Os polos regionais sul-rio-grandenses 1999-2009

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Índice Trimestral de Atividade Produtiva (ITAP) aponta crescimento do PIB gaúcho acima do nacional em 2011

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Edição: Ano 20 nº 09 - 2011

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O ITAP, indicador que mede o crescimento da economia gaúcha, registrou um aumento de 5,8% no segundo trimestre de 2011, com relação ao mesmo período do anterior. Esse desempenho, somado ao crescimento de 7,8% no primeiro trimestre, resultou numa expansão acumulada de 6,7% no semestre — superior, portanto, à expansão de, no máximo, 4,0% que se espera para a economia brasileira no período. Ainda que o resultado do segundo trimestre tenha representado uma desaceleração em relação ao primeiro, a dinâmica foi bastante similar em ambos: forte expansão da agropecuária, com efeitos irradiadores para o setor serviços, e crescimento pouco expressivo da indústria de transformação.

A desaceleração deve-se, principalmente, à aparente perda de fôlego da agropecuária. Enquanto, no primeiro trimestre, esse setor registrou uma expansão de 28,9% (seguida de taxas de 6,2% do setor serviços e de 2,4% da indústria de transformação), no segundo, a expansão foi de 7,8% (seguida de 6,3% do setor serviços e de 4,6% da indústria de transformação). A desaceleração, porém, é explicada pela diferença entre as bases de comparação. Isto é, o crescimento do primeiro trimestre resultou da recuperação das safras de fumo e arroz, cuja base de comparação estava deprimida, fenômeno que não se repetiu no segundo — apesar de a safra também ter sido recorde —, em função de a produção de soja também ter alcançado um bom resultado em 2010.

A desaceleração deve-se, principalmente, à aparente perda de fôlego da agropecuária. Enquanto, no primeiro trimestre, esse setor registrou uma expansão de 28,9% (seguida de taxas de 6,2% do setor serviços e de 2,4% da indústria de transformação), no segundo, a expansão foi de 7,8% (seguida de 6,3% do setor serviços e de 4,6% da indústria de transformação). A desaceleração, porém, é explicada pela diferença entre as bases de comparação. Isto é, o crescimento do primeiro trimestre resultou da recuperação das safras de fumo e arroz, cuja base de comparação estava deprimida, fenômeno que não se repetiu no segundo — apesar de a safra também ter sido recorde —, em função de a produção de soja também ter alcançado um bom resultado em 2010.

A expansão de 10,8% acumulada pelo setor serviços no primeiro semestre é explicada, em parte, pelo próprio crescimento da agropecuária, cujo aumento de renda gera um aumento derivado da demanda por serviços em geral, e também pelo aquecimento das atividades de comércio ligadas à construção civil. O crescimento de 3,6% da indústria de transformação no semestre, por outro lado, continua modesto. Tal como na economia brasileira, o setor industrial, no Estado, tem sido mais afetado pela queda na demanda mundial, pelo câmbio apreciado e pela desaceleração no ritmo de crescimento do crédito e do consumo. Com exceção dos segmentos da agroindústria e da produção de químicos, nos demais, observa-se um crescimento baixo ou mesmo queda na produção, em relação ao ano passado — caso dos setores de celulose e papel, borracha e plástico, mobiliário, refino de petróleo e coureiro calçadista. Como pode ser observado no gráfico, embora o ITAP já tenha superado o nível pré-crise, isso se explica pelos desempenhos da agropecuária e do setor serviços. A produção da indústria de transformação, por outro lado, mostra um ritmo de crescimento bastante moderado, não tendo alcançado, ainda, o nível de produção anterior à crise.

Índice Trimestral de Atividade Produtiva (ITAP) aponta crescimento

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