Textos com assunto: Mercado de capitais

Os limites do crescimento econômico embasado no mercado interno

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Edição: Ano 17 nº 03 - 2008

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Por razões já amplamente discutidas, no terceiro trimestre de 2007 a economia norte-americana foi envolvida por crise que desacelerou sua atividade produtiva e causou o abalo das finanças internacionais. Com intensidade e duração ainda desconhecidas, o processo tem potencial de pôr em xeque o crescimento das demais economias do mundo.

Contudo, no Brasil, crê-se que sua economia não perderá muito do dinamismo de 4,4% anuais médios verificado entre 2004 e 2007. É claro, são mais resilientes à desaceleração generalizada dos mercados externos aquelas economias cujos crescimentos se baseiam na expansão de seus mercados internos. Esse é o caso da economia brasileira na atualidade, a qual, além disso, dispõe de situação confortável também no referente às suas contas públicas e externa.

É inquestionável, mas mercados internos expansivos, se bem que sejam condição necessária da resiliência referida, não totalizam as condições suficientes. Estas incluem requisitos adicionais. Dentre eles, o de serem capazes de garantir os meios materiais necessários à expansão produtiva. É verdade que o que não pode ser produzido internamente pode ser importado, e, para financiar a importação, pode-se fazer uso das reservas externas de que o País disponha. Mas esse recurso é, necessariamente, limitado no tempo. De forma alternativa, pode-se utilizar o aporte de capitais externos e saldos em transações correntes (STCs.).

No caso brasileiro, o aporte de recursos externos tem sido mais do que suficiente para sustentar o dinamismo da economia brasileira dos últimos anos. Também em razão dele, as cotações da moeda e o volume das reservas externas do País elevaram-se para níveis reais inusitados (Tabela). Porém tamanha entrada de capitais forâneos só foi possível devido às excepcionais liquidez internacional e STCs vigentes nos últimos anos. Infelizmente, para o futuro, ambos tendem à redução.

A liquidez internacional sofrerá contração em razão das dificuldades que, já hoje, envolvem a economia norte-americana e as finanças internacionais. Além disso, mantido o dinamismo da economia brasileira, as evidências disponíveis são de que o País voltará a produzir volumosos déficits externos correntes em prazo não muito distante, mesmo que preservada a atual taxa de crescimento do comércio internacional (Tabela). Nesse caso, o mesmo dinamismo conjugar-se-ia à volta da elevada e desestabilizadora vulnerabilidade externa, que condenaria o primeiro.

Mas é mais provável que o crescimento econômico seja contido antes que os déficits externos atinjam níveis tão elevados. Constatada a tendência de déficits externos crescentes, seguir-se-iam desvalorização cambial, pressões inflacionárias e, dado o regime de metas de inflação vigente no Brasil, elevação dos juros internos, contenção do crescimento econômico e adequação das contas externas. A variável de ajuste seria o crescimento econômico.

A economia brasileira dispõe do fôlego que lhe propiciam suas volumosas reservas externas atuais. Depois que parcela significativa delas tiver sido utilizada, o crescimento econômico será contido, não interessando quão dinâmico seja atualmente seu mercado interno.

Os limites do crescimento econômico embasado no mercado interno

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Bolsa de valores: o Rio Grande do Sul tem um caminho a percorrer

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Edição: Ano 16 nº 12 - 2007

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Nos últimos anos, o mercado de ações brasileiro tem vivido um momento de prosperidade. Em 2004 e 2005, foram 16 ofertas públicas iniciais — IPOs na sigla em inglês. Em 2006, foram 26, e, até julho deste ano, 46 novas IPOs.

O principal catalisador dessa mudança tem sido o Novo Mercado da Bovespa, segmento especial, idealizado, em 2000, para abrigar as companhias que se comprometem com as melhores práticas de governança corporativa. Foram criados, além do Novo Mercado, dois segmentos intermediários, os chamados Nível 2 e Nível 1.

Hoje, do total de 440 empresas na Bovespa, 70% delas ainda pertencem ao segmento tradicional.

O Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição no número de empresas presentes na Bovespa — considerando as Regiões Sul e Sudeste —, mas tem o mais alto percentual de companhias que não estão classificadas em qualquer um dos níveis de governança corporativa (82,5%). Possui, também, o menor número de companhias no Novo Mercado, apenas três.

As explicações para o pequeno número de empresas gaúchas que demonstram maior preocupação com a governança corporativa são diversas, entre elas, a falta de destaque em setores que ultimamente estiveram em alta, com grande IPO no Novo Mercado, como o relacionado à produção de álcool e o segmento de empresas de tecnologia e educação.

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