Textos com assunto: Investimento

Fluxos de entrada de investimentos diretos estrangeiros no Mundo

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Edição: Ano 25 nº 09 – 2016

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Conforme o relatório World Investment Report 2016 da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os fluxos mundiais de investimentos diretos estrangeiros (IDEs) ocorridos em 2015 registraram uma elevação de 38% em relação a 2014 e atingiram o valor de US$ 1,76 trilhão. Em 2015, os países desenvolvidos receberam US$ 962 bilhões e voltaram à condição de principais receptores dos influxos globais (55%), posição que não ocupavam desde 2012. Na América do Norte, o principal responsável pela expansão são os Estados Unidos, que atingiram o primeiro lugar no ranking de países com os maiores fluxos de entrada de IDE. Os países europeus desenvolvidos também tiveram um crescimento significativo nos investimentos, pois receberam US$ 504 bilhões (um aumento de 65%), melhorando sua posição no ranking, o que acabou retratando a participação global desse grupo de países. O bom desempenho, no entanto, reflete um surto de fusões e aquisições entre países limítrofes, em grande escala liderado por empresas multinacionais e como parte de um movimento de reconfigurações corporativas, tanto por mudanças nas estruturas legais e de propriedade como pela tributação.

Em 2015, o ingresso de IDEs nos países em desenvolvimento, embora seja 9% superior ao fluxo recebido no ano anterior, apresenta diferenças no desempenho. A captação dos países em desenvolvimento da Ásia superou meio trilhão de dólares, porém ainda é concentrada na região do Leste e do Sudeste Asiático, que recebeu 83% do ingresso de investimentos do continente, dos quais 25 pontos percentuais correspondem à China. América Latina e Caribe tiveram queda de 2% nos fluxos de entrada. Esses fluxos representam apenas 9,5% dos investimentos mundiais, abaixo, portanto, do patamar anterior, de 13,3%, em 2014. Do mesmo modo, tanto a África quanto as economias em transição tiveram perdas de participação. Considerando-se mais especificamente os países dos BRICS, todos eles sofreram um rebaixamento de posição no ranking dos principais destinos de IDE em âmbito mundial. A China passou do 1.º para o 3.º lugar; o Brasil retrocedeu da 4.ª para a 8.ª posição; a Rússia, que já tinha sido rebaixada para a 16.ª posição em 2014, saiu do ranking dos 20 maiores receptores em 2015. A Índia manteve a 10.ª colocação em 2015, a mesma do ano anterior; e a África do Sul, fora do ranking, sofreu uma queda de 70% no ingresso de investimentos.

Os fluxos de IDEs para a América do Sul caíram 6% em 2015 e ficaram em US$ 121 bilhões, refletindo uma demanda doméstica contracionista e termos de troca mais desfavoráveis em decorrência da queda dos preços das commodities. Desse modo, o declínio dos preços das principais commodities de exportação levou à queda dos investimentos no setor extrativo da região e ocasionou a redução no reinvestimento de lucros.

Dentre os países da América Latina e do Caribe, o Brasil foi o principal receptor de investimentos em 2015, recebendo 38,5% do total dos fluxos. Todavia, os IDEs para o País apresentaram queda de 12% em relação ao ano anterior. Essa contração pode ser atribuída à recessão e ao declínio dos lucros corporativos, que, por sua vez, levaram a uma redução de 14% nos lucros reinvestidos. No mesmo ano, a formação bruta de capital fixo brasileira teve um declínio de 14% em termos reais.

Os setores que mais atraíram investimentos para o Brasil em 2015 foram: comércio (US$ 5,5 bilhões), extração de petróleo e gás natural (US$ 4,6 bilhões), telecomunicações (US$ 4,6 bilhões), indústria automobilística (US$ 4,5 bilhões) e energia (US$ 3,9 bilhões). Alguns fatores contribuíram para evitar uma queda maior no ingresso de IDEs. Não obstante uma redução na produção de carros, o ingresso de investimentos na indústria automotiva aumentou de forma acentuada, acompanhando o planejamento de projetos anteriormente anunciados. Outro fator a beneficiar os investidores foi a valorização do dólar em relação ao real, o que permitiu a compra de ativos a preços atrativos. Esse foi o caso da British American Tobacco, do Reino Unido, que comprou as ações que ainda não possuía da sua afiliada Souza Cruz S.A. por US$ 2,45 bilhões. Já nas indústrias relacionadas à infraestrutura, houve um declínio acentuado nos investimentos.

A UNCTAD prevê que, em 2016, os IDEs para América Latina e Caribe poderão sofrer novo declínio, passando de US$ 168 bilhões para uma faixa de US$ 140 a160 bilhões. Isso porque a previsão para a região é a continuidade da recessão e a permanência de condições macroeconômicas instáveis. A demanda enfraquecida, aliada ao potencial de depreciação adicional da moeda, pesará nas decisões de investimento na indústria de transformação e nos serviços. Se os preços das principais commodities de exportação da região continuarem a declinar, poderá ocorrer um atraso nos projetos de investimento na indústria extrativa, bem como um novo desestímulo ao reinvestimento de lucros. No caso do Brasil, a revalorização do real pode ter um efeito contrário ao encarecer os ativos e conter o ingresso de novos investimentos. No entanto, considerando-se que, nos países desenvolvidos, uma parcela significativa dos investimentos pode ser atribuída a fusões e aquisições lideradas pelas multinacionais, é possível que o mesmo fenômeno seja também observado na região, o que pode alterar o resultado do ingresso de IDEs no Brasil. No ano de 2015, foram registradas 742 transações de fusões e aquisições no País, concentradas principalmente na Região Sudeste (73%), enquanto a Região Sul participou com 12% do total. Os investidores estrangeiros estiveram presentes em 360 das transações, sendo Estados Unidos, Reino Unido e Japão os principais países de origem, com 35%, 7% e 5% do total respectivamente.

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Juros, câmbio, investimento e exportações no Brasil entre 2011 e 2014

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Edição: Ano 24 nº 06 - 2015

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O investimento e as exportações são variáveis centrais para o crescimento econômico a longo prazo. O investimento é necessário para o aumento da capacidade produtiva da economia, ao passo que as exportações são decisivas para relaxar a restrição externa ao crescimento. No debate brasileiro, com muita frequência argumenta-se que essas duas variáveis não assumem uma dinâmica satisfatória em virtude de dois preços macroeconômicos estarem “fora do lugar”: a taxa de juros muito alta inibiria os investimentos privados, e a taxa de câmbio muito valorizada faria o mesmo com as exportações.

De uma maneira geral, a política econômica praticada no primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff parece ter assumido esse diagnóstico. No segundo semestre de 2011, o Banco Central deu início a um ciclo de redução da taxa básica de juros que levou a meta da Selic ao nível nominal de 7,25% ao ano, no fim de 2012. O movimento reduziu a taxa overnight a níveis reais (critério ex-post) abaixo de 1% ao ano, no primeiro semestre de 2013. Houve também redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), implicando taxas de juros reais virtualmente nulas nas operações de crédito para investimento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O esforço de redução dos spreads dos bancos públicos e privados reduziu também significativamente as taxas reais de juros cobradas no crédito geral a pessoas jurídicas. Essas ações, em conjunto com as desonerações tributárias, parecem ter sido efetivas para reduzir o custo do investimento.

Em meio ao ambiente de estabilidade tanto da taxa de juros norte-americana quanto da avaliação de risco-país medida pelo índice Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+), a redução da taxa Selic diminuiu o diferencial de juros em cerca de cinco pontos percentuais em um intervalo de apenas nove meses, permanecendo nesse nível por cerca de um ano. Em conjunto com outras ações, o movimento sugere que o Banco Central estivesse buscando desvalorizar a taxa de câmbio, ou ao menos deter o processo de apreciação que caracterizou os dois mandatos do Presidente Lula. De fato, a desvalorização da taxa de câmbio nominal acumulou praticamente 60% ao longo dos 48 meses do primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff. Em termos reais, a desvalorização foi pouco superior a 30% no mesmo período.

De modo geral, houve, portanto, redução do custo do investimento e desvalorização da taxa de câmbio. Esse movimento de preços relativos no sentido desejado por muitos economistas não resultou, entretanto, em alteração da dinâmica das quantidades de exportações e de investimento. De acordo com os índices divulgados pela FEE, o volume exportado pelo Brasil em 2014 foi cerca de 13% menor do que o exportado em 2010. A taxa de investimento, medida como a razão entre a formação bruta de capital fixo e o PIB a preços constantes de 1995, não mostrou tendência de aumento, oscilando em torno do patamar de 22% ao longo do período 2011-14. Isso sugere que a dinâmica das exportações e do investimento dependa muito mais de outras variáveis de quantidades (como o crescimento da renda mundial no caso das exportações e o crescimento do PIB doméstico no caso do investimento) do que de alterações de preços relativos.

 

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Os investimentos nos estádios para a Copa do Mundo 2014

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Edição: Ano 23 nº 12 - 2014

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Para sediar a Copa do Mundo de 2014, o Estado brasileiro teve de oferecer garantias à Federação Internacional de Futebol (FIFA) e fazer reformas na sua legislação e no espaço urbano. Uma das intervenções previstas diz respeito à adequação dos estádios brasileiros ao que se convencionou chamar de “padrão FIFA”, tendo o Governo brasileiro direcionado parte importante do orçamento da competição para financiamentos que possibilitaram as reformulações dos parques esportivos.

Segundo dados do Portal da Transparência, o valor total investido chegou a R$ 25,6 bilhões. Ao contrário das declarações dos representantes brasileiros e dos dirigentes das federações envolvidas no torneio (Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e FIFA), o poder público foi o principal investidor, sendo o responsável direto por mais de 80% do total despendido na organização da Copa. Esse padrão de desigualdade entre recursos públicos e privados é ainda maior nos recursos relativos aos estádios, que representaram quase um terço do orçamento total: dos R$ 8 bilhões empregados nas arenas esportivas, aproximadamente, 95% tiveram como origem as instituições públicas, enquanto os outros 5% foram captados na iniciativa privada e nos clubes de futebol.

O principal agente de investimento público foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, por meio do programa ProCopa Arenas, ofereceu financiamento de, no máximo, R$ 400 milhões para cada empreendimento. Apenas o Estádio Nacional de Brasília não foi financiado por esse programa. Os outros 11 projetos somaram quase R$ 4 bilhões em financiamentos, a serem amortizados em até 15 anos. Além dos estádios da Copa, o programa também financiou parte da Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

Os governos estaduais arcaram com cerca de R$ 3,3 bilhões (grande parte desse valor também oriunda do finan-ciamento do BNDES). Somente o estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, de propriedade do Sport Club Internacional, e a Arena Corinthians, emSão Paulo,não receberam recursos de seus respectivos estados. Em sentido oposto, o Estádio Nacional de Brasília foi financiado integralmente, R$ 1,4 bilhão, por recursos do Governo distrital. Os governos municipais também tiveram participação, mesmo que reduzida em comparação com as outras esferas: a Prefeitura de Curitiba financiou a criação do projeto e algumas estruturas no entorno da Arena da Baixada, enquanto a Prefeitura de São Paulo garantiu incentivos fiscais da ordem de R$ 420 milhões para a Arena Corinthians, que sediou a abertura do torneio. Entre os clubes, apenas o Clube Atlético Paranaense aplicou pouco mais de  R$ 78 milhões, obtidos em empréstimos, na Arena da Baixada. Dois estádios contaram com recursos de empresas privadas: a Arena Mineirão (R$ 254,5 milhões investidos pela empresa Minas Arena) e o Beira-Rio (quase R$ 55 milhões investidos pela Andrade Gutierrez, em troca da exploração comercial do estádio durante 20 anos).

Portanto, as obras nos estádios da Copa tiveram como agente principal o Estado, que, por meio de diversas ações (aporte direto, empréstimos, renúncia e incentivo fiscal), garantiu a possibilidade de realização da competição futebolística no País.

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Os gastos em Ciência e Tecnologia nos estados mais industrializados do Brasil

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Edição: Ano 22 nº 04 - 2013

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Nas últimas décadas, o mundo assistiu a uma transformação radical dos conhecimentos científico e tecnológico, com o desenvolvimento e a difusão da microeletrônica, da automação e das tecnologias de informação e comunicação (TIC). Essas novas tecnologias provocaram uma verdadeira revolução em como, quando, onde e para quem produzir e distribuir produtos e serviços. Por isso a importância de políticas públicas para difundir as capacidades tecnológicas de criação e assimilação de novos conhecimentos, visando aumentar as oportunidades de trabalho e o desenvolvimento econômico e social sustentável. Os dispêndios em Ciência e Tecnologia (C&T) constituem um importante instrumento de política pública.

As informações disponíveis sobre os dispêndios em C&T nos Estados mais industrializados do País sugerem que, nos anos 2000, esses gastos no Estado do Rio Grande do Sul foram menores em termos absolutos e relativos em comparação, por exemplo, com Estados como Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mesmo levando em conta o crescimento dos gastos em C&T no ano de 2010, o orçamento executado somou 254,2 milhões de reais, correspondendo a 0,73% da receita total do Estado. Uma explicação para esse fato é o incipiente orçamento executado do RS no ensino universitário estadual, já que esse orçamento integra seu gasto em C&T, como de igual forma nos outros Estados.

Os gastos em Ciência e Tecnologia nos estados mais industrializados do Brasil

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Efeito temporário da crise sobre a América Latina

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Edição: Ano 22 nº 03 - 2013

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Têm sido frequentes as referências à “grande depressão” dos anos 30 do século passado, para caracterizar as dificuldades econômicas hoje enfrentadas por Estados Unidos e União Europeia, decorrentes da crise financeira de 2008. Do ponto de vista do impacto da crise sobre os países latino-americanos, esse paralelo é adequado?

Os dados disponíveis na literatura sobre os efeitos da crise de 1929 indicam não só que, naquela ocasião, houve uma redução muito abrupta nas receitas de exportação dos países latino-americanos, mas, sobretudo, que a recuperação posterior de preços e volumes exportados foi extremamente lenta. As séries históricas disponibilizadas pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) para o conjunto da América Latina mostram que, em 1940, o poder de compra das exportações permanecia inferior ao registrado em 1930. Sem entrada de capitais externos, as condições daquela década caracterizam bem o que Maria da Conceição Tavares denominou “estrangulamento externo absoluto”.

As informações disponíveis para o período posterior a 2008 nos permitem avaliar se as consequências desta última crise foram tão significativas para os países latino-americanos como nos anos 30. É preciso observar previamente que o período 2004-08, imediatamente anterior à crise, foi bastante favorável para a Região. O ritmo de crescimento desse período não era registrado desde os anos 70. Houve sensível melhora nos termos de troca, e foram registrados sucessivos superávits nas transações correntes com o resto do mundo. Em conjunto com elevados influxos de capital, tal condição permitiu expressiva acumulação de reservas internacionais.

A intensificação das perturbações nos mercados financeiros internacionais, em 2008, induziu naturalmente à expectativa de que, mais uma vez, eventos exógenos interromperiam o ciclo de crescimento da Região. De fato, os dados relativos ao ano de 2009 são extremamente negativos, mas os relativos à posição externa da Região nos anos seguintes mostram uma robusta recuperação. Conforme mostra o Gráfico, embora tenha havido piora dos termos de troca e redução do poder de compra das exportações em 2009, já no ano seguinte o nível de 2008 foi plenamente recuperado, e a trajetória de crescimento foi mantida nos anos posteriores. No que diz respeito ao fluxo de capitais, nem houve, a rigor, uma interrupção da entrada de recursos na Região. Ocorreu, de fato, uma redução do influxo líquido de capitais entre 2007 e 2008, mas, ainda assim, ingressaram, nesse ano crítico, cerca de US$ 70 bilhões em termos líquidos. Patamar semelhante foi mantido em 2009, e, a partir de 2010, verifica-se persistente crescimento, atingindo o montante sem precedente histórico de US$ 200 bilhões em 2011.

Assim, independentemente da validade, ou não, da comparação entre os anos 30 e os anos recentes no caso das economias desenvolvidas, o paralelo não parece adequado no caso da América Latina. A Região como um todo parece ter, inclusive, recuperado seu ritmo de crescimento já em 2010 e 2011. Dos países maiores, o Brasil é o que tem apresentado menor taxa de crescimento, devido à relutância dos formuladores de política econômica em adotar uma postura mais expansionista que possa aproveitar o cenário externo ainda favorável.

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Investimentos: melhora não rompe estagnação

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Edição: Ano 14 nº 10 - 2005

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O 2º trim./05 revelou algumas surpresas positivas nas contas nacionais brasileiras divulgadas pelo IBGE. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,4% frente ao trimestre anterior (resultado ajustado sazonalmente) e 4,3% no acumulado dos últimos quatro trimestres. Esse resultado foi marcado pela recuperação dos investimentos medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a qual, após queda de 3,6% nos primeiros três meses do ano, apresentou um crescimento de 4,5% no 2º trim./05, frente ao anterior, com ajuste sazonal. Por esse resultado, a FBCF representou a primeira fonte de crescimento do PIB no 2º trim./05, superando, inclusive, as exportações. Estas vinham-se constituindo no principal motor da tímida recuperação da economia brasileira. Outros indicadores importantes quanto ao comportamento do investimento, como a importação e a produção interna de bens de capital, também têm mostrado um comportamento positivo em 2005, apresentando crescimento acumulado nos primeiros sete meses do ano de, respectivamente, 28,3% e 2,6%.

O avanço na FBCF, contudo, não rompe com a histórica dificuldade da economia brasileira para ampliar o patamar dos investimentos em relação ao PIB. Até o presente momento, o novo arranjo de política econômica implantado, no País, após 1999 — câmbio flexível, metas de inflação e superávit primário — não foi capaz de impulsionar o investimento produtivo de forma continuada, com o nível da FBCF raramente ultrapassando os 19% do PIB em que se encontra atualmente. Sem uma vigorosa retomada dos investimentos, o pretenso êxito estabilizador da política econômica brasileira não se consubstanciará em aumento expressivo da produção ou melhoria das condições de vida da população.

Investimentos melhora não rompe estagnação

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Parceria público-privada

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Edição: Ano 13 nº 02 - 2004

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Dada a reduzida capacidade da esfera pública em investir no País, o Governo Federal apresentou ao Poder Legislativo o seu programa de parceria público-privada (PPP) para financiar infra-estrutura, combinando, no longo prazo, redução de custos, eficiência administrativa, obtenção de lucros e retorno social.

Os investimentos em infra-estrutura e indústrias de base no País, que, no ano 2000, se encontravam nos patamares de US$ 25 bilhões (previsão) e US$ 20 bilhões (realização), caíram, em 2003, para US$ 15,2 bilhões em termos do que estava planejado, enquanto o que foi efetivamente concretizado ficou reduzido a US$ 8 bilhões. Estima-se que o financiamento do programa PPP implique a utilização de US$ 10 bilhões anuais, segundo o relator do projeto na Câmara, projeto este que conta com a participação dos fundos de pensão, de organismos multilaterais e de empresas nacionais e estrangeiras. A primeira carteira de PPP está limitada a US$ 4,42 bilhões, com 46% de participação privada.

O desafio maior do programa atém-se à dificuldade de adequar as necessidades crescentes da PPP à restrição do orçamento público, tendo em vista que a Lei de Responsabilidade Fiscal impõe limites para o endividamento.

Parceria público-privada

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