Textos com assunto: Mercado

Perda de participação da Região Sul do Estado na produção de pêssego

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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A região Sul do Estado vem, há muitas décadas, perdendo participação econômica no total do RS com relação às demais regiões. Ainda que essa tendência se tenha manifestado mais fortemente após a abertura do mercado doméstico, refletiu também a dificuldade das lideranças empresariais locais em fazer frente aos parâmetros internacionais de competitividade. Esse fato está bem ilustrado pela significativa perda de participação da produção de pêssego dos Municípios de Pelotas e Canguçu, em contraponto à ampliação significativa de outros municípios, em particular os Serra gaúcha. Dentre esses, destacam-se Bento Gonçalves e Farroupilha – cujo tecido econômico é mais diversificado -, que elevaram sua representatividade conjunta na produção de pêssego de 10,5% em 1991 para 23,9% em 2006, além de desenvolverem e introduzirem novos produtos agroindustriais dentro da linha de doces e conservas.

A região de Pelotas, grande produtora de pêssego e processadora de conservas, sofreu igualmente a concorrência dos países do Cone Sul – Uruguai, Argentina e Chile – que melhor se adequaram às novas exigências do mercado mundial. Visando melhorar a competitividade, são importantes o fortalecimento e o aperfeiçoamento da produção do setor no Estado, tanto da fruta in natura quanto das conservas.

Perda de participação da Região Sul do Estado na produção de pêssego

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Crescem as exportações gaúchas em 2007

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Edição: Ano 17 nº 01 - 2008

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Ao longo de 2007 — de janeiro a novembro, até quando havia dados disponíveis —, as exportações gaúchas cresceram, em valor, aproximadamente 28%. Trata-se de um ótimo desempenho, mesmo considerando uma base comparativa um pouco deprimida, dadas as frustrações das safras agrícolas de 2004 e 2005, cujos volumes não foram integralmente recuperados em 2006. Esse desempenho supera o aumento das exportações brasileiras, de 17% no mesmo período, e as estimativas para 2007 do crescimento do PIB e do comércio mundial, de 5% e 14%, respectivamente, conforme o FMI, e das exportações latino-americanas, de 12%, segundo a CEPAL.

Dentre os principais produtos exportados, cabe destacar a excelente performance daqueles do complexo soja — grão, farelo e óleo —, do fumo, das carnes de aves e de suínos e dos produtos petroquímicos. Desses, o melhor desempenho foi o da soja em grão, porque, além de uma colheita recorde, houve expressivo crescimento dos preços no mercado internacional, devido ao incentivo ao cultivo do milho nos EUA — para a produção de etanol — e à forte demanda chinesa. Nem todo esse ganho, entretanto, foi transferido ao produtor rural, em razão da continuidade do processo de valorização cambial, que comprimiu a receita em reais. Pela sua importância no comércio exportador gaúcho, chama atenção, novamente, o fraco desempenho das exportações de calçados, cujos produtores, há um bom tempo, tentam escapar da concorrência chinesa agregando valor ao seu produto e, com isso, buscando apoderar-se de uma nova fatia de mercado. Nesse processo de “transição”, o que se pode concluir, até agora, é que a queda na quantidade de pares exportados vem sendo apenas parcialmente amortecida pela elevação de seu preço médio.

Dos outros produtos relevantes da pauta exportadora, registra-se o crescimento nas vendas externas de móveis (11%), cuja indústria vem diversificando mercados como forma de sobreviver ao câmbio baixo e à concorrência chinesa. Também aumentaram as exportações de couros (4%), onde continua o processo de substituição dos couros de menor valor pelos de maior valor agregado. Como destaque negativo, tem-se a queda nas vendas externas de carne bovina (-58%), devido à escassez de animais para abate no Estado e à proibição do ingresso de bovinos de outros estados. Como destaque positivo, salienta-se o salto vertiginoso nas exportações de combustíveis minerais — óleo diesel e gasolina —, que cresceram 210% em 2007. Esse resultado é fruto de alterações logísticas e da ampliação de 50% na capacidade de produção da refinaria Alberto Pasqualini.

Existe, nas vendas externas do RS, uma tendência ao aumento na participação de produtos intensivos em recursos naturais em detrimento daqueles intensivos em trabalho. Isso se verifica na medida em que, com o aprofundamento da divisão internacional do trabalho, fica difícil ao Estado competir no custo da mão-de-obra com outras nações, como China, Índia e Vietnã. A futura implantação de três grandes plataformas exportadoras de celulose no Estado parece reforçar essa tendência. Todavia, uma vez que a fronteira agrícola estadual está esgotada, a “falta de espaço” pode acirrar a concorrência entre os produtos intensivos em recursos naturais, limitando a expansão de todos ao mesmo tempo, na pauta exportadora gaúcha.

Crescem as exportações gaúchas em 2007

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Impasses na Rodada Doha: repercussões para o Brasil

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Edição: Ano 16 nº 09 - 2007

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Após seis anos de negociações, o impasse ainda continua. O que está em jogo e interessa ao Brasil é a abertura dos mercados agrícolas da União Européia (UE) via cortes em suas tarifas aduaneiras para produtos agrícolas e o decréscimo no total de subsídios agrícolas concedidos pelos Estados Unidos aos seus produtores. Em contrapartida, países emergentes como o Brasil reduziriam suas restrições à importação de produtos industrializados e serviços. Todavia, com a diminuição das alíquotas consolidadas na Organização Mundial do Comércio (OMC), estas ficarão muito próximas das efetivamente praticadas pelo Brasil, o que dificultará a elevação de tarifas, quando necessário.

A forte expansão das exportações do agronegócio brasileiro tem aumentado o receio da concorrência brasileira na UE e nos EUA, ao mesmo tempo em que a maior entrada de produtos industriais e de serviços provenientes dessas regiões também é preocupante para o Brasil. Um resultado positivo da Rodada poderá favorecer as exportações brasileiras e gaúchas. Contudo, apesar de várias propostas, até agora as ofertas para alcançar um acordo comercial foram consideradas insuficientes por ambas as partes, levando a que as negociações sejam retomadas em setembro.

Impasses na Rodada Doha repercussões para o Brasil

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