Textos com assunto: jovens

Jovens, escola e trabalho na RMPA

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Edição: Ano 12 nº 12 - 2003

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Os jovens estão em uma fase particular do ciclo de vida, na qual se dá a transição da escola para o trabalho. Isso os coloca numa relação de tensão permanente entre dois tipos de atividades distintas, que, conforme venha a ser resolvida, irá condicionar as possibilidades de uma inserção mais favorável no mercado de trabalho. A esse respeito, nos países da OCDE, o que se pode constatar é o aumento do número de jovens que estudam em tempo integral e a redução do número daqueles que somente trabalham, o que indica que a procura por maior instrução está postergando o seu ingresso no mercado de trabalho. No caso brasileiro, pesquisas também revelam que está se elevando entre os jovens a parcela relativa daqueles que se dedicam somente aos estudos, bem como tem aumentado o número médio de anos de escolaridade desse contingente populacional, ainda que permaneça uma situação de atraso no que se refere a esse último aspecto.

Jovens, escola e trabalho na RMPA

Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), também está aumentando, entre a população juvenil, a parcela relativa daqueles que estão estudando, indicando a grande valorização dispensada por eles à educação. De acordo com os dados da PED-RMPA, em 2002, 20,2% dos jovens de 16 a 24 anos somente estudavam, sendo essa proporção bastante superior à existente em 1993, que era de 14,6%. Constata-se, igualmente, ter ocorrido entre os jovens uma elevação da participação relativa daqueles que estudam e trabalham e/ou procuram trabalho, de 17,5% em 1993 para 25,9% em 2002, o que demonstra que um número crescente de jovens necessita compatibilizar ambas as atividades. Em direção oposta, reduziu-se a proporção da população juvenil que somente trabalha e/ou procura trabalho — de 52,8% em 1993 para 42,3% em 2002. Cabe ainda fazer referência ao fato de que houve recuo, entre os jovens, da participação relativa daqueles que somente cuidam dos afazeres domésticos, que passaram a representar apenas 5,6% da população juvenil em 2002. Em termos gerais, essas mudanças podem ser consideradas socialmente positivas, pois revelam que se ampliou entre os jovens da RMPA a parcela relativa daqueles que estão estudando. Todavia há que se ressaltar que a proporção que só estuda ainda é diminuta, e uma parcela elevada, de quase 70%, encontra-se vinculada ao mercado de trabalho, interpondo dificuldades à sua formação escolar.

As mudanças acima descritas a respeito da situação dos jovens na RMPA podem estar respondendo a, pelo menos, duas ordens de fatores. Por um lado, diante de um mercado de trabalho cada vez mais seletivo em termos de requisitos de escolaridade formal, os jovens se vêem motivados a uma maior permanência na escola, ao invés da dedicação exclusiva à atividade laboral. Por outro, face ao baixo dinamismo da economia, os jovens, diante da perspectiva de ingressarem no mercado de trabalho e ficarem desempregados, acabam tendo um comportamento defensivo e voltam-se mais para as atividades escolares. Considera-se que o mais provável é que ambos os fatores estejam combinados, implicando a maior permanência dos jovens na escola.

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Jovens no mercado de trabalho da RMPA

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Edição: Ano 12 nº 04 - 2003

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No ano 2000, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um estudo intitulado Emplear a los Jóvenes: Promover un Crecimiento Intensivo en Empleo, que se constitui em um diagnóstico amplo sobre a situação dos jovens no mercado de trabalho, no âmbito internacional. De modo geral, o estudo demonstra uma maior adversidade dos jovens no mercado de trabalho em comparação ao grupo etário adulto em praticamente todas as nações.

No âmbito local, a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) permite delinear um quadro da situação dos jovens de 16 a 24 anos no mercado de trabalho. Em termos demográficos, havia 610 mil jovens na RMPA em 2002, o que correspondia a 23,0% da População em Idade Ativa (PIA) com 16 anos ou mais. No que diz respeito ao mercado de trabalho, 417 mil jovens encontravam-se na População Economicamente Ativa (PEA), representando 24,2% da PEA metropolitana com 16 anos ou mais. É interessante destacar que os jovens evidenciavam
maior nível de engajamento no mercado de trabalho da RMPA, pois sua taxa de participação (68,4%) era superior à dos adultos (63,9%).

De acordo com a PED, havia 305 mil jovens ocupados na RMPA em 2002, o que significava praticamente 20,0% do número de ocupados com 16 anos ou mais. O estoque de desempregados jovens na RMPA era de 112 mil indivíduos, sendo sua participação de 43,4% no número de desempregados com 16 anos ou mais. Este último indicador deixa claro, portanto, que os jovens estavam mais do que proporcionalmente representados no contingente de desempregados
da RMPA. Essa afirmação pode ser também corroborada pela taxa de desemprego juvenil, que era de 26,9%, enquanto a do grupo etário adulto se situava em 11,2%. As causas dessa maior incidência do desemprego entre os jovens são complexas, mas se pode sugerir que elas estão associadas à ausência de experiência e de formação profissional adequada para a obtenção de uma ocupação.

Os jovens ocupados na RMPA tinham um nível de rendimento médio real de R$ 472,00 em 2002, o qual era aproximadamente a metade daquele dos adultos ocupados. Embora não seja possível aqui analisar as causas desse diferencial de rendimentos entre jovens e adultos, uma hipótese plausível para explicá-lo é a de que  grande parte dos jovens se encontram em postos de trabalho que se caracterizam por exigências modestas em termos de habilidades e nos quais a rotatividade no emprego é muito acentuada, o que incide negativamente sobre o seu nível de remuneração.

Esse quadro esboçado sobre a situação dos jovens no mercado de trabalho da RMPA remete para a necessidade de políticas públicas para esse contingente populacional. Nesse sentido, experiências como a do Programa Primeiro Emprego do Governo do Estado merecem ser reforçadas e aprimoradas, pois se constituem em tentativas de enfrentamento da maior adversidade encontrada pelos jovens quando de sua inserção no mercado de trabalho.

Jovens no mercado de trabalho da RMPA

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