Textos com assunto: pequenas e médias empresas

As exportações do Rio Grande do Sul por porte de empresa

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Edição: Ano 17 nº 06 - 2008

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Os efeitos da valorização do real vêm sendo sentidos pelas empresas exportadoras. Isto porque aquelas com baixa ou mesmo nenhuma utilização de insumos e matérias-primas importados não podem compensar sua perda de rentabilidade via redução no custo desses fatores de produção, cujo pagamento se dá em real. O mesmo ocorre com as exportadoras com maior uso do fator mão-de-obra, cuja remuneração é feita em moeda nacional, enquanto as receitas são auferidas em dólares. Desse modo, empresas que usam intensamente matérias-primas nacionais e mão-de-obra acabam perdendo competitividade junto aos mercados externos. Tal é o caso da maior parte das micro e pequenas empresas (MPEs) exportadoras do RS, tendo em vista os tipos de produtos que exportam. Assim, em 2006, em todas as faixas de empresas por porte, exceto as grandes, observou-se um recuo no número de exportadoras. Estudos já revelaram que essa saída das pequenas e médias empresas do mercado só não tem sido maior devido ao fenômeno que se convencionou chamar de “histerese de exportação”, em que, uma vez introduzida no mercado exportador, a firma opta por lá permanecer, mesmo em situação desfavorável, devido aos custos de entrada e saída.

As micro e pequenas empresas exportadoras gaúchas são mais sensíveis à valorização do real, porque exportam, prioritariamente, produtos manufaturados intensivos em mão- -de-obra e em matérias-primas nacionais, com mercados pouco dinâmicos e com baixa e média tecnologias, o que as torna mais vulneráveis à concorrência internacional. À medida que aumenta o tamanho das empresas, as exportações ficam mais distribuídas entre produtos básicos e manufaturados. Tal fato se explica pelo maior número de grandes empresas exportadoras de produtos básicos, muitas delas, inclusive, multinacionais ligadas ao mercado de commodities, com destaque para fumo e soja. Com um percentual bem mais alto de participação de commodities — cujos preços estão em alta no exterior — e com mais condições estruturais para enfrentar a concorrência externa, essas empresas vêm conseguindo superar melhor as atuais dificuldades encontradas pelo setor exportador gaúcho. Cabe destacar-se que os calçados são exportados por empresas de todos os portes, e os móveis só não fazem parte da lista de principais produtos nas de grande porte, onde preponderam as vendas de commodities.

As MPEs do Estado vendem especialmente para o Mercosul, principal mercado para seus produtos manufaturados. Já as micro e pequenas especiais (que têm poucos empregados, mas exportam mais de US$ 1,2 milhão) e as médias têm seu principal mercado nos Estados Unidos e no Canadá, que importam a maior parte de seus produtos manufaturados. Por sua vez, as grandes, que, além de manufaturados, também são importantes exportadoras de produtos básicos, vendem principalmente para a União Européia, sendo a região da Ásia-Pacífico seu segundo mercado comprador, para onde predominam as vendas de commodities.

As exportações do Rio Grande do Sul por porte de empresa

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O microcrédito no Brasil e no Estado

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Edição: Ano 12 nº 10 - 2003

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Microcrédito é a concessão de empréstimos de baixo valor a pequenos empreendedores informais e a microempresas sem acesso ao sistema financeiro tradicional, principalmente por não terem como oferecer garantias reais. É um crédito destinado à produção (capital de giro e investimentos) e é concedido com o uso de metodologia específica.

Atualmente, o microcrédito é concedido no Brasil de várias formas, por meio de ações do Poder Público, da sociedade civil e da iniciativa privada, apresentando diferentes desenhos institucionais.

Segundo Nota Técnica do Banco Central, de fevereiro de 2003, uma pesquisa realizada pela OIT em 2001 estimou que existem, no Brasil, quase 14 milhões de pequenas unidades produtivas, potenciais demandantes de microcrédito, a grande maioria delas formada por trabalhadores por conta própria (64,5%), das quais a pesquisa deduziu haver algo como seis milhões exercendo demanda efetiva no montante aproximado de R$ 11 bilhões, o que equivale a, praticamente, 1% do PIB do Brasil.

Do ponto de vista da demanda, a pesquisa mostra que é bastante forte a concentração. O Estado de São Paulo responde por um terço da demanda, mas, adicionando-se o Estado de Minas Gerais e o resto da Região Sudeste, chega-se a mais da metade do total (56%). Essa situação se justifica pelo peso relativo da Região na economia do País: é a que tem o maior PIB.

Do lado da oferta, excluídas as cooperativas de crédito e a rede de correspondentes bancários, existem 121 instituições atendendo a um total de 158.654 clientes ativos, as quais respondem a apenas 1% da demanda potencial. Metade desse atendimento é feito pela carteira especializada em microcrédito do Banco do Nordeste, denominada Crediamigo. O restante do segmento é composto por pequenas instituições, com média de 1.311 clientes ativos e carteira de R$ 138,8 milhões, sugerindo um empréstimo médio de R$ 875,00.

No Rio Grande do Sul, destacam-se duas instituições comunitárias de crédito: a Portosol, criada em 1995 através da Prefeitura de Porto Alegre, cujos recursos iniciais vieram de doações da própria Prefeitura da Capital, do Governo do Estado e de outras instituições nacionais e internacionais; e o Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos (Ceape), que surgiu em 1987, em Porto Alegre, com um sucesso que resultou na sua reprodução em vários estados brasileiros.

A Portosol, atualmente, conta com filiais em diversas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre e emprestou, até 31.03.03, R$ 56.078.947,65, representando um total de 45.892 créditos concedidos.

Apesar da dimensão do setor de microcrédito no Brasil, existem vários desafios para uma adequada consolidação e expansão do mesmo no País. O montante dos recursos destinados ao setor, bem como o número de operações e de instituições são pequenos, se se considerar o tamanho da economia brasileira, em especial o do setor informal.

O microcrédito no Brasil e no Estado

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As exportações gaúchas em 2002

Por: e

Edição: Ano 12 nº 01 - 2003

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A economia gaúcha acumulou, no período jan.-nov./02, um saldo comercial de US$ 2,7 bilhões, 24,5% superior ao do mesmo período de 2001. Esse resultado se deveu a exportações estagnadas (0,05%) e a importações 14,1% menores que as de 2001. A performance das exportações poderia ser bem melhor, não fosse a forte crise da economia argentina, que, até 2001, era nosso segundo maior comprador, respondendo por 9,4% de tudo que foi exportado pelo Rio Grande do Sul naquele ano. Com a crise financeira, a interrupção de pagamentos externos e a recessão de 2002, a Argentina passou a ser o quinto mercado, absorvendo apenas 3,2% das vendas externas gaúchas e cedendo o segundo lugar para a China, que se firmou na posição, apenas atrás dos EUA. Ao todo, as vendas para a Argentina encolheram 66,2%, beirando-se, em vários
produtos, a completa interrupção dos embarques para aquele país. São os casos de móveis e de calçados, com quedas de 97,4%, e 91,7% respectivamente. Plásticos, um item importante da pauta, teve redução de 41,5%.

Os dois principais parceiros, EUA e China, importaram produtos gaúchos em 2002 num valor superior ao de 2001, com taxas de crescimento de 14,3% e 18,8% respectivamente. O desempenho americano só não foi melhor devido à queda das exportações de calçados (8,08%).

Exportações do Rio Grande do Sul por países — jan.-nov./01 e jan.-nov./02

FONTE DOS DADOS BRUTOS: MDIC.

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