Textos com assunto: Mulher

Mão de obra feminina na construção civil da Região Metropolitana de Porto Alegre

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Edição: Ano 21 nº 12 - 2012

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A indústria da construção civil sofreu forte expansão em período recente, sendo ela um dos setores com grande potencial gerador de empregos, sobretudo no meio urbano. Sua importância econômica está relacionada, portanto, ao mercado de trabalho, mas não somente a isso. A construção tem uma grande capacidade de contribuir com o dinamismo de muitos outros segmentos industriais e de serviços, além do elevado volume de recursos financeiros que mobiliza em suas operações.

Embora já se manifestasse em 2006, a retomada da atividade consolidou-se nos anos de 2007 e 2008, atingindo níveis de crescimento inéditos desde a desativação do BNH. Com oscilações de lá para cá — e um arrefecimento em 2012 —, a indústria da construção civil mantém-se dinâmica, contando com os importantes estímulos das políticas governamentais.

Nesse contexto, é de se esperar o aquecimento do mercado de trabalho, sobretudo levando-se em conta que se trata de um setor intensivo em mão de obra. Assim, a demanda por trabalhadores qualificados e não qualificados vem intensificando-se, e, mais recentemente, em função das obras relacionadas aos eventos internacionais que terão lugar no Brasil, a disponibilidade de mão de obra tende a constituir-se em um dos “gargalos” apontados pela classe empresarial.

A introdução da mão de obra feminina na construção é uma alternativa que, embora não solucione a falta verificada, traz uma inovação significativa, que é a inserção de mulheres num meio tradicionalmente masculino. Analisando a RMPA, com base nos dados de emprego formal da RAIS, constata-se que o percentual de mulheres empregadas na construção passou de 6,8% (2.658) em 2007 para 8,6% (6.047) em 2011. É claro que o contingente feminino ainda é pouco expressivo em relação ao total de empregados, porém cabe salientar seu crescimento.

A participação feminina nos canteiros de obras passa por qualificação e proporciona a reinserção de mulheres no mercado de trabalho. A proposta de cursos de capacitação no RS iniciou em Canoas, onde foi lançado, em 2006, o Projeto Mulher Aprendiz, uma iniciativa da Prefeitura em convênio com uma ONG. Esse tipo de ação expandiu-se e hoje está presente em diversas cidades gaúchas. A crescente procura por novos cursos levou essa iniciativa a se inserir no Programa Mulheres Construindo Autonomia, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República.

A tendência é que o trabalho feminino seja bem-visto pelas empresas do setor, que evocam as capacidades de organização, de observar detalhes, de evitar desperdícios, dentre outras, contribuindo para a minimização dos custos de produção.

No que diz respeito à remuneração, os dados para a RMPA, em 2011, indicam que a maior participação do contingente de empregadas é encontrada nas faixas de menor rendimento, sendo que a maior participação dos empregados se encontra em faixas de rendimento levemente superiores. Ou seja, na faixa de 1 a 1,5 salários mínimos, encontram-se 32,3% das mulheres e 19,6% dos homens. Embora não se tenham dados discriminados por função dentro do canteiro de obras, pode-se dizer que o contingente feminino está mais representado nas menores remunerações.

É inegável que a crescente participação de mulheres na construção representa um avanço no sentido de combater a discriminação profissional de gênero. Entretanto espera-se que isso não se faça em detrimento da igualdade de remuneração, o que seria um contrassenso.

Mão de obra feminina na construção civil da

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A mulher e a sua desigual participação nas Câmaras de Vereadores

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Edição: Ano 21 nº 08 - 2012

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O terceiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ONU, 2000) propõe promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. A participação das mulheres nas Câmaras Municipais de Vereadores (CMV) é um indicador para avaliar a igualdade entre os sexos através da presença de mulheres no âmbito do poder municipal.

Existe um descompasso entre os avanços recentes nas políticas sociais voltadas para a igualdade de gênero no Brasil e a sub-representação feminina nos espaços institucionalizados da política e do poder. Constata-se um crescimento da participação feminina nas CMV em nível de País e de RS, entre as eleições de 1992 e de 2004, pois a participação das mulheres nas CMV era de 5,1% e passou para 12,0% no RS, enquanto, no Brasil, foi, respectivamente, de 7,3% e 12,6%. Em 2008, observa-se uma estabilidade da participação feminina, que foi de 12,5% no Brasil e de 12,4% no RS, embora o eleitorado feminino fosse majoritário: 51,8% no País e 51,9% no Estado.

A política afirmativa de cotas para mulheres iniciada em 1995 propõe hoje que seja reservado o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Nas eleições de 2012, será cobrado pela sociedade civil o cumprimento da Lei da Ficha Limpa, e a cota mínima de 30% de mulheres por parte dos partidos e/ou coligações. No corrente ano, o eleitorado feminino é novamente maioria tanto no Brasil (51,9%) como no RS (52,0%). Caso não seja revertida a estabilização na participação das mulheres nas últimas eleições, os legislativos municipais continuarão longe de atender as metas definidas pela ONU.

A mulher e a sua desigual participação nas Câmaras de Vereadores

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