Textos com assunto: Indústria

A participação das exportações na indústria gaúcha

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Edição: Ano 22 nº 02 - 2013

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Uma maneira de se medir o peso das exportações na produção da indústria é calculando o coeficiente de exportação. Essa medida indica qual o percentual do Valor Bruto da Produção que cada setor da indústria destina para exportações. A partir dos dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos dados de exportação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foi calculado o coeficiente de exportação para os principais setores da indústria de transformação no ano de 2010 (último ano disponível na PIA).

A participação das exportações no total produzido pela indústria de transformação gaúcha foi de 16% no ano de 2010, enquanto, para o Brasil, o índice foi de 13%.

O setor de fabricação de produtos de fumo foi o que apresentou maior coeficiente, com 51% da produção do setor destinada ao mercado externo.

A indústria de produtos alimentícios exportou 26% do valor produzido em 2010. Dentro desse setor, os mais voltados para o mercado externo foram o setor de abate e fabricação de produtos de carne, que teve um coeficiente de 47%, e o setor de óleos e gorduras vegetais e animais, que exportou 45% do total produzido. Por outro lado, o setor de moagem, que representa cerca de um quarto da produção da industrial de alimentos, apresentou um baixo coeficiente de exportação, de apenas 4%.

O setor de couro e calçados ainda destina boa parte de sua produção para o mercado externo. Em 2010, um quarto da produção desse setor foi exportado. O subsetor de curtimento e outras preparações de couro teve um alto coeficiente, de 44%. Já o subsetor de calçados exportou 19% da produção. Cabe ressaltar que a indústria calçadista tem diminuído sua participação na pauta exportadora do Estado nos últimos anos, principalmente devido à concorrência dos produtos chineses.

A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, apesar de ser um setor com uma participação significativa tanto no valor produzido na indústria de transformação como no valor exportado, destinou apenas uma pequena parte da sua produção para o mercado externo. O coeficiente de exportação desse setor foi de 5%. Apesar desse baixo índice, alguns segmentos que compõem esse setor apresentaram uma participação maior das exportações. É o caso da fabricação de caminhões e ônibus, que exportou 23% da produção, e da fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores, que destinou 11% da produção para o mercado externo.

A participação das exportações na indústria gaúcha

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O declínio do setor calçadista gaúcho

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Edição: Ano 20 nº 06 - 2011

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Segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE, o setor calçadista gaúcho representava, em 2000, 10,6% do valor da transformação industrial do Estado. Em 2008, essa participação caiu para 5,6%. A redução do tamanho do setor seguiu-se à queda nas exportações. Os Estados Unidos sempre foram o principal comprador dos calçados gaúchos. Ao longo dos anos, entretanto, o menor preço do calçado chinês fez com que as vendas do Estado para aquele mercadocaíssem significativamente. De US$ 931,7 milhões em 2000, as exportações do RS para os EUA caíram para US$ 181,0 milhões em 2010. À perda de competitividade em função dos menores custos de mão de obra dos chineses somaram-se as decorrentes da valorização cambial. Entre 2003 e 2010, a taxa de câmbio real/dólar caiu 42,8%; no mesmo período, o valor das exportações gaúchas de calçados reduziu 29,8%.

Parte das perdas com o mercado norte-americano foi compensada pelo aumento das exportações para outros mercados, notadamente União Europeia e Mercosul. Em 2010, esses dois mercados já respondiam por 56,4% das vendas do Estado. Outra providência adotada pelos empresários foi transferir a produção — total ou parcialmente — para estados da Região Nordeste, de mão de obra mais barata. O resultado foi a perda de participação do Rio Grande do Sul na produção (de 56,8% 2000 para 33,5% em 2008) e nas exportações nacionais (de 81,1% em 2000 para 50,6% em 2010).

O declínio do setor calçadista gaúcho

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Calçados em busca de nova inserção internacional

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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A busca continuada por formas de redução dos custos do trabalho na indústria calçadista, haja vista a reduzida possibilidade de automatização de várias tarefas do processo produtivo, e a necessidade de produção de grandes volumes para o segmento de consumo de massa acabaram consolidando a Ásia como o grande provedor mundial de calçados. Conforme informações da Abicalçados, em 2005, a Ásia foi responsável por 83% da produção mundial de calçados, com destaque para a China, que fabricou nove bilhões de pares de calçados em suas 18.000 fábricas e exportou um pouco acima da metade do volume mundial comercializado (53%). O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados e o único país não asiático entre os sete maiores produtores.

No início dos anos 90, a maior exposição da economia brasileira à concorrência externa impactou fortemente a indústria calçadista local. Ao longo do ajuste que se seguiu, as empresas passaram a investir em processos e produtos, buscando reduzir custos e racionalizar a produção. Uma estratégia importante foi o deslocamento de plantas das regiões produtoras tradicionais (Vale do Sinos-RS e regi ão de Franca-SP) para a Região Nordeste, atraídas por uma mão-de-obra mais barata e por incentivos fiscais. A exportação de calçados, no entanto, continuou sendo realizada primordialmente pelas regiões produtoras originais por mais uma década, sofrendo os efeitos da valorização e da desvalorização do real e de uma conjuntura internacional em que mercados tradicionais se viam tomados pelos produtores asiáticos, especialmente os chineses, cujos calçados eram comercializados a preços baixos imbatíveis.

O avanço dos calçados asiáticos e o processo de valorização do real iniciado em 2004 impulsionaram a utilização de estratégias que trouxessem uma nova inserção internacional da indústria brasileira de calçados, dentre elas: a diversificação de mercados e a ampliação do mercado externo; o foco na fabricação de produtos diferenciados de maior valor agregado destinados a nichos de mercado, através de investimentos em design e produtos de moda; e a comercialização com marca própria em substituição ao regime de subcontratação antes majoritariamente utilizado.

O exame da evolução das exportações de calçados gaúcha e brasileira (ver tabela) mostra o resultado positivo dos esforços realizados. Apesar das perdas expressivas ocorridas nas vendas externas, em número de pares, principalmente no Rio Grande do Sul, especializado na produção de calçados de couro femininos, em sua maior parte direcionada para o mercado externo, os valores exportados em 2007 são semelhantes aos de 2004, em decorrência do aumento do preço médio de exportação para todos os países selecionados, que compensou, em grande medida, os efeitos do real valorizado. O movimento na direção de segmentos de produtos de moda, cujos calçados possuem maior qualidade e preço e nos quais se têm concentrado os investimentos em estilo, design e consolidação de marca própria, abriu novos nichos de mercado para o calçado brasileiro, compensando as perdas de participação em mercados compradores de calçados de menor preço, ocupados pelos fabricantes chineses. Em termos de diversificação de mercados, os dados mostram a redução da participa ção dos EUA paralelamente ao crescimento das vendas para países europeus (Reino Unido, Itália e Espanha) e latino-americanos (Argentina e Venezuela).

Pelo lado das importações, é possível conferir o notável crescimento da participação da China e dos demais países produtores e exportadores asiáticos nas compras externas gaúchas e brasileiras desse produto. A expansão dessas importações, impulsionada pela desvalorização do dólar, vem preocupando a indústria calçadista dom éstica, pois concorre com o produto nacional no mercado interno.

Calçados em busca de nova inserção internacional

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Emprego formal no RS: indústria puxa a expansão do primeiro trimestre

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Edição: Ano 12 nº 05 - 2003

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O mercado formal de trabalho do Rio Grande do Sul teve expansão no primeiro trimestre, gerando um saldo de 28.474 postos de trabalho. Esse resultado supera o dos três anos precedentes, considerados os mesmos meses. A variação em 2003 atingiu 1,73%, ultrapassando a do agregado nacional, que ficou em 0,63%. No período abr./02-mar./03, entretanto, o emprego formal no Estado teve desempenho um pouco menos positivo do que no País: 2,71% versus 3,18%.

De janeiro a março deste ano, o comportamento do emprego foi fortemente condicionado, no RS, pela indústria de transformação, que teve acréscimo de 21.715 postos — mais de três quartos do saldo total — e uma variação de 3,97% (contra 0,79% no Brasil). De seus 12 subsetores, 10 tiveram crescimento no Estado. O grande destaque — com um saldo de 14.047 postos, quase dois terços do incremento setorial — foi Borracha, fumo e couros, subsetor que, em função das atividades ligadas ao tabaco, se caracteriza por forte sazonalidade, tendo, tradicionalmente, expansão no primeiro semestre e drástico recuo no segundo. O segundo maior saldo e a segunda maior variação registraram-se na indústria de calçados, cujo contingente se elevou em quase cinco mil trabalhadores, acumulando, neste ano, 3,94% de expansão.

Emprego formal no RS indústria puxa a expansão do primeiro trimestre

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