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A gripe aviária

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Edição: Ano 15 nº 04 - 2006

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A produção brasileira de carne de frango atingiu 9,348 milhões de toneladas em 2005, das quais 2,762 milhões de toneladas foram destinadas às exportações. Os níveis de produção e de exportações, de 2004 para 2005, registraram incrementos de 11,2% e 13,9% respectivamente, enquanto a participação nacional nas exportações mundiais se manteve em torno de 40% no biênio. Depois desse magnífico desempenho, as projeções para o corrente ano sinalizavam indicadores promissores, porém a gripe asiática interrompeu as expectativas quanto à seqüência de excelentes resultados.

O vírus H5N1 teve a sua presença, na Ásia, em destaque, por causa da incapacidade do continente de obter êxito no combate à gripe do frango. Depois de a China ver abalada a confiança do seu consumidor em 2004, a Índia confirmou o primeiro registro do vírus em fevereiro de 2005, ocasião em que as autoridades determinaram a morte de 30.000 aves. No início de março, com a presença de novos casos na França e com as reuniões diárias dos veterinários em Bruxelas, capital da UE, estava disseminada a crença de que a ameaça de uma epidemia da gripe aviária criaria conseqüências sobre a economia mundial.

Ainda em março, o FMI divulgou uma publicação intitulada A Economia Global e o Impacto Financeiro de Uma Pandemia de Gripe Aviária e o Papel do FMI, onde analisava o potencial desse impacto, enfatizando a necessidade de políticas públicas, caso o quadro viesse a se agravar.

No Brasil, a nova realidade não impediu que, quando comparadas com as do mesmo período do ano anterior, as exportações de carne de frango, no primeiro bimestre, se elevassem de US$ 406 milhões (2005) para US$ 489 milhões (2006). Todavia, quando da comparação de janeiro deste ano com dezembro do ano passado, o mercado de carne de frango registrou quedas nos embarques (13%) e na receita com exportações (22%). Então, a cadeia produtiva passou a trabalhar com a restrição da redução da demanda externa do produto, tendo em vista que houve retraimento dos mercados consumidores do Oriente Médio, da Rússia e do Japão. Considerando que não havia mercado interno para redirecionar o produto exportado, tornou-se imperiosa a necessidade de um ajuste de produção e de emprego.

A incerteza quanto ao desdobramento da crise levou o Governo a lançar, em fevereiro, as bases de um plano nacional de combate à gripe aviária, que pretendia identificar os circuitos avícolas e as condições sanitárias estaduais. Posteriormente, em 17 de março, o Ministério da Agricultura liberou R$ 300 milhões, a título de Empréstimo do Governo Federal (EGF), para estocagem de 300.000 toneladas de carnes de aves e suínos que deixaram de ser exportadas.

No Rio Grande do Sul, em fevereiro, o Governo gaúcho e os produtores locais definiram uma estratégia para conter a entrada do vírus H5N1 no Estado. Inicialmente, houve proibição de visitas às plantas físicas avícolas locais. Em março, com a queda no consumo externo e a redução no preço do produto, os produtores diminuíram os alojamentos de frangos em aviários e passaram a planejar ajustes no nível do emprego. No dia 15, formou-se o Comitê para Enfrentamento da Pandemia de Influenza Aviária no RS, dividido em quatro subcomitês, que deverá apresentar o Plano de Contingência Regional no próximo dia 24 de abril.

A gripe aviária

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